{"id":73,"date":"2020-02-21T09:09:44","date_gmt":"2020-02-21T09:09:44","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=73"},"modified":"2021-02-28T21:55:50","modified_gmt":"2021-02-28T21:55:50","slug":"as-colinas-centrais-da-toscana-e-seus-vinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/as-colinas-centrais-da-toscana-e-seus-vinhos\/","title":{"rendered":"As colinas centrais da Toscana e seus vinhos"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Local tem forte contribui\u00e7\u00e3o para o renascimento do vinho italiano na d\u00e9cada de 1980.<\/h3>\n\n\n\n<p>Dando continuidade \u00e0 abordagem da vitivinicultura da It\u00e1lia Central \u2013 que foi interrompida para a publica\u00e7\u00e3o de dois artigos sobre vinhos brancos e rosados \u2013 vou tratar agora de outras \u00e1reas da Toscana, que em si s\u00f3 abriga distintos e consagrados vinhos. A Toscana se divide em duas amplas \u00e1reas geogr\u00e1ficas: a zona costeira do Mar Tirreno, que se estende da prov\u00edncia de Livorno at\u00e9 o limite regional com o Lazio, e as colinas centrais da Floren\u00e7a e Siena, nas quais se encontram os Chiantis, j\u00e1 abordados. Apresento agora o restante dessa \u00e1rea central da Toscana, priorizando os vinhos que mais chegam ao mercado brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>As colinas centrais t\u00eam forte contribui\u00e7\u00e3o para o renascimento do vinho italiano na d\u00e9cada de 1980, quando v\u00e1rias reformas buscaram valorizar as qualidades dos produtos, em termos de tecnologia e inova\u00e7\u00f5es enol\u00f3gicas, bem como de regulamenta\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do Chianti, que ocupa o centro desta sub-regi\u00e3o, temos mais ao norte, acima de Floren\u00e7a, a pequena DOCG Carmignano, j\u00e1 apontada como zona de vinhos de qualidade desde o s\u00e9culo XVIII e que tinha por tradi\u00e7\u00e3o combinar Cabernet Sauvignon com Sangiovese, antes que isso se tornasse uma pr\u00e1tica comum e ambiciosa, como atualmente. Com solos argilocalc\u00e1rios e pedregosos, seus declives voltados para o sul garantem boa exposi\u00e7\u00e3o solar aos vinhedos, favorecendo a produ\u00e7\u00e3o de tintos potentes com bom potencial de guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>A sudoeste de Floren\u00e7a, temos a DOCG Vernaccia di San Gimignano, talvez a mais antiga produ\u00e7\u00e3o de brancos de qualidade na It\u00e1lia. San Gimignano \u00e9 uma cidade medieval cravada em regi\u00e3o montanhosa, ao redor da qual se encontram os vinhedos da uva branca Vernaccia. Seus vinhos, que eram, em geral, simples, leves e secos, t\u00eam ganhado vers\u00f5es mais sofisticadas e est\u00e3o divididos em tr\u00eas categorias: Annata, Selezione e Riserva. A primeira \u00e9 a mais comum e a segunda pode indicar um vinhedo melhor, um corte especial, contato com as cascas ou fermenta\u00e7\u00e3o\/est\u00e1gio em madeira. A terceira categoria, os Riserva, t\u00eam que obrigatoriamente envelhecer por um ano em carvalho. Os melhores ganham reflexos dourados com a idade, desenvolvendo aromas de am\u00eandoas e frutos secos, acidez vibrante, textura cremosa e consistente, com notas salinas em boca e leve amargor final.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais a sul, depois de Siena e logo abaixo da \u00faltima regi\u00e3o demarcada para os Chiantis, temos a mais consagrada produ\u00e7\u00e3o da Toscana, a DOCG Brunello di Montalcino. Como \u00e9 muito usual na It\u00e1lia, as denomina\u00e7\u00f5es tendem a levar o nome da uva associado \u00e0s comunas em que se encontram. Assim, o vinho Brunello \u00e9 feito da uva Sangiovese Grosso, localmente chamada de Brunello, e produzida no entorno da cidade de Montalcino. O clone da Sangiovese foi selecionado e aprimorado pelo viticultor Ferruccio Biondi Santi no s\u00e9culo XIX para gerar vinhos encorpados de guarda prolongada. Assim nasceu o Brunello e a vin\u00edcola Biondi Santi, da fam\u00edlia Santi, era a \u00fanica a produzir Brunellos di