{"id":209,"date":"2019-03-29T15:14:13","date_gmt":"2019-03-29T15:14:13","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=209"},"modified":"2021-03-10T12:02:21","modified_gmt":"2021-03-10T12:02:21","slug":"tradicao-e-inovacao-nas-tacas-argentinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/tradicao-e-inovacao-nas-tacas-argentinas\/","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o nas ta\u00e7as argentinas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Malbec \u00e9 o s\u00edmbolo do pa\u00eds, mas a bola da vez \u00e9 a Cabernet Franc.<\/h3>\n\n\n\n<p>Continuando a falar sobre o vinho argentino, que tem a Malbec como sua variedade vit\u00edcola m\u00e1xima, h\u00e1, contudo, outras cepas cultivadas tradicionalmente e uma experimenta\u00e7\u00e3o de outras variedades capazes de atender \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias em qualquer portf\u00f3lio vin\u00edcola do mercado contempor\u00e2neo. Se a l\u00f3gica de ter um produto t\u00edpico de cada regi\u00e3o, que corresponda ao que \u00e9 preconizado pela no\u00e7\u00e3o de terroir \u2013 isto \u00e9, uma combina\u00e7\u00e3o perfeita entre solo, clima, uva e m\u00e9todo de elabora\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 fundamental para a afirma\u00e7\u00e3o da origem de uma vinicultura, o mesmo nem sempre acontece com um mercado comprometido com a rotatividade em \u00e2mbito global. A l\u00f3gica da moda est\u00e1 comprometida com uma est\u00e9tica capaz der reinventar continuamente os produtos, mesmo que sem ir muito fundo nas modifica\u00e7\u00f5es = r\u00f3tulos, garrafas, cores, sabores, tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>O universo mais tradicional do vinho resiste aos modismos, especialmente nos segmentos de vinhos mais caros, mas quando se trata do grande p\u00fablico, as f\u00f3rmulas cl\u00e1ssicas do marketing tamb\u00e9m se aplicam para ditar o que se produz. A Malbec se tornou o emblema do vinho argentino pela qualidade de seus vinhos no pa\u00eds e tamb\u00e9m porque ela corresponde ao perfil dominante dos vinhos hoje preferidos globalmente: vinho tinto, concentrado em cor, corpo e aromas, de perfil mais frutado (quase adocicado) e taninos af\u00e1veis. Trata-se, portanto, de um vinho que pode agradar a paladares exigentes em suas melhores vers\u00f5es, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o desagrada o novo consumidor. A moderna enologia sabe gerenciar suas produ\u00e7\u00f5es visando resultados condizentes com as prefer\u00eancias dos p\u00fablicos, especialmente com uvas bem adaptadas a uma regi\u00e3o e isso pode resultar em vinhos da mesma casta com perfis diferenciados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da Malbec, existem outras castas identificadas com o pa\u00eds. A Bonarda \u00e9 uma delas. Confundida inicialmente com a Barbera, tem origem controversa, sendo identificada como parente da Bonarda e da Dolcetto do Piemonte, It\u00e1lia, mas tamb\u00e9m da uva Corbeau francesa, da regi\u00e3o de Savoie. Casta tinta, n\u00e3o alcan\u00e7ou tanto reconhecimento internacional como a Malbec, mas \u00e9 a segunda uva mais plantada na Argentina, muito presente em varietais e cortes de vinhos mais populares. A Bonarda \u00e9 plantada especialmente nas regi\u00f5es mais a leste de Mendoza, em \u00e1reas mais quentes e distanciadas da Cordilheira, j\u00e1 que custa mais a amadurecer. Em produ\u00e7\u00f5es menos nobres, ela pode apresentar vinhos herb\u00e1ceos e magros, mas existem exce\u00e7\u00f5es. Na \u00faltima visita, bebi um bom vinho desta casta, impressionantemente concentrado em cor, rico em nariz e boca e muito macio, deixando a desejar um pouco em acidez.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra uva que tamb\u00e9m mostra o talento (ou sorte) da Argentina para ter vinhos emblem\u00e1ticos mais exclusivos \u00e9 a uva branca Torront\u00e9s, uma cepa aut\u00f3ctone, identificada como resultante do cruzamento espont\u00e2neo entre a variedade Moscatel de Alexandria e a Criolla Chica, introduzida pelos primeiros colonos espanh\u00f3is na Argentina. Trata-se da branca mais plantada, principalmente na regi\u00e3o de La Rioja, ao norte de Mendoza, onde \u00e9 chamada de Torront\u00e9s Riojana. Mas a Torront\u00e9s mostra toda sua exuber\u00e2ncia mesmo \u00e9 nas regi\u00f5es de grande altitude de Salta, bem ao norte da Argentina, onde d\u00e1 vinhos muito florais, frescos, com boa acidez, toques picantes e ligeiro amargor no final de boca. Seu perfil arom\u00e1tico floral (jasmim, rosas, ger\u00e2nio) remete \u00e0 descend\u00eancia da Moscatel. Trata-se de uma casta valorosa para o pa\u00eds, ainda pouco conhecida no Brasil, pela pr\u00f3pria subvaloriza\u00e7\u00e3o dos vinhos brancos pelos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo-se a estas varietais, como j\u00e1 dito, a Cabernet Sauvignon tamb\u00e9m \u00e9 muito plantada e bem adaptada ao perfil clim\u00e1tico mediterr\u00e2neo da regi\u00e3o de Mendoza (muito quente e seco no ver\u00e3o) que permite o bom amadurecimento desta casta, de matura\u00e7\u00e3o tardia. Segunda cepa tinta mais plantada na Argentina, a Cabernet Sauvignon aparece muitas vezes em companhia da Malbec ou solo e h\u00e1 tamb\u00e9m fortes presen\u00e7as da Syrah e da Chardonnay.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como a inova\u00e7\u00e3o gera descobertas e reinventa o mundo do vinho, criando certos modismos inesperados, pode-se dizer que a Cabernet Franc \u00e9 a bola da vez em Mendoza. Sua fama mundial reduzida n\u00e3o condiz com sua nobreza, j\u00e1 que \u00e9 parte essencial do corte bordal\u00eas, especialmente para a qualidade dos vinhos da margem direita do Rio Dordogne em Bordeaux, al\u00e9m de ser a varietal predominante dos vinhos tintos do Vale do Loire. Impulsionados por bons resultados nas vinifica\u00e7\u00f5es pioneiras argentinas, como a da Bodega Benegas, a qualificada assinatura varietal da Cabernet Franc pode ser atestada em distintos vinhos argentinos e vale ser apreciada pelo mercado brasileiro, apesar de ocupar o nono lugar dentre as tintas mais plantadas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dos novos ares argentinos vem tamb\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es mais altas e frias, como no Valle de Uco, e das denomina\u00e7\u00f5es de origem mais ao sul do pa\u00eds, na regi\u00e3o da Patag\u00f4nia, Neuqu\u00e9n e Rio Negro, de onde surgem bons Pinot Noirs e Sauvignons Blancs. Nessas regi\u00f5es, surgem tamb\u00e9m vinhos mais elegantes das castas tradicionais, bons de se apreciar. No pr\u00f3ximo artigo, dicas de bons vinhos e de lugares para apreci\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Para saber mais sobre turmas abertas de forma\u00e7\u00e3o em vinhos da Escola Cafa, de Bordeaux, entre outros projetos realizados por Miriam Aguiar, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>miriamaguiar.com.br<\/u><\/a><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Malbec \u00e9 o s\u00edmbolo do pa\u00eds, mas a bola da vez \u00e9 a Cabernet Franc. 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