{"id":212,"date":"2019-03-15T19:45:01","date_gmt":"2019-03-15T19:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=212"},"modified":"2021-03-10T12:12:38","modified_gmt":"2021-03-10T12:12:38","slug":"a-argentina-e-o-sucesso-do-seu-vinho-emblematico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-argentina-e-o-sucesso-do-seu-vinho-emblematico\/","title":{"rendered":"A Argentina e o sucesso do seu vinho emblem\u00e1tico!"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A exuber\u00e2ncia da Malbec surpreendeu e encantou os norte-americanos, como j\u00e1 havia acontecido com os brasileiros.<\/h2>\n\n\n\n<p>O filme <em>O Boom varietal: o crescimento da Malbec argentina nos EUA<\/em>, realizado por Sky Pinnick, foi um longa-metragem premiado no Oenovideo de 2013, um festival anual totalmente devotado a imagens em fotografia e v\u00eddeo sobre o mundo do vinho, criado na Fran\u00e7a e com sedes itinerantes desde 1994. Talvez soe estranho para um brasileiro pensar que existem produ\u00e7\u00f5es sobre este tema suficientes para uma competi\u00e7\u00e3o anual, mas h\u00e1 pa\u00edses para os quais o vinho tem import\u00e2ncia econ\u00f4mica e cultural significativas a fim de sustentar uma s\u00e9rie de atividades paralelas que dialogam com este universo, pleno de hist\u00f3rias e simbolismos.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme tratava do \u00eaxito dos vinhos argentinos da varietal Malbec que chegavam ao mercado norte-americano, provocando curiosidade acerca de uma cepa francesa ofuscada pelas suas companheiras de corte bordal\u00eas \u2013 ou seja, a Malbec frequentemente participa em doses m\u00ednimas do blend dos vinhos tintos de Bordeaux, que t\u00eam como protagonistas a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Cabernet Franc.<\/p>\n\n\n\n<p>A exuber\u00e2ncia em v\u00e1rios sentidos (cor, aroma, volume e paladar) dessa casta na vers\u00e3o argentina surpreendeu e encantou os norte-americanos, dentre outros, assim como j\u00e1 havia se dado no mercado brasileiro, em que este vinho tem significativa import\u00e2ncia. A Malbec \u00e9 uma variedade origin\u00e1ria do sudoeste da Fran\u00e7a, mais especificamente da Denomina\u00e7\u00e3o de Origem Cachos \u2013 regi\u00e3o abaixo de Bordeaux e mais ao centro-sul \u2013 onde a casta n\u00e3o aparece como coadjuvante, pelo contr\u00e1rio, assina vinhos varietais.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja pelo seu papel secund\u00e1rio em Bordeaux, onde seus vinhedos foram sacrificados pela praga filoxera, ou por um desempenho qualitativo irregular em Cahors, onde os vinhos s\u00e3o mais adstringentes e n\u00e3o imediatamente t\u00e3o af\u00e1veis como os argentinos, o fato \u00e9 que o tinto da Malbec argentina brilhou e chega a despertar curiosidade sobre esta casta em sua regi\u00e3o de origem. Prova disso \u00e9 que a Bodega Fabre-Montmayou, de propriedade francesa em Mendoza desde 1992, adquiriu recentemente terras na regi\u00e3o de Cahors para incluir em seu portf\u00f3lio Malbecs franceses.<\/p>\n\n\n\n<p>Acabo de voltar de Mendoza e percebo que, a cada temporada, desde a reconfigura\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria nos anos 1990, at\u00e9 os nossos dias, muita coisa vem acontecendo em solo argentino: no direcionamento de sua produ\u00e7\u00e3o, no consumo interno de vinhos pelos argentinos e outros pa\u00edses, na descoberta de outros terroirs que podem dar mais eleg\u00e2ncia aos vinhos etc. Mas uma coisa \u00e9 certa \u2013 a Malbec continua reinando absoluta como cepa de destaque nas produ\u00e7\u00f5es de praticamente todas as bodegas. Como diz a reconhecida cr\u00edtica de vinhos argentinos Elisabeth Checa, esta \u00e9 a casta que posiciona os vinhos argentinos no mundo, uma vez que neste solo ela desenvolve toda sua grandeza em termos de corpo, acidez e potencial de envelhecimento. Especialmente em partes mais altas, com grande amplitude t\u00e9rmica, como no Valle de Uco, a Malbec mostra todo o seu esplendor.