{"id":304,"date":"2020-09-18T15:33:00","date_gmt":"2020-09-18T15:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=304"},"modified":"2021-03-10T12:15:32","modified_gmt":"2021-03-10T12:15:32","slug":"comecando-pelos-tesouros-das-extremidades-do-norte-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/comecando-pelos-tesouros-das-extremidades-do-norte-espanhol\/","title":{"rendered":"Come\u00e7ando pelos tesouros das extremidades do norte espanhol"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00f3 na faixa setentrional espanhola est\u00e3o a Rioja, Ribera del Duero, Priorat, boa parte dos Cavas e muito mais.<\/h2>\n\n\n\n<p>Nessa primeira abordagem da Espanha vitivin\u00edcola, vou tratar do norte do pa\u00eds, que por si s\u00f3 j\u00e1 compreende muita coisa e deve ocupar tr\u00eas artigos, considerando as denomina\u00e7\u00f5es de maior destaque. Come\u00e7o pelas bordas, ou seja, pelas extremidades leste e oeste. O norte da Espanha \u00e9 mais largo em longitude do que o restante do pa\u00eds \u2013 segue a oeste, acima da faixa continental portuguesa e, a leste, acompanha a fronteira com o sul da Fran\u00e7a. S\u00f3 nessa faixa setentrional est\u00e3o Rioja, Ribera del Duero, Priorat, boa parte dos Cavas e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas duas extremidades oeste e leste est\u00e3o regi\u00f5es de grande proximidade oce\u00e2nica, a primeira com o Oceano Atl\u00e2ntico e a segunda com o Mar Mediterr\u00e2neo, mas circundada por montanhas que criam um microclima particular. Comecemos ent\u00e3o por R\u00edas Baixas. Situada na Gal\u00edcia, trata-se da denomina\u00e7\u00e3o de origem mais ocidental da Espanha, de pequena extens\u00e3o e que leva este nome por ser formada pelas r\u00edas mais meridionais da regi\u00e3o. A r\u00eda \u00e9 uma express\u00e3o que define um estu\u00e1rio \u2013 uma fus\u00e3o entre o rio e o mar \u2013 muito presente em forma de grandes desembocaduras na Gal\u00edcia. O mais precioso tesouro desta D.O. \u00e9 a variedade Albari\u00f1o, codinome espanhol da portuguesa Alvarinho, plantada na regi\u00e3o do Minho, norte de Portugal e fronteira com R\u00edas Baixas. A origem da Albari\u00f1o nesta regi\u00e3o \u00e9 controversa \u2013 h\u00e1 quem diga que chegou no s\u00e9culo XII, trazida pelos monges cistercienses da regi\u00e3o do Reno, h\u00e1 quem diga que veio de Portugal, onde chegou via barcos ingleses oriunda da Gr\u00e9cia. O fato \u00e9 que ela se aclimatou muito bem ali, onde representa 90% dos vinhedos da regi\u00e3o, que, por sua vez, tem produ\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria de vinhos brancos (99%).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em outras partes do pa\u00eds, R\u00edas Baixas, tornada D.O. em 1988, passou por transforma\u00e7\u00f5es visando a melhoria da qualidade de seus vinhos, a come\u00e7ar pela replanta\u00e7\u00e3o de vinhedos e pela introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias em tr\u00eas perfis de produtores locais: cooperativas, grandes bodegas e pequenos produtores. A zona vitivin\u00edcola \u00e9 espacialmente dispersa e se subdivide em 5 zonas, com algumas diferen\u00e7as entre si, onde tamb\u00e9m aparecem as cepas Loureira Blanca, Godello, Torront\u00e9s, entre outras De modo geral, seus vinhos t\u00eam cor amarelo palha com reflexos dourados, aromas intensos de frutas c\u00edtricas, mel\u00e3o e matizes florais. Boca ampla, com acidez vibrante e car\u00e1ter mineral, advindo de seus solos gran\u00edticos e de sua proximidade litor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda regi\u00e3o que escolhi falar, em faixa latitudinal pr\u00f3xima, um pouco mais meridional no extremo oposto do mapa espanhol \u00e9 a D.O. Priorat, comarca situada no centro-norte da prov\u00edncia de Tarragona que, em 2009, foi elevada a Denominaci\u00f3n de Origen Calificada. Esta \u00e9 a categoria superior das denomina\u00e7\u00f5es, s\u00f3 concedida a regi\u00f5es com reconhecida e consistente qualidade de produ\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. Badalada hoje no mercado de vinhos de alta gama, trata-se de uma D.O. bem pequena, mas com singularidades. Sua origem remonta ao s\u00e9culo XII, quando monges cartuxos do Mosteiro Scala Dei introduziram a viticultura ali. O cuidado do Mosteiro com os vinhedos e est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local, somados \u00e0 riqueza do terroir, deram prest\u00edgio aos vinhos da regi\u00e3o, at\u00e9 que ela fosse apropriada pelo Estado em 1835. Ao final do s\u00e9culo XIX, a filoxera devastou os vinhedos, e a viticultura foi substitu\u00edda pela cultura de am\u00eandoas, avel\u00e3s e oliveiras.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 a partir da d\u00e9cada de 1950 \u00e9 que novos vinhedos foram plantados visando um alto padr\u00e3o de qualidade, o que definitivamente aconteceu mais tarde. A partir de 1980, a regi\u00e3o passou por transforma\u00e7\u00f5es introduzidas por jovens en\u00f3logos (liderados pelos consagrados Ren\u00e9 Barbier e \u00c1lvaro Pal\u00e1cios), visando resgatar a sua vitivinicultura. Mas tudo ali conspira a favor da qualidade, apesar de ser um terreno dif\u00edcil de ser explorado, com encostas \u00edngremes de origem vulc\u00e2nica, temperaturas extremas e ventos fortes. Seu solo predominante \u00e9 chamado de llicorella, uma esp\u00e9cie de ard\u00f3sia vermelha e negra com part\u00edculas de quartzito, que refletem a luz solar e conservam calor. A superf\u00edcie \u00e9 de ard\u00f3sia em decomposi\u00e7\u00e3o e obriga as ra\u00edzes a buscarem nutrientes na profundidade do solo, dando uma riqueza mineral excepcional aos vinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A cepa tradicional do Priorat \u00e9 a Garnacha tinta, presente em muitos vinhedos antigos, mas outras foram introduzidas para serem associadas \u00e0s aut\u00f3ctones, como Cari\u00f1ena, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah para os tintos e Garnacha blanca, a Macabeo, Pedro Xim\u00e9nez e Chenin para os brancos. O corte mais tradicional tinto \u00e9 de Garnacha tinta e Cari\u00f1ena \u2013 vinhos potentes, de cor intensa, mas equilibrados, elegantes, com forte mineralidade e potencial de guarda.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para infs sobre as Masters Class Online de M\u00edriam Aguiar e os cursos da Cafa Formations, de Bordeaux: Instagram&nbsp;<u><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/u>, e-mail&nbsp;<u><a href=\"mailto:maguiarvinhos@gmail.com?subject=vinho%20etc\">maguiarvinhos@gmail.com<\/a><\/u><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 na faixa setentrional espanhola est\u00e3o a Rioja, Ribera del Duero, Priorat, boa parte dos Cavas e muito mais. 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