{"id":76,"date":"2020-02-07T18:56:37","date_gmt":"2020-02-07T18:56:37","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=76"},"modified":"2021-02-28T21:56:23","modified_gmt":"2021-02-28T21:56:23","slug":"conhecendo-melhor-os-roses-e-algumas-dicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/conhecendo-melhor-os-roses-e-algumas-dicas\/","title":{"rendered":"Conhecendo melhor os ros\u00e9s e algumas dicas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O vinho rosado \u2018pegou\u2019, de um jeito diferente dos seus irm\u00e3os de outra cor.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 tive oportunidade de falar em artigo anterior sobre o vinho ros\u00e9 e o seu crescimento estupendo, refor\u00e7ado por um marketing muito bem feito em torno de sua est\u00e9tica \u2013 belas cores, garrafas e r\u00f3tulos design. O \u201cpatinho feio\u201d virou o vinho da moda e teve como boa contribui\u00e7\u00e3o o trabalho promocional da regi\u00e3o de Provence. O vinho rosado \u201cpegou\u201d, de um jeito diferente dos seus irm\u00e3os de outra cor, isto \u00e9, aparecendo mais como uma categoria de vinho do que como um vinho portador de certa tipicidade, seja ela identificada com a uva ou com a origem. Mais ou menos como acontece com o espumante \u2013 as pessoas v\u00e3o criando o h\u00e1bito de beb\u00ea-lo, sem fazer muita distin\u00e7\u00e3o dos produtos entre si e, aos poucos, esse conhecimento vir\u00e1, e as prefer\u00eancias ser\u00e3o estabelecidas. No caso dos demais vinhos, o referencial de uvas e tipos de vinhos j\u00e1 est\u00e1 mais difundido, e o consumidor j\u00e1 busca a uva \u2013 o Malbec ou o Chardonnay \u2013 ou a regi\u00e3o \u2013 o Rioja ou o Bordeaux, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identifica\u00e7\u00e3o dos vinhos brancos e tintos pelas cepas torna o entendimento e escolha dos vinhos mais acess\u00edveis aos consumidores, por mais reducionista que isso \u00e0s vezes pare\u00e7a ser, j\u00e1 que h\u00e1 outros fatores em jogo. Por outro lado, embora muitos vinhos sejam de corte de v\u00e1rias uvas, temos no universo mais tradicional do vinho, como nos pa\u00edses europeus, tipos de vinhos j\u00e1 consagrados e associados \u00e0s suas origens. Assim, quando eu falo de Bordeaux, eu j\u00e1 consigo imaginar um perfil para vinhos brancos e tintos, da mesma forma com vinhos do Douro, Alentejo, Chianti, Rioja, entre outros. Eu n\u00e3o penso apenas na categoria branco ou tinto, mas em certas caracter\u00edsticas que \u201cdevem\u201d pretensamente acompanhar o vinho feito daquela uva ou naquela regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Me parece que isso ainda \u00e9 algo complicado no vinho ros\u00e9, pois o fato dele ser feito, em sua grande maioria, com uvas utilizadas para a elabora\u00e7\u00e3o de vinhos tintos, este dado pode n\u00e3o ser suficiente para provocar uma clara antecipa\u00e7\u00e3o de sua qualidade na mente do consumidor, pois, al\u00e9m dessa tipicidade estar meio dilu\u00edda devido \u00e0 menor concentra\u00e7\u00e3o de extratos, ele pode estar entre o que caracterizaria um vinho branco ou um vinho tinto da mesma uva. O vinho fica no meio do caminho, ele tem parte do perfil de um vinho tinto da mesma uva (do qual temos refer\u00eancias) e parte do perfil do branco dessa uva, que normalmente desconhecemos. Mas voc\u00ea pode argumentar que os vinhos de cortes tamb\u00e9m n\u00e3o nos antecipam muita coisa \u2013 concordo, mas, como disse acima, os mais consagrados j\u00e1 t\u00eam estilos associados \u00e0s suas origens. Isso acontece com alguns ros\u00e9s tamb\u00e9m, mas \u00e9 menos conhecido e difundido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em fun\u00e7\u00e3o disso, neste artigo, vou indicar algumas regi\u00f5es mais associadas a vinhos ros\u00e9s e, se poss\u00edvel, estilos mais afins a cada uma delas, mesmo que em alguns casos isso ainda esteja em constru\u00e7\u00e3o. Desse modo, pretendo facilitar a explora\u00e7\u00e3o desse universo