{"id":2091,"date":"2025-11-25T22:35:03","date_gmt":"2025-11-25T22:35:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=2091"},"modified":"2025-11-25T22:35:03","modified_gmt":"2025-11-25T22:35:03","slug":"a-novidade-e-o-desconhecido-os-exoticos-fundadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-novidade-e-o-desconhecido-os-exoticos-fundadores\/","title":{"rendered":"A novidade \u00e9 o desconhecido: os ex\u00f3ticos fundadores"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Vinhos de regi\u00f5es pouco familiares atraem cada vez mais consumidores<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Se as transforma\u00e7\u00f5es geracionais em um dado modelo de produ\u00e7\u00e3o se davam a cada era, mil\u00eanio, s\u00e9culo, hoje tudo \u00e9 (ou nos parece) mais veloz, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que depende de tecnologia e de modelos processuais. A novidade se difunde rapidamente, provocando mudan\u00e7as em toda a linha de produ\u00e7\u00e3o de um dado mercado e fazendo de cada ciclo quase um modismo. O vinho, produto milenar de mais de 8.000 anos de hist\u00f3ria, que j\u00e1 passou por v\u00e1rias mudan\u00e7as envolvendo distintas regi\u00f5es, culturas, m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o, estilos de consumo, entre outros, vem sofrendo tamb\u00e9m transforma\u00e7\u00f5es muito mais aceleradas a partir da segunda metade do s\u00e9culo 20.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos processos mais significativos que ocorre desde ent\u00e3o foi o franco progresso das produ\u00e7\u00f5es do chamado Novo Mundo do Vinho, que tiveram a vitivinicultura introduzida pelos colonizadores europeus. Hoje, a produ\u00e7\u00e3o desses pa\u00edses j\u00e1 ganha outros matizes, al\u00e9m da simples condi\u00e7\u00e3o de ter conseguido alcan\u00e7ar n\u00edveis de qualidade equipar\u00e1veis ao padr\u00e3o m\u00e9dio europeu. Um dos melhores exemplos \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de sistemas exclusivos de produ\u00e7\u00e3o, adaptados a realidades geoclim\u00e1ticas espec\u00edficas, como \u00e9 o caso da dupla poda no Brasil. Os pa\u00edses dos tr\u00f3picos, muitas vezes vistos como ex\u00f3ticos pelos europeus (na Fran\u00e7a, frutas tropicais como abacaxi e banana s\u00e3o chamadas de \u201cfrutas ex\u00f3ticas\u201d), j\u00e1 fazem parte do mapa do vinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso de fato \u00e9 mais recente e faz parte das inova\u00e7\u00f5es, mas a outra \u201cnovidade\u201d \u00e9 a crescente entrada de vinhos da Europa Oriental, do Oriente M\u00e9dio e, em breve, de vinhos asi\u00e1ticos nas prateleiras mundiais. Ao contr\u00e1rio do que se possa imaginar, boa parte desses vinhos \u201cex\u00f3ticos\u201d ao olhar dos consumidores do mundo ocidental n\u00e3o tem nada de novo existencialmente, al\u00e9m do fato de se reinventarem ao longo do tempo. Nessas \u00e1reas, a partir da Europa Oriental, seguindo rumo ao Oriente, entre os mares Negro e C\u00e1spio, encontram-se os tra\u00e7os mais remotos da origem do vinho. O vinho, em realidade, lhes \u00e9 muito familiar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-21-at-16.52.59-1-768x1024.jpeg\" alt=\"vinho r\u00f3tulo ex\u00f3tico\" class=\"wp-image-313825\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas o nosso distanciamento em rela\u00e7\u00e3o a essas culturas torna tudo que n\u00e3o \u00e9 Ocidente ex\u00f3tico. Essa cis\u00e3o foi bastante aprofundada pelo per\u00edodo da Guerra Fria e por sua vis\u00e3o bin\u00e1ria, quase dicot\u00f4mica da sociedade. Mas, para quem estava ali, produzindo e consumindo o pr\u00f3prio vinho, um pouco de tudo j\u00e1 se passou: fizeram parte de v\u00e1rios imp\u00e9rios, do bloco socialista e, mais recentemente, da Uni\u00e3o Europeia. Cada contexto colaborou para dar contornos diferenciados \u00e0 pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o e ao mercado, com per\u00edodos mais ou menos favor\u00e1veis ao consumo de vinhos.