{"id":70,"date":"2020-03-06T18:39:25","date_gmt":"2020-03-06T18:39:25","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=70"},"modified":"2021-02-28T21:53:40","modified_gmt":"2021-02-28T21:53:40","slug":"a-cobicada-e-cara-inovacao-da-nobre-costa-supertoscana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-cobicada-e-cara-inovacao-da-nobre-costa-supertoscana\/","title":{"rendered":"A cobi\u00e7ada e cara inova\u00e7\u00e3o da nobre Costa Supertoscana"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Busca por um estilo mais internacional ganhou adeptos n\u00e3o apenas pela inclus\u00e3o de uvas bordalesas, mas pelo uso de barricas diferenciadas.<\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns dias, rodou nas redes sociais um post que dizia que o vinho italiano transmitia o coronav\u00edrus e que, em decorr\u00eancia disso, algumas p\u00e9rolas estavam sendo descartadas. A brincadeira sugeria que os vinhos fossem entregues em nossas casas, a despeito dos cont\u00e1gios. A Toscana, Piemonte, Veneto s\u00e3o objetos de desejo de quaisquer amantes de vinhos bem informados. Apesar dos controversos indicadores de qualidade que figuram no universo vitivin\u00edcola italiano, n\u00e3o h\u00e1 como negar o fasc\u00ednio que os seus vinhos podem despertar, frutos da multiplicidade de variedades de uvas, solos, climas, topografias e paisagens que trazem em si mesmas uma rica e vasta heran\u00e7a cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>A Toscana \u00e9 uma dessas regi\u00f5es que por si s\u00f3 apresenta uma ampla variedade de tipos de vinhos, sendo que boa parte deles com reconhecida qualidade. Falamos das Colinas Centrais que trazem os vinhos que mais dizem da identidade toscana, e agora \u00e9 a vez da Zona Costeira do Mar Tirreno, que fica a sudoeste da Toscana e \u00e9 denominada Maremma, englobando as prov\u00edncias de Pisa, Livorno, Grosseto e Viterbo. Para o vinho, considero aqui, especialmente, as regi\u00f5es costeiras de Livorno e Grosseto, que receberam muitos investimentos a partir da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>A sul de Livorno, pr\u00f3xima da costa, est\u00e1 Bolgheri, conhecida pela produ\u00e7\u00e3o de vinhos ros\u00e9s at\u00e9 se consagrar como a terra dos \u201cSupertoscanos\u201d, vinhos que rivalizam em valor e qualidade com outros vinhos prestigiados da Toscana e que t\u00eam por caracter\u00edstica a utiliza\u00e7\u00e3o de castas n\u00e3o aut\u00f3ctones em seus cortes. Os protagonistas dessa inova\u00e7\u00e3o que, de certa maneira, inspiraram a produ\u00e7\u00e3o desses grandes vinhos, foram membros das fam\u00edlias Antinori e Incisa della Rocchetta, com a cria\u00e7\u00e3o do aclamado Sassicaia, em 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do Sassicaia come\u00e7a em torno de 1940, quando o aristocrata Marqu\u00eas Mario Incisa della Rocchetta plantou algumas mudas de Cabernet Sauvignon trazidas do Chateau Lafite Rothschild, de Bordeaux, num vinhedo da Tenuta San Guido, em Bolgheri, chamado Sassicaia. A primeira safra foi em 1942, feita para consumo interno, e a comercializa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1968, incentivada por Piero Antinori, sobrinho de Mario Rocchetta e que faria o pr\u00f3ximo Supertoscano. Embora a cria\u00e7\u00e3o dos Supertoscanos seja atribu\u00edda ora aos Antinori ora aos Rocchetta, quem esteve a cargo dessas produ\u00e7\u00f5es foi o en\u00f3logo italiano Giacomo Tachis, falecido em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos anos 1970, a busca por um estilo mais internacional ganhou adeptos n\u00e3o apenas pela inclus\u00e3o de uvas bordalesas, mas pelo uso de barricas de tipos, tamanhos e tempos diferenciados. Assim, aprimorou-se n\u00e3o s\u00f3 o Sassicaia, mas surgiram o Tignanello, em 1970, criado por Piero Antinori, com 80% de Sangiovese e 20% de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc; e o Solaia, em 1978, invertendo as propor\u00e7\u00f5es de Sangiovese e Cabernets do Tignanello. A consagra\u00e7\u00e3o internacional veio em 1978, numa degusta\u00e7\u00e3o em Londres, na qual o Sassicaia foi eleito um dos melhores Cabernet Sauvignons do mundo. Acredita-se que a express\u00e3o \u201cSupertuscan\u201d foi proferida pela primeira vez pelo cr\u00edtico norte-americano James Suckling, editor da revista especializada <em>The Wine Spectator<\/em> na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito da grande consagra\u00e7\u00e3o internacional, ao lado dos vinhos de Bordeaux, do Napa Valley (entre outros que t\u00eam a Cabernet Sauvignon como estrela), os Supertoscanos n\u00e3o foram autorizados a usarem os reconhecimentos DOC(G) em seus r\u00f3tulos, j\u00e1 que fugiam do perfil identit\u00e1rio da Toscana. At\u00e9 meados de 1990, esses vinhos eram rotulados como Vino di Tavola ou IGT, quando as regras foram alteradas e acolheram algumas inova\u00e7\u00f5es. Hoje, muitos deles s\u00e3o rotulados como DOC Bolgheri, e o Sassicaia, considerado por muitos como o melhor vinho italiano, ganhou uma DOC pr\u00f3pria, a Bolgheri Sassicaia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Supertoscanos consagrados est\u00e3o entre os vinhos mais caros da It\u00e1lia. Conquistaram adeptos no mundo todo, mas tamb\u00e9m receberam cr\u00edticas, como as do document\u00e1rio Mondovino, produzido pelo jornalista Jonathan Nossiter em 2004, onde denuncia-se a perda da tipicidade resultante do processo de globaliza\u00e7\u00e3o e a mafiosa associa\u00e7\u00e3o entre grandes capitais produtivos, en\u00f3logos, cr\u00edticos e publica\u00e7\u00f5es especializadas, que deixam pouco espa\u00e7o \u00e0 sobreviv\u00eancia dos pequenos produtores de vinhos de terroir.