{"id":64,"date":"2020-04-03T15:12:49","date_gmt":"2020-04-03T15:12:49","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=64"},"modified":"2021-02-28T21:49:38","modified_gmt":"2021-02-28T21:49:38","slug":"vinicultura-uruguaia-promete-bons-vinhos-em-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/vinicultura-uruguaia-promete-bons-vinhos-em-2020\/","title":{"rendered":"Vinicultura uruguaia promete bons vinhos em 2020"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ali a Tannat consegue resistir \u00e0 umidade e alcan\u00e7ar sua melhor matura\u00e7\u00e3o sem dificuldades.<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s compartilhar a experi\u00eancia da minha curta viagem ao Uruguai, diante do p\u00e2nico do coronav\u00edrus, agora \u00e9 a vez de falar um pouco sobre o que pude perceber e apreciar nesta passagem. O Uruguai fica logo ao sul do Brasil, fazendo fronteira com o Rio Grande do Sul e, contrariamente ao nosso gigantesco continente, \u00e9 o segundo menor pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 3,5 milh\u00f5es de habitantes, pouco mais do que temos em algumas capitais brasileiras. Sua posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na faixa latitudinal considerada a mais apropriada para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos \u2013 entre os paralelos entre 30\u00ba e 35\u00ba Sul \u2013, alinhado com regi\u00f5es produtivas do Chile e da Argentina, mas com perfil mais temperado, em fun\u00e7\u00e3o da grande presen\u00e7a de \u00e1guas em seu entorno: Bacia Platina e Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe cultivo vitivin\u00edcola em 15 dos 19 departamentos do pa\u00eds, mas boa parte das vin\u00edcolas mais expressivas se encontram nestas cinco regi\u00f5es: Canelones, Montevideo, Col\u00f4nia, Maldonado e San Jos\u00e9. Todas ao sul, pr\u00f3ximas \u00e0 costa, tendo em sua ponta oeste a hist\u00f3rica cidade Colonia de Sacramento e a leste o badalado balne\u00e1rio Punta del Leste. A vinicultura remonta a meados do s\u00e9culo XVII, introduzida pelos colonizadores espanh\u00f3is, mas foi no s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s sua independ\u00eancia, que a atividade evoluiu, especialmente ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o de mudas da cepa Tannat pelo imigrante basco Don Pascual Harriague. A variedade se adaptou muito bem \u00e0 regi\u00e3o e se tornou um diferencial qualitativo para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos uruguaia, uma vez que a Tannat, em sua origem, mais precisamente na regi\u00e3o de Madiran, Fran\u00e7a, era associada a vinhos duros, muito t\u00e2nicos, diferentemente das vers\u00f5es uruguaias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que Tannat? O clima uruguaio \u00e9 marcadamente \u00famido, em fun\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia mar\u00edtima, e isso pode dificultar bastante a adapta\u00e7\u00e3o de algumas cepas, seja pela perda de qualidade, resultante do alto rendimento que o clima mais \u00famido provoca, seja pela maior vulnerabilidade a doen\u00e7as. Cepas que requerem esta\u00e7\u00f5es quentes e secas longas para amadurecimento podem sofrer com a insola\u00e7\u00e3o insuficiente, gerando vinhos herb\u00e1ceos e de baixa concentra\u00e7\u00e3o. No entanto, ali a Tannat consegue resistir \u00e0 umidade e alcan\u00e7ar sua melhor matura\u00e7\u00e3o sem dificuldades, como revela Carlos Pizzorno, propriet\u00e1rio da Pizzorno Family Estates: \u201c\u00c9 uma cepa que consegue sobreviver bem ao clima \u00famido do Uruguai; ela resiste bem \u00e0s chuvas e, se h\u00e1 um controle do rendimento, ela consegue trazer boa qualidade. A Malbec, por exemplo, tem bagos grandes e em clima chuvoso fica muito produtiva e pouco concentrada. \u00c9 necess\u00e1rio \u00e0s