{"id":500,"date":"2021-02-05T17:28:01","date_gmt":"2021-02-05T17:28:01","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=500"},"modified":"2021-03-10T13:49:44","modified_gmt":"2021-03-10T13:49:44","slug":"a-diversidade-dos-vinhos-brancos-do-vale-do-loire-e-suas-majestades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-diversidade-dos-vinhos-brancos-do-vale-do-loire-e-suas-majestades\/","title":{"rendered":"A diversidade dos vinhos brancos do Vale do Loire e suas majestades"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesse artigo, continuamos a abordar os vinhos brancos, melhor pedida para este ver\u00e3o caloroso. Vamos de vinhos franceses novamente, afinal, al\u00e9m de serem refer\u00eancias para o mundo todo \u2013 o que faz com que suas cepas mais famosas tamb\u00e9m estejam em outros pa\u00edses do Velho e do Novo Mundo \u2013 a Fran\u00e7a \u00e9 um pa\u00eds de muitos vinhos brancos, os quais t\u00eam tanta import\u00e2ncia quanto os tintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresento aqui um pouco sobre vinhos brancos do Vale do Loire e, especialmente, do Loire Central. A produ\u00e7\u00e3o do Vale do Loire como um todo \u00e9 bem diversificada \u2013 faz-se vinhos espumantes, brancos, ros\u00e9s, tintos, licorosos e, mais recentemente, laranjas. Um pouco do que justifica essa multiplicidade est\u00e1 em seu perfil cartogr\u00e1fico, bastante horizontalizado, que acompanha o percurso do Rio Loire desde o centro-norte da Fran\u00e7a at\u00e9 o litoral atl\u00e2ntico. Isso resulta em uma varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica entre suas sub-regi\u00f5es, mas, de qualquer modo, o Vale do Loire est\u00e1 numa faixa latitudinal (em torno 47\u00ba N) onde predominam vinhos brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o central do Vale do Loire acentua esse perfil setentrional, porque \u00e9 onde o clima deixa de ter importante influ\u00eancia oce\u00e2nica e se torna mais continental. Isto \u00e9, quando se est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da faixa litor\u00e2nea, o clima se torna mais ameno e, ao contr\u00e1rio, no interior do continente, as esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais marcadas e o inverno \u00e9 mais rigoroso, com risco de geadas, que podem complicar o in\u00edcio do ciclo da uva. H\u00e1 tr\u00eas cepas brancas principais no Vale do Loire: a Muscadet, que \u00e9 dominante na \u00e1rea pr\u00f3xima ao Atl\u00e2ntico, com um perfil de vinho bem seco e mineral, a Chenin Blanc, que se faz presente \u00e0 medida que caminhamos na dire\u00e7\u00e3o leste, numa faixa mais intermedi\u00e1ria, e a Sauvignon Blanc, presente no segmento mais oriental \u2013 a partir da cidade de Tours at\u00e9 o Centro Loire.<\/p>\n\n\n\n<p>A Chenin Blanc \u00e9 uma preciosidade, mais presente, mundialmente, no Vale do Loire e na \u00c1frica do Sul. H\u00e1 um crescente uso dela mais ao sul da Fran\u00e7a e experimenta\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses, mas ainda aqu\u00e9m da m\u00faltipla riqueza que ela fornece aos vinhos do Loire: espumantes, brancos secos e licorosos. Divide o protagonismo qualitativo com a Sauvignon Blanc, com uma divis\u00e3o territorial que n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria, pelo contr\u00e1rio, tem a ver com a melhor adapta\u00e7\u00e3o das cepas. A Chenin Blanc \u00e9 uma cepa de brota\u00e7\u00e3o precoce e o rigor continental pode amea\u00e7ar o seu crescimento vegetativo no Centro Loire. \u00c9 justo ali que a Sauvignon Blanc, que brota um pouco mais tarde, achou o seu melhor terroir.