{"id":624,"date":"2021-03-05T03:30:00","date_gmt":"2021-03-05T03:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=624"},"modified":"2021-03-06T22:09:38","modified_gmt":"2021-03-06T22:09:38","slug":"da-franca-para-o-mundo-a-sauvignon-em-multiplas-versoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/da-franca-para-o-mundo-a-sauvignon-em-multiplas-versoes\/","title":{"rendered":"Da Fran\u00e7a para o mundo: a Sauvignon em m\u00faltiplas vers\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>O Novo Mundo do Vinho apostou na segmenta\u00e7\u00e3o dos vinhos por variedade e isso de certo modo mais universaliza um estilo de vinhos do que o modelo da Denomina\u00e7\u00e3o de Origem, que os particulariza. Se essa op\u00e7\u00e3o tem suas justifica\u00e7\u00f5es mercadol\u00f3gicas, ela tamb\u00e9m nos fala de uma vitivinicultura pouco madura, pois, aos poucos, como veremos, as novas regi\u00f5es v\u00e3o criando um repert\u00f3rio pr\u00f3prio, advindo de suas caracter\u00edsticas naturais e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a Sauvignon Blanc passou a ser trabalhada para vinhos varietais no Novo Mundo, ela fazia parte de um grupo de cepas com alta credibilidade internacional. Dois modelos principais, apresentados nos artigos anteriores, serviam de inspira\u00e7\u00e3o: a Sauvignon do Vale do Loire e a de Bordeaux. A primeira, resultante de climas mais frios, resulta em vinhos frescos, de perfil mais leve, com alta acidez, aromas herb\u00e1ceos, florais e minerais. A segunda, oriunda de clima mais caloroso, d\u00e1 um vinho de estilo mais frutado e corpulento, envolvendo, em alguns casos, passagem por madeira. Pois bem, podemos dizer que o Novo Mundo \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o desses perfis em ambientes com alguns elementos semelhantes, com direito \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es culturais e inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos EUA, a partir do final dos anos 1960, o famoso produtor Robert Mondavi e outros californianos come\u00e7aram a reproduzir na \u201cAm\u00e9rica\u201d o modelo franc\u00eas em vinhos varietais da Cabernet Sauvignon e Chardonnay, com sucesso. O vinho da Sauvignon Blanc, com sua acidez viva, obteve um estranhamento dos novos consumidores, acostumados ao paladar a\u00e7ucarado da ind\u00fastria alimentar moderna. Isso levou \u00e0 \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d de um estilo de Sauvignon que se aproximava, por um lado, do perfil mais caloroso de Bordeaux, e, de outro, dos brancos amanteigados da Chardonnay. Apelidaram esse vinho de Fum\u00e9 Blanc que, ao mesmo tempo, remetia ao franc\u00eas mais \u201cchique\u201d da Sauvignon Blanc \u2013 o Pouilly-Fum\u00e9, cujo perfil \u00e1cido e mineral estaria exatamente oposto ao que se propunha ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa estrat\u00e9gia de marketing \u2013 a contradi\u00e7\u00e3o entre os defumados da barrica e os da mineralidade n\u00e3o provocou estranhamento no p\u00fablico norte-americano, que se afei\u00e7oou ao Fum\u00e9 Blanc. Com o passar do tempo, esse estilo se refinou; o Fum\u00e9 Blanc ficou mais elegante e a vers\u00e3o mais fresca da Sauvignon ganhou seu lugar na regi\u00e3o de Oregon, noroeste dos EUA, e em partes mais frescas da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois, outra regi\u00e3o do Novo Mundo adotou o modelo do Loire com muito \u00eaxito: a Nova Zel\u00e2ndia. O clima frio, com forte influ\u00eancia mar\u00edtima, associado a altos \u00edndices de luminosidade tornou a Sauvignon fresca, acidulante, mas ao mesmo tempo aromaticamente explosiva. O car\u00e1ter c\u00edtrico mais discreto do hemisf\u00e9rio norte ganhou sensualidade, revelando uma gama atraente de frutas tropicais (maracuj\u00e1, manga, goiaba, mel\u00e3o) e notas herb\u00e1ceas fragrantes. A Nova Zel\u00e2ndia virou uma refer\u00eancia em Sauvignons e estimulou mudan\u00e7as em outras regi\u00f5es.<br>O Chile que, historicamente, j\u00e1 plantava a Sauvignon em seus Vales Centrais de clima mediterr\u00e2nico \u2013 fazendo vinhos mais calorosos e menos arom\u00e1ticos \u2013, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o da vitivinicultura nos anos 1990, come\u00e7ou a buscar territ\u00f3rios mais pr\u00f3ximos do mar para aclimat\u00e1-las (Casablanca, Itata, B\u00edo-B\u00edo, Leyda, San Antonio, Elqu\u00ed e Limar\u00ed).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-626\" srcset=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20-324x182.jpeg 324w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20-416x234.jpeg 416w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.03.20.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na \u00c1frica do Sul n\u00e3o foi diferente. Ap\u00f3s o per\u00edodo dif\u00edcil do Apartheid, a renova\u00e7\u00e3o de uma das vitiviniculturas mais precocemente desenvolvidas do Novo Mundo levou \u00e0s busca de melhores clones da Sauvignon Blanc e o deslocamento das produ\u00e7\u00f5es rumo \u00e0s regi\u00f5es com maior influ\u00eancia mar\u00edtima. Stellenbosch tinha produ\u00e7\u00f5es de vinhos Sauvignon Blanc de clima quente e agora as regi\u00f5es que se destacam s\u00e3o Elgin, Walker Bay e Cape Point.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois casos, Chile e \u00c1frica do Sul, h\u00e1 um entendimento de que os vinhos, embora busquem o car\u00e1ter mais fresco da Sauvignon, trazem uma fruta mais discreta, com certa finesse que colocam os vinhos entre o perfil neozeland\u00eas e o franc\u00eas. Mas, na pr\u00f3pria Nova Zel\u00e2ndia, h\u00e1 diferen\u00e7as entre os vinhos da Ilha do Sul e da Ilha do Norte \u2013 esta, de clima mais quente, estaria a meio caminho entre o Fum\u00e9 Blanc e os Sauvignons bordaleses.<\/p>\n\n\n\n<p>Inscri\u00e7\u00f5es abertas para o PASSAPORTE 1 CAFA BORDEAUX ONLINE. Saiba mais:&nbsp;<a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\">http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog<\/a>&nbsp;\u2013 INSTAGRAM: @miriamaguiar.vinhos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Novo Mundo do Vinho apostou na segmenta\u00e7\u00e3o dos vinhos por variedade e isso de certo modo mais universaliza um estilo de vinhos do que o modelo da Denomina\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":625,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[275,246,276],"class_list":["post-624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-novo-mundo","tag-vale-do-loire","tag-vitinicultura"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15.jpeg",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-300x169.jpeg",300,169,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-768x432.jpeg",768,432,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-1024x576.jpeg",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15.jpeg",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15.jpeg",1280,720,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-100x75.jpeg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-370x259.jpeg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-570x399.jpeg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-770x482.jpeg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-05-at-16.01.15-1170x480.jpeg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":4,"uagb_excerpt":"O Novo Mundo do Vinho apostou na segmenta\u00e7\u00e3o dos vinhos por variedade e isso de certo modo mais universaliza um estilo de vinhos do que o modelo da Denomina\u00e7\u00e3o de [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=624"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":627,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/624\/revisions\/627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}