{"id":82,"date":"2020-01-10T14:10:31","date_gmt":"2020-01-10T14:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=82"},"modified":"2021-02-28T21:59:33","modified_gmt":"2021-02-28T21:59:33","slug":"uma-taca-de-chianti-para-comecar-a-explorar-a-toscana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/uma-taca-de-chianti-para-comecar-a-explorar-a-toscana\/","title":{"rendered":"Uma ta\u00e7a de Chianti para come\u00e7ar a explorar a Toscana!"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Melhor do que beber o Chianti \u2018Made in Tuscan\u2019 \u00e9 ver aquilo que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance das lentes.<\/h2>\n\n\n\n<p>Toscana \u00e9 um dos destinos mais cobi\u00e7ados da Europa. Com um passado cultural exuberante, \u00e9 na capital da Europa Renascentista, Floren\u00e7a, que se encontram grandiosos acervos das artes cl\u00e1ssicas, distribu\u00eddos pelas galerias, museus e piazzas. Entre as rel\u00edquias culturais toscanas est\u00e3o os produtos agroalimentares, como o vinho, que ganhou mais vigor ainda com a cobertura internacional da m\u00eddia especializada contempor\u00e2nea: ao verde dos ciprestes, se soma o caldo rubro de muitos vinhos tintos que fazem desta uma das mais renomadas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma topografia bem adequada \u00e0 vitivinicultura, 2\/3 da Toscana tem a presen\u00e7a de colinas, que se misturam a terrenos planos, abrigando os vinhedos da sua casta principal, a Sangiovese. Pelo menos metade das prateleiras de qualquer varejo \u00e9 tomada de Chiantis, considerada a mais antiga zona de origem vitivin\u00edcola da It\u00e1lia, estabelecida em 1932 por decreto ministerial. S\u00e3o muitos Chiantis em quantidade e com enorme variabilidade qualitativa.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos anos 1980, houve um desmembramento regulamentar, que destacou oito zonas dentro da \u00e1rea mais ampla de Chianti. Dentre elas, a maior e que corresponde ao n\u00facleo original de produ\u00e7\u00e3o leva a express\u00e3o Chianti Classico e concentra vinhos com mais estrutura e complexidade do que os Chiantis gen\u00e9ricos. A \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o do Chianti Classico era o n\u00facleo original da produ\u00e7\u00e3o de Chiantis, que remonta ao s\u00e9culo XIV e que foi se alargando e se descaracterizando para atender a grande demanda de consumo, at\u00e9 que as DOCGs (Denomina\u00e7\u00f5es de Origem Controlada e Garantida) fossem criadas para preservar a distin\u00e7\u00e3o entre as qualidades.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso sair do Brasil para identificar que os Chiantis podem ser bem desiguais em qualidade, e uma forma de ser mais assertivo \u00e9 buscar triar pela DOCG. Al\u00e9m do Chianti Classico, h\u00e1 vinhedos de colinas a leste de Floren\u00e7a, cujos produtos apresentam boa qualidade, sempre dependendo do produtor: o Chianti Rufina (n\u00e3o confundir com a marca Rufino), o Chianti Colli Senesi e o Chianti Colli Fiorentini, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornada DOCG em 1996, os vinhedos do Chianti Classico se situam nas colinas que v\u00e3o do sul de Floren\u00e7a at\u00e9 Siena, abrangendo seis comunas, que tamb\u00e9m recebem turistas amantes de vinhos. O simp\u00e1tico galinho da etiqueta rosa que rotula o pesco\u00e7o das garrafas de Chianti Classico remete ao Gallo Nero, emblema da Liga Militar de Chianti no s\u00e9culo XIV e quer dizer que o vinho traz, no m\u00ednimo, 80% de Sangiovese, 4.400 vinhas por hectares e uma m\u00e9dia de 2kg de uvas por vinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O corte do Chianti Classico pode levar o acr\u00e9scimo de outras uvas tintas locais (Canaiolo Nero Colorino e Mammolo) ou internacionais (como Merlot e Cabernet). J\u00e1 