para quem tem curiosidade e aprecia um vinho ros\u00e9. A distin\u00e7\u00e3o de vinhos rosados come\u00e7a pela colora\u00e7\u00e3o \u2013 que tem nuances bem encantadoras: rosa palha, cebola, salm\u00e3o, p\u00eassego, laranja, framboesa, cereja, groselha etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cor rosada se origina dos pigmentos presentes nas cascas das uvas tintas, assim como a cor rubi nos vinhos tintos, s\u00f3 que em menor quantidade. Para a extra\u00e7\u00e3o desses pigmentos, existem dois m\u00e9todos mais utilizados: a prensagem leve e direta das uvas para a extra\u00e7\u00e3o de cor de forma mais delicada (at\u00e9 2 horas de contato com as cascas), que normalmente gera vinhos de cor mais clara, e a macera\u00e7\u00e3o curta das uvas, normalmente feita por sangria: quando a pigmenta\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a o extrato desejado, separa-se parte do suco rosado de sua parte s\u00f3lida para a fermenta\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica do vinho ros\u00e9 nos moldes dos vinhos brancos. Em parte, ele \u00e9 vinificado como tinto, e em parte, como branco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o de Provence adota um perfil mais claro e fresco de vinhos ros\u00e9s, em que muitas vezes basta a prensagem direta; j\u00e1 a AOC Tavel, localizada no Vale do Rh\u00f4ne\/Fran\u00e7a, produz um ros\u00e9 de cor intensa, mais carnudo e encorpado, que demanda um tempo maior de macera\u00e7\u00e3o e que tem a Grenache como casta principal, mas em corte com outras cepas do Rhone. Dentro da regi\u00e3o de Provence, no entanto, h\u00e1 propostas \u201cem tese\u201d distintas, vindas de cortes em que predominam Cinsault, Grenache, Syrah, Mourvedre, Carignan e Tibouren (casta proven\u00e7al). Os vinhos da C\u00f4tes de Provence, com maior influ\u00eancia litor\u00e2nea, buscam um perfil mais arom\u00e1tico, fresco e acidulado; j\u00e1 os da C\u00f4teaux Varoix, com vinhedos em partes mais altas e com boa exposi\u00e7\u00e3o solar, apresentam um ros\u00e9 mais floral, de corpo m\u00e9dio e frutado. H\u00e1 ainda a C\u00f4tes de Aix-en-Provence, cujo clima \u00e9 mais mediterr\u00e2neo e que produz ros\u00e9s mais frutados e concentrados; e os ros\u00e9s do Bandol, AOC onde reina a Mourv\u00e8dre, de perfil mais estruturado. H\u00e1 outra regi\u00e3o que, tradicionalmente, faz vinhos ros\u00e9s na Fran\u00e7a: o Vale do Loire. Dentre eles, o mais internacionalizado \u00e9 o Ros\u00e9 d\u2019Anjou, um vinho de m\u00e9dia extra\u00e7\u00e3o, mas de perfil bem frutado e levemente adocicado, feito de uma uva bem local e pouco conhecida, a Grolleau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fora da Fran\u00e7a, outro pa\u00eds no qual a produ\u00e7\u00e3o de ros\u00e9s aumenta \u00e9 a Espanha. Algumas regi\u00f5es os produzem e os consomem tradicionalmente, como em Aragon, que tem o Calatayud rosado, fruto da Garnacha Tinta, de cor framboesa e pot\u00eancia arom\u00e1tica. H\u00e1 tamb\u00e9m os Cigales rosados, feitos da Tempranillo em Castilla y L\u00e9on, em processo de refinamento produtivo e, na regi\u00e3o de Navarra, os rosados representam quase 40% da produ\u00e7\u00e3o, a partir das uvas Garnacha e Tempranillo, que se caracterizam pela concentra\u00e7\u00e3o de aromas e sabores de frutas vermelhas. H\u00e1 muitos rosados ainda em Rioja Baja e Valencia, al\u00e9m dos belos Cavas rosados, feitos especialmente das uvas Pinot Noir e Trepat (variedade local).