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, fam\u00edlias fiorentincas, como Frescobaldi, Antinori t\u00eam suficientes recursos para criarem alian\u00e7as que permitem a consagra\u00e7\u00e3o de seus vinhos num mercado globalizado, cuja visibilidade \u00e9 mais f\u00e1cil e conta com a for\u00e7a do marketing especializado. Outros projetos ambiciosos proliferam, e a essa altura a DOCG \u00e9 s\u00f3 um detalhe. Como comenta a cr\u00edtica de vinhos Jancis Robinson, \u201cmuitas dessas vin\u00edcolas s\u00e3o hobbies de homens ricos, constru\u00eddas com todos os recursos modernos que o dinheiro pode comprar e desenhadas para produzirem vinhos de estatura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Antinori se tornaram imperialistas, como os grandes produtores e negociantes de Bordeaux, contando hoje com: o Castello della Sala na Umbria, produtor do grande vinho branco \u201cCervaro della Sala\u201d; a Tenuta Guado al Tasso, em Bolgheri, produtora de brancos, ros\u00e9s e tintos da nova gera\u00e7\u00e3o ao estilo bordal\u00eas; as vin\u00edcolas Badia a Passignano, Peppoli (Chianti), Pian delle Vigne (Montalcino), e La Braccesca (Montepulciano); a Prunotto, produtora de Barolos no Piemonte; a Tormaresca, na Puglia, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da regi\u00e3o de Bolgheri, h\u00e1 muitas novidades em \u00e1reas pr\u00f3ximas da regi\u00e3o costeira e nas colinas internas da prov\u00edncia de Grosseto. Ali se faz vinhos premium, com estilo mais moderno e produ\u00e7\u00e3o em quantidade comercial relevante. Morelino di Scansano \u00e9 a DOC tradicional, cujos vinhos s\u00e3o feitos de uma Sangiovese mais d\u00f3cil, que requer menos tempo de matura\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 proximidade costeira. Val di Cornia segue o estilo mais tradicional, com vinhos de maior acidez e potencial de guarda, cortados com Cabernet Sauvignon e Merlot. Monteregio di Massa Marittima \u00e9 uma DOC mais recente de vinhedos localizados ao norte de Grosseto, que produz Sangiovese varietal ou em cortes com as uvas bordalesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para participar dos cursos de vinhos ministrados por Miriam Aguiar: Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a>, site <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a>, email <a href=\"mailto:maguiarvinhos@gmail.com?subject=vinho%20etc.\">maguiarvinhos@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Busca por um estilo mais internacional ganhou adeptos n\u00e3o apenas pela inclus\u00e3o de uvas bordalesas, mas pelo uso de barricas diferenciadas. H\u00e1 alguns dias, rodou nas redes sociais um post [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":600,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[33,65,75,76,77,78,130,135,137,169,185,225,237,243,253],"class_list":["post-70","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil","tag-bordalesas","tag-cobicada","tag-coronavirus","tag-costa","tag-covid","tag-covid-19","tag-inovacao","tag-italia","tag-italy","tag-nobre","tag-piemonte","tag-supertoscana","tag-toscana","tag-uvas-bordalesas","tag-veneto"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-scaled.jpg",1992,2560,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-233x300.jpg",233,300,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-768x987.jpg",768,987,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-797x1024.jpg",797,1024,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-1195x1536.jpg",1195,1536,true],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-1594x2048.jpg",1594,2048,true],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-100x75.jpg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-370x259.jpg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-570x399.jpg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-770x482.jpg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/alessio-patron-E5jsS9yMQ7I-unsplash-1170x480.jpg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"M\u00edriam Aguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/adm_miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Busca por um estilo mais internacional ganhou adeptos n\u00e3o apenas pela inclus\u00e3o de uvas bordalesas, mas pelo uso de barricas diferenciadas. H\u00e1 alguns dias, rodou nas redes sociais um post [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":601,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70\/revisions\/601"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/600"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}