{"id":198,"date":"2019-05-24T14:36:49","date_gmt":"2019-05-24T14:36:49","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=198"},"modified":"2021-03-10T13:58:48","modified_gmt":"2021-03-10T13:58:48","slug":"chile-expansao-e-desafios-de-diversificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/chile-expansao-e-desafios-de-diversificacao\/","title":{"rendered":"Chile: expans\u00e3o e desafios de diversifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fazer vinhos concentrados e equilibrados nem sempre \u00e9 a regra, requer expertise e terroir.<\/h2>\n\n\n\n<p>Com uma voca\u00e7\u00e3o incontest\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos, o Chile vem logrando um \u00eaxito econ\u00f4mico neste campo desde que sua vitivinicultura se modernizou e, a exemplo de protagonistas do Novo Mundo do Vinho, como a Calif\u00f3rnia, explorou o seu potencial geogr\u00e1fico para fazer um vinho que atenda ao gosto da cr\u00edtica e do consumidor contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a institui\u00e7\u00e3o promotora dos vinhos chilenos, Wines of Chile, a ind\u00fastria vitivin\u00edcola \u00e9 hoje uma das mais significativas para o pa\u00eds, que emprega mais de 100 mil pessoas, representa 0,5% de seu PIB e 16,5% das exporta\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias. S\u00e3o cerca de 800 vin\u00edcolas (<em>vi\u00f1as<\/em>) em funcionamento atualmente, sendo que o grande quantitativo se concentra nas regi\u00f5es do Maule e O\u2019Higgins.<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo interno de bebidas alco\u00f3licas no Chile se divide principalmente entre cerveja, vinho, pisco e drinques, mas o que garante o \u00eaxito econ\u00f4mico vin\u00edcola s\u00e3o as taxas de exporta\u00e7\u00e3o, certamente favorecidas n\u00e3o apenas pela qualidade do seu vinho, mas tamb\u00e9m por ter competitividade de pre\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o a outros produtores mundiais de destaque e por ter vizinhos que em sua maioria ainda o amea\u00e7am pouco nesse quesito, com exce\u00e7\u00e3o da Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o Chile \u00e9 um dos primeiros no ranking de exporta\u00e7\u00e3o mundial de vinhos e este status tem hist\u00f3rico recente: de 43 milh\u00f5es de litros exportados em 1995 pulou para 355 milh\u00f5es em 2002 e em 2016 chegou a cerca de 907 milh\u00f5es de litros (dados OIV). Dentre os vinhos importados pelo Brasil, os chilenos s\u00e3o campe\u00f5es, e isso certamente \u00e9 muito positivo para eles, pois, afinal, se o consumo per capita de vinhos do brasileiro fica, oficialmente, em torno dos \u00ednfimos 2 litros anuais, somos 210 milh\u00f5es \u2013 nada desprez\u00edvel em n\u00fameros absolutos. Ademais, h\u00e1 uma elite brasileira que consome produtos de alta gama.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se tem notado, e que eu vejo com bons olhos (e com alegria no paladar), \u00e9 uma natural evolu\u00e7\u00e3o da vitivinicultura, no sentido n\u00e3o s\u00f3 de aprimorar a qualidade dos produtos, mas tamb\u00e9m de investir na explora\u00e7\u00e3o de novos territ\u00f3rios e pr\u00e1ticas, visando ao refinamento do estilo de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que significa isso? Pode-se dizer que, quando chegaram os frutos bem sucedidos da fase de moderniza\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o, notadamente no final dos anos 1990 e primeira d\u00e9cada de 2000, os vinhos buscavam seguir o modelo californiano: vinhos muito concentrados, alco\u00f3licos e carregados de madeira. Certamente, vinhos que impressionaram muitos e que contam com muitos amantes, at\u00e9 porque \u00e9 um estilo que se inspira na escola de Bordeaux, frequentada por muitos en\u00f3logos do mundo e base da enologia mundial. N\u00e3o h\u00e1 problema em se fazer vinhos concentrados, mas fazer vinho concentrados e equilibrados nem sempre \u00e9 a regra, requer expertise e terroir, caso contr\u00e1rio, eles podem ficar excessivos e deselegantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1reas que primeiro se destacaram no Chile moderno se encontram no Valle Central, grande regi\u00e3o extremamente apta \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de vinhos (especialmente tintos), que conta com o chamado clima mediterr\u00e2neo \u2013 com esta\u00e7\u00f5es quentes e secas no ver\u00e3o e chuvas concentradas no inverno \u2013 o que favorece a matura\u00e7\u00e3o otimizada das uvas e torna baixo o risco de doen\u00e7as v\u00ednicas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Chile, a adapta\u00e7\u00e3o de uvas tintas de matura\u00e7\u00e3o tardia, como Cabernet Sauvignon e, mais tarde, a Carmenere, antes confundida com a Merlot, foi e \u00e9 extraordin\u00e1ria. O que pode ocorrer, entretanto, \u00e9 que esse clima quente e seco n\u00e3o combinado com outros fatores gere vinhos excessivamente alco\u00f3licos, de baixa acidez e baixa versatilidade de consumo. Para evitar isso, s\u00e3o necess\u00e1rias vontade, ousadia e algumas movimenta\u00e7\u00f5es que t\u00eam se mostrado bastante vi\u00e1veis em pa\u00edses como o Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, h\u00e1 mais do que clima mediterr\u00e2neo no Chile \u2013 uma combina\u00e7\u00e3o de fatores torna esse pa\u00eds de perfil geogr\u00e1fico incomum extremamente aproveit\u00e1vel \u00e0 vitivinicultura. H\u00e1 que se dizer que as vinhas vivem muito bem em alguns lugares que poucos sobrevivem. Isso, aliado \u00e0 desenvolvida tecnologia atual, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como pode gerar resultados fant\u00e1sticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O territ\u00f3rio do Chile \u00e9 como um longo e estreito corredor de norte a sul, tendo, a oeste, o oceano Pac\u00edfico e, a leste, a Cordilheira dos Andes. A fria Corrente de Humboldt do Oceano Pac\u00edfico refresca o forte calor e modera a insola\u00e7\u00e3o excessiva nos vinhedos. Das partes altas da Cordilheira dos Andes, massas de ar frias descem diariamente das montanhas, moderando a temperatura dos vinhedos do leste e garantindo uma boa circula\u00e7\u00e3o de ar \u2013 essencial para impedir risco de geadas, fungos e pragas, inimigos t\u00edpicos das uvas vin\u00edferas.<\/p>\n\n\n\n<p>De leste a oeste, norte a sul est\u00e3o os vales dos vinhos chilenos, que cada vez mais se multiplicam, ocupando \u00e1reas menos tradicionais e diversificando a sua produ\u00e7\u00e3o. Falaremos mais sobre essas regi\u00f5es, uvas, perfis de vinhos e novas orienta\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3ximos artigos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias do Mundo do Vinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O especialista em vinhos carioca Marcelo Copello acaba de receber da Born Digital Wine Awards, em concurso que prestigia a m\u00eddia internacional do vinho, premia\u00e7\u00e3o com o artigo sobre sustentabilidade: \u201cSustentabilidade no vinho, o planeta agradece.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre eventos, turmas abertas de forma\u00e7\u00e3o em vinhos da Cafa Wine School, de Bordeaux, entre outros projetos realizados por Miriam Aguiar, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a> \/ instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer vinhos concentrados e equilibrados nem sempre \u00e9 a regra, requer expertise e terroir. 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