{"id":455,"date":"2020-11-27T18:11:09","date_gmt":"2020-11-27T18:11:09","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=455"},"modified":"2021-03-10T13:55:56","modified_gmt":"2021-03-10T13:55:56","slug":"a-sul-e-norte-do-rio-ebro-rumo-ao-mar-mediterraneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-sul-e-norte-do-rio-ebro-rumo-ao-mar-mediterraneo\/","title":{"rendered":"A sul e norte do Rio Ebro rumo ao Mar Mediterr\u00e2neo"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Garnacha, Cari\u00f1ena, ganhos p\u00f3s-filoxera e inova\u00e7\u00f5es chamam a aten\u00e7\u00e3o para os r\u00f3tulos do nordeste espanhol.<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma passagem pelo norte portugu\u00eas, voltamos \u00e0 vasta e rica vitivinicultura da faixa setentrional espanhola. Neste \u00faltimo artigo sobre o tema (de uma s\u00e9rie de cinco), vou abordar o nordeste espanhol, por D.O.s localizadas nas regi\u00f5es de Arag\u00f3n e Catalunha, acompanhando a bacia do Rio Ebro at\u00e9 o Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Arag\u00f3n, h\u00e1 quatro D.O.s de boa produtividade e qualidade, com vinhedos que alternam perfis clim\u00e1ticos h\u00edbridos, entre o calor seco mediterr\u00e2nico e o rigor invernal continental, provocados pela presen\u00e7a de uma topografia acidentada a norte (Pirineus), sul (Sistema Ib\u00e9rico) e leste (cadeias montanhosas que margeiam a Catalunha). O resultado, de modo geral, \u00e9, matura\u00e7\u00e3o longa das castas, gerando vinhos tintos robustos que t\u00eam sua acidez preservada em algumas \u00e1reas, em fun\u00e7\u00e3o da boa amplitude t\u00e9rmica, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de brancos, especialmente da Macabeo (tamb\u00e9m denominada Viura) e rosados.<\/p>\n\n\n\n<p>Arag\u00f3n \u00e9 a terra de origem da Garnacha Tinta, que assume o protagonismo em boa parte do territ\u00f3rio, combinada com a Tempranillo, a Cari\u00f1ena (outra cepa aut\u00f3ctone) e a crescente integra\u00e7\u00e3o das cepas francesas tintas e brancas. Essa entrada teve in\u00edcio com os impactos da filoxera na Fran\u00e7a, que deu um impulso comercial para as regi\u00f5es espanholas pr\u00f3ximas da fronteira francesa. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a regi\u00e3o se beneficia das renova\u00e7\u00f5es enol\u00f3gicas e a amplia\u00e7\u00e3o do mercado vitivin\u00edcola em n\u00edvel global.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7o pelas D.O.s que se encontram a oeste de Arag\u00f3n, na prov\u00edncia de Zaragoza. A menor delas, com apenas 7.414 ha, \u00e9 a D.O. Campo de Borja, que at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas da segunda metade do s\u00e9culo passado exportava vinho a granel para cortes. Desde 1980, come\u00e7aram a engarrafar seus pr\u00f3prios vinhos e a ganhar identidade com a produ\u00e7\u00e3o de tintos encorpados, de aromas frutados, especialmente da cepa Garnacha tinta (80% do vinhedo), complementada pela Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. H\u00e1 brancos frescos, especialmente da Macabeo e licorosos da Moscatel.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo abaixo, se deslocando para o centro, h\u00e1 a D.O. Calatayud, a mais jovem dessa regi\u00e3o (1989), que se situa numa \u00e1rea rodeada por forma\u00e7\u00f5es montanhosas, na transi\u00e7\u00e3o entre o Sistema Ib\u00e9rico de montanhas e a Depress\u00e3o do Ebro. Assim como nas demais regi\u00f5es, a vitivinicultura passou pelas m\u00e3os romanas e monasteriais e teve um \u00edmpeto exportador com os impactos das perdas francesas no per\u00edodo da filoxera. Ali tamb\u00e9m predomina a Garnacha Tinta (60% do vinhedo), com boa presen\u00e7a de vi\u00f1as viejas, muito resistentes ao frio, numa \u00e1rea de temperaturas extremas, que produz tintos bem equilibrados, desde jovens mais frescos e f\u00e1ceis de beber a outros aptos ao envelhecimento. Os brancos resultam principalmente da Macabeo, \u00e0s vezes cortada com a Chardonnay e h\u00e1 rosados mais concentrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Colada em Calatayud est\u00e1 a D.O. Carine\u00f1a, uma das primeiras espanholas, regulamentada em 1932. Diz-se que ali se bebia vinho com mel 300 anos antes da nossa era. Apesar do nome, a Cari\u00f1ena n\u00e3o \u00e9 a cepa mais dominante na regi\u00e3o \u2013 foi fortemente atacada pela filoxera, tendo sido substitu\u00edda pela Garnacha Tinta (55%), vinificada para tintos e rosados, e pela Tempranillo (15%), muito utilizada na produ\u00e7\u00e3o de vinhos Crianza. A Cari\u00f1ena, em menor propor\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m utilizada nos cortes. O perfil \u00e9 de vinhos tintos potentes e h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o de rosados e brancos frescos (90% da Macabeo).