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa por novos territ\u00f3rios para experi\u00eancias com a Malbec e outras variedades tem tido lugar, embora a uva emblem\u00e1tica predomine, seguida da Cabernet Sauvignon, tamb\u00e9m muito plantada e utilizada como vinho varietal ou como corte com a Malbec. A Argentina tem um perfil curioso, que de certo modo destoa dos outros pa\u00edses latinos \u2013 a cultura de consumo do vinho esteve muito presente j\u00e1 na metade do s\u00e9culo XX, quando suas taxas de consumo alcan\u00e7avam algo pr\u00f3ximo de 90l per capita! Ela se assemelhava a pa\u00edses europeus de ampla tradi\u00e7\u00e3o vitivin\u00edcola. Se olharmos a arquitetura de Buenos Aires, seus caf\u00e9s e h\u00e1bitos de consumo, d\u00e1 para se ter uma ideia de que a cultura europeia teve grande influ\u00eancia na capital portenha, especialmente nos per\u00edodos de gl\u00f3ria econ\u00f4mica. N\u00e3o podemos dizer, entretanto, que a qualidade do vinho acompanhasse o perfil europeu. O consumo era alto, mas o n\u00edvel de qualidade era outro, e os pre\u00e7os dos produtos, tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo o perfil dos pa\u00edses do Novo Mundo, a Argentina reinventou sua vitivinicultura para produzir vinhos de melhor qualidade a fim de competir com aqueles que pertencem ao card\u00e1pio gourmet contempor\u00e2neo. Paralelamente a isso, a perda de poder aquisitivo do cidad\u00e3o argentino fez com que o vinho bom ficasse mais caro e menos presente em suas mesas em termos de quantidade. Hoje a Argentina tem uma taxa em torno de 30l per capita \u20131\/3 da taxa que vigorava nos anos 1970 \u2013 mas certamente o valor arrecadado por litro de vinho \u00e9 bem mais alto em fun\u00e7\u00e3o do salto de qualidade e da orienta\u00e7\u00e3o dos vinhos de alta gama ao mercado externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte das vin\u00edcolas estreladas exporta mais de 75% de sua produ\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios pa\u00edses, como EUA e Brasil, grandes consumidores de seus vinhos. Esse vigor produtivo pode ser percebido nas transforma\u00e7\u00f5es da paisagem de Mendoza, com impacto na cidade e no seu entorno, uma vez que recebe um forte enoturismo, muitos investimentos estrangeiros em seu territ\u00f3rio (moeda mais fraca se torna um grande atrativo para aquisi\u00e7\u00f5es enol\u00f3gicas) e um tr\u00e2nsito frequente do alto business gastron\u00f4mico. O desenho impec\u00e1vel das fileiras de videiras tomadas por cachos de uvas, que povoam a grande regi\u00e3o de Mendoza, a arquitetura glamourosa das bodegas, restaurantes com chefs estrelados enriquecem o ver\u00e3o de uma regi\u00e3o de rara beleza, ao p\u00e9 dos Andes e cheias de caminhos a descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, falarei das produ\u00e7\u00f5es atuais de vinhos argentinos, suas qualidades e caracter\u00edsticas, bem como das atra\u00e7\u00f5es enotur\u00edsticas e gastron\u00f4micas da regi\u00e3o de Mendoza.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para saber mais sobre cursos de vinhos e outros projetos: <a href=\"http:\/\/www.miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.miriamaguiar.com.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exuber\u00e2ncia da Malbec surpreendeu e encantou os norte-americanos, como j\u00e1 havia acontecido com os brasileiros. 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