<a href=\"https:\/\/cnseg.org.br\/\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-21-at-16.52.59-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-313824\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ge\u00f3rgia, Arm\u00eania, Turquia, L\u00edbano, Bulg\u00e1ria, Rom\u00eania, Mold\u00e1via \u2014 todos pa\u00edses de produ\u00e7\u00e3o muito antiga, alguns deles essencialmente voltados \u00e0 vitivinicultura. At\u00e9 mesmo a Gr\u00e9cia, que \u00e9 mais associada \u00e0 cultura ocidental, embora esteja na faixa meridional e oriental do continente, quando se trata de vinho tem produtos muito estranhos ao nosso olhar e paladar. S\u00f3 nas \u00faltimas d\u00e9cadas Gr\u00e9cia e pa\u00edses da Europa Central, como \u00c1ustria e Hungria, come\u00e7aram a fazer parte do repert\u00f3rio dos importadores, seguidos pelos chamados pa\u00edses do Leste Europeu. No Brasil, especialmente a partir do per\u00edodo da pandemia, houve uma intensifica\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional envolvendo essas regi\u00f5es. E eles atraem muitos consumidores pela sua raridade e estranhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O estranhamento \u00e9 provocado por um pacote de ingredientes: l\u00ednguas pouco familiares, nomes de uvas jamais lidas (que nem arriscamos pronunciar), design de alguns r\u00f3tulos que exploram esse estranhamento imagin\u00e1rio. E no paladar? Esses vinhos s\u00e3o t\u00e3o ex\u00f3ticos assim?<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho dado muitas aulas a respeito desses universos e participado de muitas degusta\u00e7\u00f5es. De modo geral, com exce\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cvinhos laranja\u201d, que s\u00e3o vinhos brancos com macera\u00e7\u00e3o pelicular, ou vinhos de baix\u00edssima interven\u00e7\u00e3o, que remontam a pr\u00e1ticas bem antigas, eu diria que, num mundo global, a estandardiza\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias \u00e9 quase autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho, no entanto, que um ponto essencial de enriquecimento do repert\u00f3rio enol\u00f3gico \u00e9 que ele faz vir \u00e0 tona um amplo cat\u00e1logo de uvas nativas, por sua vez muito identificadas com cada um desses territ\u00f3rios. O vinho, nesses casos, pode revelar um estilo que n\u00e3o \u00e9 sinalizado apenas pela variedade de uva, mas por sua condi\u00e7\u00e3o e inequ\u00edvoca qualidade associada \u00e0s caracter\u00edsticas daquele territ\u00f3rio, o que nos remete \u00e0 cl\u00e1ssica no\u00e7\u00e3o de terroir. Creio que esses s\u00e3o os caldos ex\u00f3ticos mais surpreendentes, que ser\u00e3o elencados no pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinhos de regi\u00f5es pouco familiares atraem cada vez mais consumidores Se as transforma\u00e7\u00f5es geracionais em um dado modelo de produ\u00e7\u00e3o se davam a cada era, mil\u00eanio, s\u00e9culo, hoje tudo \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2092,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[381,380],"class_list":["post-2091","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil","tag-exoticos","tag-novidade"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22.webp",939,690,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-150x150.webp",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-300x220.webp",300,220,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-768x564.webp",768,564,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22.webp",939,690,false],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22.webp",939,690,false],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22.webp",939,690,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-100x75.webp",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-370x259.webp",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-570x399.webp",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-770x482.webp",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/artigo_22-939x480.webp",939,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Vinhos de regi\u00f5es pouco familiares atraem cada vez mais consumidores Se as transforma\u00e7\u00f5es geracionais em um dado modelo de produ\u00e7\u00e3o se davam a cada era, mil\u00eanio, s\u00e9culo, hoje tudo \u00e9 [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2091"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2091\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2093,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2091\/revisions\/2093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}