<\/p>\n\n\n\n<p>Outra denomina\u00e7\u00e3o a se destacar na regi\u00e3o aragonesa tem perfil distinto, pela pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o. A D.O. Somontano (que significa \u201cdebaixo da, no p\u00e9 da montanha\u201d) est\u00e1 posicionada a nordeste de Arag\u00f3n, na prov\u00edncia de Huesca, envolta por uma bela paisagem montanhosa, nos p\u00e9s dos Pirineus, com vales que desembocam no Rio Ebro. Os vinhedos se encontram a 80km da fronteira francesa. Tornada D.O. em 1984, \u00e9 uma \u00e1rea que conta com novos empreendimentos, que se destacam competitivamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es produtoras cl\u00e1ssicas da Espanha. Um quesito que lhe confere for\u00e7a e identidade \u00e9 o seu patrim\u00f4nio de cepas aut\u00f3ctones (Moristel, Parraleta, Alca\u00f1on), que foi mesclado com variedades francesas, espanholas tradicionais e ainda com as brancas Riesling e Gewurztraminer. A altitude e a alta varia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica anual (entre -12oC no inverno e 42o C no ver\u00e3o) conferem boa acidez aos produtos e lhes possibilitam trabalhar com uma gama variada de vinhos \u2013 brancos, rosados, tintos mais elegantes e frutados (Tempranillo + Moristel) e tintos encorpados (Cabernet + Merlot).<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, j\u00e1 na regi\u00e3o da Catalunha, onde se encontram vinhos de variados estilos e categorias, em fun\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria diversidade topogr\u00e1fica e clim\u00e1tica, ressalto uma D.O. colada em Barcelona: Pened\u00e9s (Priorat j\u00e1 foi tratada&nbsp;<a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/comecando-pelos-tesouros-das-extremidades-do-norte-espanhol\"><u>no segundo artigo da s\u00e9rie<\/u><\/a>). Ali a cultura da vinha foi introduzida pelos fen\u00edcios e desenvolvidas pelos romanos. At\u00e9 o s\u00e9c. XIX, predominavam vinhos tintos e no p\u00f3s-filoxera houve uma grande introdu\u00e7\u00e3o de cepas brancas, voltadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de espumantes. H\u00e1 tr\u00eas \u00e1reas e perfis de produ\u00e7\u00e3o: Pened\u00e9s Inferior, pr\u00f3ximo ao n\u00edvel do mar (250m), onde predominam vinhos da Garnacha e da Cari\u00f1ena; Pened\u00e9s M\u00e9dio, com altitude entre 300 e 500m, boa exposi\u00e7\u00e3o solar, onde se encontram variedades para Cava, Cabernet Sauvignon e Tempranillo; Pened\u00e9s Superior, com altitude a partir de 800m, \u00e1rea de baixa produ\u00e7\u00e3o com alta qualidade, com destaque para brancos de castas espanholas, francesas e alem\u00e3s e bons tintos.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o dos espumantes CAVA \u00e9 dominante na Catalunha e merece uma abordagem \u00e0s parte, que farei no \u00faltimo artigo de 2020, quando falarei tamb\u00e9m de outros espumantes importantes, que brindam a passagem do ano.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para infs sobre cursos de M\u00edriam Aguiar (Cafa Bordeaux e Wine Masters Class):&nbsp;<u><a href=\"mailto:maguiarvinhos@gmail.com?subject=Vinho%20etc.\">maguiarvinhos@gmail.com<\/a><\/u>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>miriamaguiar.com.br\/blog<\/u><\/a>&nbsp;\u2013 Instagram:&nbsp;<u><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/u><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Garnacha, Cari\u00f1ena, ganhos p\u00f3s-filoxera e inova\u00e7\u00f5es chamam a aten\u00e7\u00e3o para os r\u00f3tulos do nordeste espanhol. 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