{"id":58,"date":"2020-05-04T14:42:27","date_gmt":"2020-05-04T14:42:27","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=58"},"modified":"2021-02-28T21:41:11","modified_gmt":"2021-02-28T21:41:11","slug":"diferencas-entre-denominacoes-de-origem-e-marcas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/diferencas-entre-denominacoes-de-origem-e-marcas\/","title":{"rendered":"Diferen\u00e7as entre denomina\u00e7\u00f5es de origem e marcas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00edmbolo e produto e tudo o mais que est\u00e1 associado a ambos se fundem.<\/h2>\n\n\n\n<p>Como no \u00faltimo artigo, falamos sobre a praga da <em>Phyloxera vastatrix <\/em>no mundo do vinho fino (feito de uvas vin\u00edferas), fazendo certas analogias com o momento atual, decidi continuar com um tema importante, em parte tamb\u00e9m relacionado com os impactos desta praga em algumas regi\u00f5es. Vou falar sobre a cria\u00e7\u00e3o das Denomina\u00e7\u00f5es de Origem, especialmente presentes no mercado agroalimentar como um sinalizador de qualidade, embora ainda pouco compreendido pelo consumidor brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como eu disse no \u00faltimo artigo, a Filoxera chegou num momento de gl\u00f3ria para algumas regi\u00f5es produtoras que abasteciam o mercado de alta qualidade. Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o cen\u00e1rio era outro, com evidentes impactos impostos pela devasta\u00e7\u00e3o dos vinhedos, dentre eles, um fen\u00f4meno, recorrente no mundo do vinho, impulsionado pela escassez de alguns produtos: a falsifica\u00e7\u00e3o de vinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pr\u00e1tica oportunista sempre ocorreu e acabou contribuindo para a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos de regulamenta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da qualidade dos vinhos. Assim nasceu o sistema franc\u00eas de Appellation d\u2019Origine Contr\u00f4ll\u00e9e (AOC), inaugurado pelo mundo do vinho e, posteriormente, estendido aos demais campos agroalimentares franceses, bem como hoje adotado em grande parte da Uni\u00e3o Europeia e em processo de implementa\u00e7\u00e3o mundial. Na verdade, o sistema franc\u00eas aprimorou o modelo da primeira demarca\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o regional, sancionada no Douro, Portugal, pelo Marqu\u00eas de Pombal em 1756, para proteger os vinhos do Porto. O conceito que fundamenta os sistemas de D.O.s \u00e9 chamado de Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um sistema que legitima e institucionaliza certo tipo de produ\u00e7\u00e3o como uma pr\u00e1tica cultural vinculada a uma origem. A partir de um levantamento de um grande n\u00famero de elementos que caracterizam aquela produ\u00e7\u00e3o (limites geogr\u00e1ficos, aspectos geol\u00f3gicos, mat\u00e9ria prima, m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o e perfil organol\u00e9ptico), s\u00e3o criados os Regulamentos de Uso, que servem de refer\u00eancia para a valida\u00e7\u00e3o coletiva e reconhecimento dos vinhos como sendo representativos de uma Denomina\u00e7\u00e3o de Origem. Apesar de servir como um instrumento de promo\u00e7\u00e3o do produto, que lhe confere mais import\u00e2ncia e credibilidade no mercado, inclusive para praticar pre\u00e7os superiores, o signo da D.O., simbolicamente falando, faz um caminho de certo modo oposto ao das marcas.<\/p>\n\n\n\n<p>As marcas mercadol\u00f3gicas, registradas como identidades visuais e simb\u00f3licas das empresas, produtos, servi\u00e7os e institui\u00e7\u00f5es, buscam sintetizar uma proposta comercial pela associa\u00e7\u00e3o de valores a uma imagem, um s\u00edmbolo. Desde que n\u00e3o exista um registro similar, voc\u00ea pode dar nome de algum lugar para uma empresa que nada tenha a ver com este nome no passado e simplesmente fazer um trabalho de comunica\u00e7\u00e3o, de modo a construir no imagin\u00e1rio do p\u00fablico a rela\u00e7\u00e3o entre o nome e o que a empresa faz.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o trabalho de associa\u00e7\u00e3o que se constr\u00f3i pelas Denomina\u00e7\u00f5es de Origem parte de uma rela\u00e7\u00e3o preexistente entre um produto j\u00e1 reconhecido como t\u00edpico de uma regi\u00e3o, sem que isso estivesse institucionalizado, e, a partir desse momento, ele incorpora o s\u00edmbolo da regi\u00e3o como parte de si mesmo. O nome da Denomina\u00e7\u00e3o de Origem toma de empr\u00e9stimo o nome da regi\u00e3o, cidade ou vilarejo no qual ele \u00e9 feito. E \u00e9 a\u00ed que se configura uma funda\u00e7\u00e3o mais leg\u00edtima do produto \u2013 j\u00e1 que ele carrega um nome que deve ser referendado pela tradi\u00e7\u00e3o, heran\u00e7a cultural e territ\u00f3rio de origem. N\u00e3o que isso impe\u00e7a os atos falsificadores, mas ele dificulta essa empreitada.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00edmbolo e produto e tudo o mais que est\u00e1 associado a ambos se fundem. Bordeaux n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma cidade, bem como o seu vinho nunca poder\u00e1 ser de outro lugar, mesmo que seja feito com as mesmas uvas, mesmo corte e apresentando caracter\u00edsticas sensoriais semelhantes. Este \u00e9 um tema complexo e pol\u00eamico, at\u00e9 porque o que o conceito sugere nem sempre \u00e9 praticado. No pr\u00f3ximo artigo, vou falar das diferen\u00e7as entre modelos de indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas implementados em diferentes pa\u00edses, o vetor inflacion\u00e1rio de algumas D.O.s, bem como sobre as resist\u00eancias ao uso desses signos portadores de identidade, mas em certa medida muito conservadores para as inova\u00e7\u00f5es do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Participe das aulas online ou presenciais, ministradas por M\u00edriam Aguiar. Siga a sua s\u00e9rie de podcasts (Vinhos etc.) sobre vinhos dispon\u00edvel em 8 plataformas. Instagram: <u><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/u>, e-mail: <a href=\"mailto:maguiarvinhos@gmail.com?subject=Vinho%20Etc.\"><u>maguiarvinhos@gmail.com<\/u><\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edmbolo e produto e tudo o mais que est\u00e1 associado a ambos se fundem. 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