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-705\" srcset=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-scaled-324x243.jpg 324w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-scaled-416x312.jpg 416w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-domaine-du-nozay-a-sancerre-sous-la-neige-29-d-1536x1152.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Existem cidades nucleares, mais identificadas com as sub-regi\u00f5es: Nantes (Pays Nantais), Angers, Saumur (Anjou-Saumur), Tours (Touraine) e a regi\u00e3o Central, a sudeste de Orleans e cerca de 200km de Paris. Quando chegamos \u00e0 regi\u00e3o central, a Sauvignon Blanc ser\u00e1 mais dominante e consagrada em duas AOCs, que tiveram a introdu\u00e7\u00e3o da casta intensificada ap\u00f3s a crise da Filoxera: Pouilly-Fum\u00e9 e Sancerre. Essas duas AOCs provavelmente t\u00eam mais fama internacional do que o Loire inteiro e isso n\u00e3o faz jus \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o e diversidade, mas, de fato, h\u00e1 vinhos de enorme qualidade que consagraram esses vinhedos como os preferidos da Sauvignon Blanc.<\/p>\n\n\n\n<p>Os vinhedos da AOC Pouilly Fum\u00e9 ficam em encostas suaves \u00e0 margem direita do Rio Loire, no seu sentido rumo \u00e0 costa oeste. O adjetivo \u201cfum\u00e9\u201d se refere a dois aspectos: a uma pel\u00edcula cor de fuma\u00e7a que cobre as uvas no per\u00edodo de sua matura\u00e7\u00e3o e ao car\u00e1ter defumado dos vinhos feitos de uvas cultivadas em solos de argila e s\u00edlex desta AOC. A mineralidade do solo favorece o desenvolvimento de certos precursores arom\u00e1ticos da Sauvignon, enriquecendo os sabores deste vinho branco.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os vinhedos de Sancerre ficam \u00e0 margem esquerda do Loire, em solos de cascalho e calc\u00e1rio, que aportam ao vinho uma express\u00e3o majestosa, resultando em Sauvignon\u2019s vibrantes, arom\u00e1ticos e minerais. Nessa \u00e1rea mais centro-norte do pa\u00eds \u00e9 a tinta Pinot Noir que come\u00e7a a dominar e que d\u00e1 origem aos Sancerres tintos e ros\u00e9s, contrariando a preval\u00eancia da Cabernet Franc para os vinhos tintos do Vale do Loire.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-707\" width=\"348\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-scaled-324x485.jpg 324w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-scaled-416x623.jpg 416w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-768x1151.jpg 768w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-1025x1536.jpg 1025w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-1367x2048.jpg 1367w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/le-chateau-du-nozay-2019-374-d-scaled.jpg 1709w\" sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A Sauvignon tamb\u00e9m produz brancos em outras AOCs da faixa Central (Menetou-Salon, Quincy, Reuilly), que podem ser uma alternativa em termos de pre\u00e7os, mas que normalmente s\u00e3o vinhos mais simples, n\u00e3o chegando \u00e0 nobreza das estrelas do Centro-Loire. Embora o perfil dos Sauvignon\u2019s ali seja de vinhos mais frescos e minerais, h\u00e1 excelentes experi\u00eancias de produtores que t\u00eam utilizado m\u00e9todos para dar mais volume e untuosidade aos vinhos (fermenta\u00e7\u00e3o em barrica, b\u00e2tonnage). Merecem ser conferidos!<\/p>\n\n\n\n<p>Para participar dos cursos da CAFA BORDEAUX e das WINE MASTERS CLASS de M\u00edriam Aguiar, visite&nbsp;<a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br\/blog<\/a>&nbsp;\u2013 Instagram: @miriamaguiar.vinhos ou fa\u00e7a contato pelo email: maguiarvinhos@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse artigo, continuamos a abordar os vinhos brancos, melhor pedida para este ver\u00e3o caloroso. 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