{"id":2035,"date":"2025-09-01T13:42:10","date_gmt":"2025-09-01T13:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=2035"},"modified":"2025-09-01T13:42:10","modified_gmt":"2025-09-01T13:42:10","slug":"mar-e-montanha-equilibram-o-amadurecimento-das-uvas-na-corsega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/mar-e-montanha-equilibram-o-amadurecimento-das-uvas-na-corsega\/","title":{"rendered":"Mar e montanha equilibram o amadurecimento das uvas na C\u00f3rsega"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>S\u00e3o tr\u00eas castas principais e h\u00e1 um resgate de nativas em curso<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>A ilha da Beleza, ontem italiana, hoje francesa, tem l\u00edngua pr\u00f3pria e uma identidade que o contorno das \u00e1guas parece preservar. \u00c9 assim que nos parece, em sua soma de cultura, paisagem, gastronomia e vinhos. Entre as faces italiana e francesa, a primeira ressoa mais forte, mas o territ\u00f3rio e o que nele se produz adquirem um sotaque inegavelmente corso.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as nossas propor\u00e7\u00f5es, a C\u00f3rsega \u00e9 pequena: s\u00e3o apenas 182 km de norte a sul e menos de 84 km de leste a oeste. E, em vinhedos, a superf\u00edcie \u00e9 bem menor: em torno de 6 mil ha, distribu\u00eddos perto da costa, formando um anel ao redor da ilha. A C\u00f3rsega \u00e9 mar, mas \u00e9 muito mais montanha e, em seu interior, \u00e9 dif\u00edcil plantar. Cerca de 90% da ilha \u00e9 formada por montanhas muito altas, cujo pico chega a 2.700 m, no Monte Sino. A altitude m\u00e9dia dos vinhedos \u00e9 de 300m, n\u00e3o muito longe do mar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-28-at-18.16.37-1-768x1024.jpeg\" alt=\"Vinhedo C\u00f3rsega\" class=\"wp-image-306659\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fundada pelos gregos, sua viticultura foi iniciada em 570 a.C., antes mesmo de eles chegarem a Marselha, considerada o marco inicial franc\u00eas. Por\u00e9m, naquele per\u00edodo, o territ\u00f3rio n\u00e3o era franc\u00eas, o que s\u00f3 veio a acontecer bem depois. Os romanos vieram ap\u00f3s os gregos e ajudaram a desenvolver a produ\u00e7\u00e3o de vinhos, at\u00e9 que a ilha foi aterrorizada por piratas sarracenos e mouros, o que levou ao abandono da costa e de outros neg\u00f3cios importantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os s\u00e9culos 8 e 18, a C\u00f3rsega foi governada por G\u00eanova, que manteve o monop\u00f3lio sobre todas as suas exporta\u00e7\u00f5es de vinho. Filoxera, guerras e um per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o em volume explicam, em parte, por que a produ\u00e7\u00e3o de qualidade ainda \u00e9 pouco conhecida e relativamente recente.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, houve um trabalho de nivelamento ao status da produ\u00e7\u00e3o francesa, com o estabelecimento das denomina\u00e7\u00f5es de origem. Mais recentemente, h\u00e1 um movimento arrojado de produtores visando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma identidade mais genu\u00edna de seus vinhos, que inclui o resgate de cepas antigas e a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos pouco intervencionistas para a express\u00e3o do terroir. Vinhos org\u00e2nicos e biodin\u00e2micos se multiplicam pouco a pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, o clima da C\u00f3rsega \u00e9 mediterr\u00e2neo, com invernos moderados e ver\u00f5es bem calorosos, com esta\u00e7\u00e3o seca. A proximidade do mar leva cont\u00ednuas correntes de vento para o interior dos vinhedos, e a altitude diminui o efeito da temperatura alta diurna no ver\u00e3o. A amplitude t\u00e9rmica modera o ritmo do amadurecimento, e os vinhos agradecem.<\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade geol\u00f3gica \u00e9 um grande valor, que ajuda na nutri\u00e7\u00e3o das vinhas e na distinta express\u00e3o sub-regional. \u00c9 um territ\u00f3rio que resulta, em parte, dos movimentos de colis\u00e3o e eleva\u00e7\u00e3o alpina e, em parte, da decomposi\u00e7\u00e3o da base gran\u00edtica pr\u00e9-alpina. Solos de v\u00e1rias \u00e9pocas se fundiram ao longo do tempo e se sobrep\u00f5em, criando uma not\u00e1vel complexidade geol\u00f3gica. Apesar de se apresentarem mistos em profundidades, h\u00e1 \u00e1reas com claro predom\u00ednio de solos gran\u00edticos (sul e oeste da ilha), de forma\u00e7\u00f5es xistosas (norte \u2013 Cap Corse), do dueto argilo-calc\u00e1rio (AOC Patrimonio e partes de Bonifacio) e do solo pedregoso de aluvi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas cepas principais, duas tintas e uma branca. A Niellucciu (Sangiovese corsa) \u00e9 a tinta majorit\u00e1ria e foi plantada ali no per\u00edodo em que a cidade-estado italiana de Pisa conquistou a C\u00f3rsega. A segunda tinta mais importante, em franco crescimento, \u00e9 a Sciaccarellu (Mammolo), apelidada de Pinot Noir selvagem da C\u00f3rsega. Ambas s\u00e3o vinificadas como varietais ou em cortes, que podem incluir outras tintas mais internacionais, como a Grenache, Syrah e Cinsault, ou cepas antigas em crescente revitaliza\u00e7\u00e3o: Biancu Gentile, Genov\u00e8se (brancas), Carcajolo Nero, Minustellu (tintas), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>A branca mais plantada e completamente consagrada em todas as sub-regi\u00f5es \u00e9 a Vermentino: cepa origin\u00e1ria do Peloponeso, Gr\u00e9cia, que se espalhou pela regi\u00e3o mediterr\u00e2nea, mas que tem brilho particular na C\u00f3rsega. Boa parte dos vinhos brancos \u00e9 feita 100% ou em parte com a Vermentino, uma variedade muito rica aromaticamente, com bom equil\u00edbrio \u00e1lcool\/acidez, que pode ser bebida jovem, mas ganha requintes de complexidade com a idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiremos abordando os vinhedos da C\u00f3rsega nos pr\u00f3ximos artigos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o tr\u00eas castas principais e h\u00e1 um resgate de nativas em curso A ilha da Beleza, ontem italiana, hoje francesa, tem l\u00edngua pr\u00f3pria e uma identidade que o contorno das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[370],"class_list":["post-2035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil","tag-corsega"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15.jpeg",1600,1200,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-300x225.jpeg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-768x576.jpeg",768,576,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-1024x768.jpeg",1024,768,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-1536x1152.jpeg",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15.jpeg",1600,1200,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-100x75.jpeg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-370x259.jpeg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-570x399.jpeg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-770x482.jpeg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/artigo_15-1170x480.jpeg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"S\u00e3o tr\u00eas castas principais e h\u00e1 um resgate de nativas em curso A ilha da Beleza, ontem italiana, hoje francesa, tem l\u00edngua pr\u00f3pria e uma identidade que o contorno das [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2035"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2037,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2035\/revisions\/2037"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}