Montalcino at\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, quando a \u00e1rea de cultivo foi ampliada, reformada e explorada por novos investimentos. Mesmo assim, este segue sendo um Brunello di Montalcino extraordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brunello di Montalcino deve resultar de 100% de Sangiovese para obten\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o DOCG. A regi\u00e3o permite um amadurecimento longo e otimizado da cepa e, impl\u00edcito \u00e0s regras para elabora\u00e7\u00e3o do vinho, est\u00e1 a exig\u00eancia de um tempo m\u00ednimo de cinco anos de matura\u00e7\u00e3o na vin\u00edcola, dois dos quais em carvalho. Como resultado, temos um vinho de bouquet e sabores intensos e complexos, dentre os quais a cereja negra, ameixa e especiarias. Dependendo do produtor, os pre\u00e7os dos Brunellos podem ser muito \u201csalgados\u201d e a\u00ed h\u00e1 de se considerar a hip\u00f3tese de beber o seu irm\u00e3o mais jovem: o Rosso di Montalcino, cujos vinhos se originam dos mesmos vinhedos, s\u00e3o 100% Sangiovese Grosso, mas com menor restri\u00e7\u00e3o a rendimentos e menor tempo de passagem por carvalho e pr\u00e9-matura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda abaixo de Montalcino, indo mais a leste, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Umbria, temos a DOCG Vino Nobile di Montepulciano, de vinhedos pr\u00f3ximos da cidade de Montepulciano \u2013 nome que gera confus\u00e3o, j\u00e1 que corresponde ao nome de uma cepa que d\u00e1 origem a muitos vinhos da regi\u00e3o Central da It\u00e1lia (DOCs Abruzzo, Marche, Molise), mas n\u00e3o na Toscana. O Vino Nobile di Montepulciano \u00e9 feito com cortes de uvas, nos quais predominam a Sangiovese, chamada localmente de Prugnolo, plantadas em colinas da regi\u00e3o montanhosa de Montepulciano. S\u00e3o vinhos encorpados, de aromas e sabores intensos. Nas vinifica\u00e7\u00f5es podem ser usadas tamb\u00e9m a Cabernet Sauvignon e a Canaiolo Nero. Na regi\u00e3o, faz-se tamb\u00e9m um segundo vinho menos potente e de pre\u00e7o mais acess\u00edvel, que \u00e9 o Rosso di Montepulciano, seguindo o modelo do Rosso di Montalcino.<\/p>\n\n\n\n<p>As uvas brancas Trebbiano e Malvasia tamb\u00e9m s\u00e3o permitidas para elabora\u00e7\u00e3o de vinhos doces em Montepulciano e em outras \u00e1reas da Toscana. S\u00e3o elas as mais utilizadas para dar origem ao famoso licoroso Vin Santo, largamente comercializado junto ao mercado tur\u00edstico toscano, acompanhado de biscoitos duros, chamados de Cantucci, que devem ser embebidos no Vin Santo. Existem mais de 10 DOCs dedicadas a este vinho e boa parte delas se encontra na Toscana. Ele \u00e9 feito de uvas secas (passito) e prensadas ap\u00f3s a colheita e seu mosto fermenta lentamente em pequenos barris de madeira, chamados Caratelli, por per\u00edodo m\u00ednimo de tr\u00eas anos. Em fun\u00e7\u00e3o dessa lenta oxida\u00e7\u00e3o, ele ganha uma tonalidade \u00e2mbar. H\u00e1 um Vin Santo feito da Sangiovese, de cor ros\u00e9, chamado de Occhio di Pernice.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo artigo, sigo com a Toscana, em sua por\u00e7\u00e3o costeira.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 inscri\u00e7\u00f5es abertas para os cursos da Cafa Formations, que ministro no Brasil. A Cafa \u00e9 uma escola tradicional de forma\u00e7\u00e3o em Vinhos e Gastronomia, sediada em Bordeaux. H\u00e1 turmas abertas para Rio, Juiz de Fora, S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. Mais infs pelo Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>@miriamaguiar.vinhos<\/u><\/a> , site <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>miriamaguiar.com.br<\/u><\/a> \/ e-mail: <a href=\"mailto:maguiarvinhos@gmail.com?subject=CAFA%20Formations\">maguiarvinhos@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Local tem forte contribui\u00e7\u00e3o para o renascimento do vinho italiano na d\u00e9cada de 1980. 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