vezes desidrat\u00e1-la por uma semana, para concentrar sabor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Reinaldo de Lucca, um dos mais respeitados en\u00f3logos uruguaios, propriet\u00e1rio da Bodega de Lucca, em Canelones, ressalta que a adapta\u00e7\u00e3o exemplar se d\u00e1 na parte meridional do pa\u00eds: \u201cTannat de Madiran d\u00e1 um vinho mais duro, por causa do clima. No Sul do Uruguai \u00e9 mais quente, mas h\u00e1 um vento sudeste que favorece o seu amadurecimento lento, al\u00e9m da alta luminosidade de Canelones \u2013 quanto mais se aproxima do Equador, menor a luminosidade. As regi\u00f5es do norte uruguaio fazem bons tannats, mas \u00e9 dif\u00edcil fazer um vinho de guarda, porque o clima \u00e9 mais quente e menos temperado \u2013 o vinho \u00e9 para consumo mais jovem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Interessava-me tamb\u00e9m saber sobre o que eles v\u00eam fazendo al\u00e9m do Tannat. J\u00e1 em visita anterior, pude verificar uma boa adapta\u00e7\u00e3o de uvas brancas ao pa\u00eds, bem justificado pelo clima temperado. N\u00e3o \u00e9 o mais usual, mas h\u00e1 investimentos nesse sentido, especialmente em vinhos varietais da Sauvignon Blanc, da Albari\u00f1o, (que est\u00e3o na moda neste momento), da Viognier e da Chardonnay. O Sauvignon Blanc da Pizzorno j\u00e1 era muito bom quando a visitei em 2013. A Bodega De Lucca faz um vinho muito interessante e gastron\u00f4mico da uva Marsanne, raramente vinificada fora do Vale do Rh\u00f4ne, na Fran\u00e7a. E a Pisano Artesania en Vi\u00f1os, que tamb\u00e9m pude revisitar, me apresentou um Torront\u00e9s que deixa muitos argentinos para tr\u00e1s. A cepa chegou \u00e0 sua bodega em 1980, trazida da regi\u00e3o argentina de La Rioja.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos tintos, gostei especialmente dos vinhos de corte bordal\u00eas da Pizzorno, me surpreendi com um delicioso Pinot Noir da Pisano, bem como com a justa eleg\u00e2ncia e concentra\u00e7\u00e3o dos seus Tannats de v\u00e1rias categorias, que pude degustar em companhia do propriet\u00e1rio, Daniel Pisano. O Merlot da Bodega Alto de la Ballena \u00e9 certamente um dos vinhos de melhor pre\u00e7o\/qualidade do Uruguai, uva que assina tamb\u00e9m um grande vinho da Bracco Bosca, o Gran Omb\u00fa Merlot. Estive na Bodega De Lucca, e eles me receberam, a despeito de estarem ocupados em plena vindima. Trouxe na mala o Aglianico De Lucca, variedade do sul da It\u00e1lia produzida por esta vin\u00edcola familiar, al\u00e9m da siciliana Nero d\u2019Avola e de outras castas francesas. Este ano, eles v\u00e3o lan\u00e7ar tamb\u00e9m um Tannat sem sulfito, feito com leveduras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, h\u00e1 uma presen\u00e7a crescente das uvas bordalesas no mercado \u2013 Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot \u2013 al\u00e9m da onipresente Tannat. Grande expectativa pela safra de 2020! Segundo Carlos Pizzorno, esta \u00e9 a melhor safra em 40 anos, pois pouco choveu, e as uvas alcan\u00e7am suas maturidades com 100% de sanidade. At\u00e9 uvas que t\u00eam dificuldade de chegar \u00e0 cantina sem toques herb\u00e1ceos, como a Cabernet Sauvignon, prometem vinhos gulosos em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Para participar dos cursos de vinhos ministrados por M\u00edriam Aguiar: Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>@miriamaguiar.vinhos<\/u><\/a>, site <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a> e e-mail: <a href=\"mailto:maguiarvinhos@gmail.com?subject=coluna%20vinho%20etc.\">maguiarvinhos@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ali a Tannat consegue resistir \u00e0 umidade e alcan\u00e7ar sua melhor matura\u00e7\u00e3o sem dificuldades. 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