o Chianti gen\u00e9rico exige 70% de Sangiovese + um m\u00ednimo de 10% de uvas brancas, o que faz dele um vinho mais simples, magro, com alta acidez, para ser bebido jovem. Temos ainda os Chiantis Riservas, que pode se igualar a grandes vinhos da Toscana, devendo envelhecer por no m\u00ednimo dois anos, com tr\u00eas meses de afinamento em garrafa para chegar ao mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Floren\u00e7a \u00e9 uma cidade viva, animada em boa parte do ano. Como em todo ponto tur\u00edstico, algumas regi\u00f5es, embora belas, t\u00eam sua evid\u00eancia cultural e regional \u00e0s vezes artificializada pela intensa concentra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica \u2013 o que n\u00e3o me agrada. Afinal, melhor do que beber o Chianti \u201cMade in Tuscan\u201d \u00e9 ver aquilo que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance das lentes. Gosto bastante de \u201cflanar\u201d pelas cidades e \u00e0s vezes descubro coisas interessantes, \u00e0s vezes tamb\u00e9m fico exausta e perco o meu tempo. Em Floren\u00e7a, funcionou \u2013 encontrei alguns lugares menos previs\u00edveis que compartilho com voc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles fica bem perto da famosa Ponte Vecchio, mas num cantinho meio escondido. O Le Volpi &amp; L\u2019Uva (Piazza dei Rossi, 1) \u00e9 um bar de vinhos com cara de bistr\u00f4, com uma sele\u00e7\u00e3o muito particular de produtos, que podem ser bebidos in loco ou comprados em garrafas. Foi montado por tr\u00eas sommeliers em 1992, com o intuito de apresentar aos clientes frutos de uma garimpagem enol\u00f3gica em pequenas propriedades da regi\u00e3o. O local \u00e9 apertadinho, e os clientes se distribuem ao longo de um pequeno balc\u00e3o para provar vinhos e comidinhas locais, bem ao estilo de produtos de terroir. Ali \u00e9 poss\u00edvel perceber certa cumplicidade entre frequentadores e donos que compartilham a paix\u00e3o pelo vinho. Para quem n\u00e3o quer arriscar perder tempo procurando encontrar o que n\u00e3o est\u00e1 a olhos vistos (como eu), atualmente eles contam com um website, pelo qual fazem reservas para degusta\u00e7\u00f5es e disponibilizam menus de vinhos e pratos: levolpieluva.com.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro local, menos com o perfil en\u00f3filo, apesar de oferecer uma boa sele\u00e7\u00e3o de vinhos, \u00e9 o La Prosciutteria Trata-se de um bar com ares de juventude descolada, com ofertas de comidinhas e ta\u00e7as de vinhos mais acess\u00edveis. Ao longo de um espremido corredor, est\u00e1 uma vitrine de deliciosos embutidos, p\u00e3es, conservas, queijos, entre outros, que podem ser montados de modo bem informal pelo cliente para compor t\u00e1buas e sandu\u00edches e reg\u00e1-las com vinhos de produtores parceiros da casa (desde um supertoscano simples a vinhos do Sul da It\u00e1lia). As pessoas se misturam ali, em p\u00e9, ao longo do balc\u00e3o, nas mesas e bancos improvisados do lado exterior, para saborear a regionalidade e celebrar o prazer de estar \u201cdescontraidamente\u201d experimentando as del\u00edcias fiorentinas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito mais, lugares mais sofisticados, na moda, tur\u00edsticos, entre outros. Floren\u00e7a \u00e9 linda e cheia de gra\u00e7a. Arte, cultura, vinhos e comida deliciosos n\u00e3o faltam. E esse \u00e9 s\u00f3 o ponto de partida da Toscana. It\u00e1lia ser\u00e1 um dos meus temas deste in\u00edcio de ano. Acompanhe a coluna!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Melhor do que beber o Chianti \u2018Made in Tuscan\u2019 \u00e9 ver aquilo que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance das lentes. Toscana \u00e9 um dos destinos mais cobi\u00e7ados da Europa. 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