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A It\u00e1lia tamb\u00e9m apresenta produ\u00e7\u00f5es tradicionais na categoria, embora n\u00e3o apresente um claro investimento no perfil atualmente. O Bardolino Chiaretto (chiara vem de claro) \u00e9 produzido a partir das famosas cepas dos cortes tintos do Veneto \u2013 Molinara, Rondinella e Corvina \u2013 e apresenta um perfil mais fresco, frutado e com leve amargor final. A regi\u00e3o de Abruzzo foi a primeira a ter uma DOC de rosato italiano: o Cerasuolo d\u2019Abruzzo, que tem perfil de guarda, contrariamente \u00e0 maior parte dos ros\u00e9s. Produzidos a partir da cepa Montepulciano di Abruzzo, seu nome vem de Cerrasi, cereja para dialeto local, em fun\u00e7\u00e3o de sua cor e sabor caracter\u00edsticos. A terceira maior regi\u00e3o italiana para ros\u00e9s \u00e9 a Puglia, regi\u00e3o sulina quente, que faz rosatos a partir de uvas dos tintos locais (Negroamaro, Malvasia Nera e Primitivo), mas especialmente da Bombino Nero, que tem pigmenta\u00e7\u00e3o mais leve e permite a produ\u00e7\u00e3o de vinhos mais frescos, com toques c\u00edtricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Novo Mundo, a Calif\u00f3rnia tamb\u00e9m consagrou vinhos ros\u00e9s com a emblem\u00e1tica Zinfandel, da qual se produz muitos tintos, mas que tem uma vers\u00e3o ros\u00e9 bem popularizada: a White Zinfandel. Como estamos em tempos de ros\u00e9s, n\u00e3o faltam vers\u00f5es com uvas tintas trabalhadas regionalmente em boa parte dos pa\u00edses. No Brasil, uma regi\u00e3o que vem sempre investindo substancialmente nesta produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o Estado de Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como prometido, preparei uma rela\u00e7\u00e3o de vinhos ros\u00e9s dispon\u00edveis no mercado com valores at\u00e9 pouco mais de R$ 100. Al\u00e9m das boas refer\u00eancias de produtores e importadores, privilegiei apresentar perfis distintos de vinhos em rela\u00e7\u00e3o a origens e cepas, dentro da faixa de pre\u00e7o citada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Vinhos<\/strong><\/td><td><strong>Importador\/Distribuidor<\/strong><\/td><td><strong>Pre\u00e7o<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>\u00a0<\/td><td>\u00a0<\/td><td>\u00a0<\/td><\/tr><tr><td>Castillo De Jumilla Ros\u00e9 (MONASTREL) Espanha<\/td><td>Wine Lovers<\/td><td>R$ 72,00<\/td><\/tr><tr><td>Bojador Ros\u00e9 Org. Alentejo (TOURIGA \/ Aragon\u00eas)<\/td><td>Wine Lovers<\/td><td>R$ 107,00<\/td><\/tr><tr><td>Cava Vi\u00f1a Romale Rosado Brut Nature<\/td><td>Wine Lovers<\/td><td>R$ 99,00<\/td><\/tr><tr><td>Dom. Horgelus C\u00f4tes De Gascogne Ros\u00e9<\/td><td>Premium Wines<\/td><td>R$ 87,00<\/td><\/tr><tr><td>Casa Da Passarela A Descoberta Ros\u00e9 D\u00e3o<\/td><td>Premium Wines<\/td><td>R$ 99,00<\/td><\/tr><tr><td>Bisquertt Petirrojo Reserva Ros\u00e9 Chile (PAIS)<\/td><td>Baccos<\/td><td>R$ 58,80<\/td><\/tr><tr><td>Garzon Estate Pinot Noir Ros\u00e9 Uruguai<\/td><td>Baccos<\/td><td>R$ 79,90<\/td><\/tr><tr><td>Campo Castillo Rosado Garnacha Espanha<\/td><td>Casa Rio Verde<\/td><td>R$ 59,00<\/td><\/tr><tr><td>Collevento Trevenizie Rosato (CAB. Sauv\/Merlot)<\/td><td>Casa Rio Verde<\/td><td>R$ 103,00<\/td><\/tr><tr><td>Ros\u00e9 De Chevalier (CAB. Sauv.\/MERLOT) Fran\u00e7a<\/td><td>World Wine<\/td><td>R$ 99,00<\/td><\/tr><tr><td>Ercavio M\u00e1s Q Vinos Tempranillo Rosado Espanha<\/td><td>Decanter<\/td><td>R$ 54,60<\/td><\/tr><tr><td>Castello Di Magione Belfiore Rosato Italia<\/td><td>Decanter<\/td><td>R$ 68,00<\/td><\/tr><tr><td>Villa Francioni Ros\u00e9 Sta Catarina Brasil<\/td><td>Cave Di Baco<\/td><td>R$ 100,00<\/td><\/tr><tr><td>Otazu Rosado Italia<\/td><td>Vinci Vinci<\/td><td>R$ 89,70<\/td><\/tr><tr><td>Gran Feudo Rosado Chivite Navarra (GARNACHA)<\/td><td>Mistral<\/td><td>R$ 93,71<\/td><\/tr><tr><td>Espumante Brut Ros\u00e9 Monte Paschoal<\/td><td>Zahil Rex Bibendi Bh<\/td><td>R$ 48,00<\/td><\/tr><tr><td>Espumante Moscatel Aquarela Casa Perini<\/td><td>Zona Sul<\/td><td>R$ 69,00<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para saber mais sobre grupos de estudos sobre vinhos e turmas abertas da Cafa Wine School no Brasil, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a> \/ Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>@miriamaguiar.vinhos<\/u><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O vinho rosado \u2018pegou\u2019, de um jeito diferente dos seus irm\u00e3os de outra cor. 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