{"id":194,"date":"2019-06-07T21:10:27","date_gmt":"2019-06-07T21:10:27","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=194"},"modified":"2021-03-10T11:56:40","modified_gmt":"2021-03-10T11:56:40","slug":"valle-central-do-chile-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/valle-central-do-chile-parte-1\/","title":{"rendered":"Valle Central do Chile \u2013 Parte 1"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Cabernet Sauvignon brilha em frescor e eleg\u00e2ncia no Alto Cachapoal, ao p\u00e9s dos Andes e em solos aluviais pedregosos.<\/h2>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar a explorar o Chile vitivin\u00edcola pelo seu nada modesto Valle Central, sem d\u00favida, a regi\u00e3o mais significativa, por muitos motivos, de naturezas hist\u00f3rica, geogr\u00e1fica, produtiva, econ\u00f4mica, tur\u00edstica etc. Um motivo refor\u00e7a o outro. A regi\u00e3o vitivin\u00edcola do Valle Central se estende da prov\u00edncia de Chacabuco, regi\u00e3o metropolitana de Santiago, \u00e0 prov\u00edncia de Cauquene, no Valle do Maule \u2013 vale mais a sul dos outros tr\u00eas da \u00e1rea central que se seguem setentrionalmente: Valle do Curic\u00f3, Valle do Rapel e Valle do Maipo. O Valle Central, a despeito de algumas diferen\u00e7as sub-regionais, est\u00e1 no \u00e2mago do clima de estilo mediterr\u00e2neo, mas ter\u00e1 temperaturas mais amenizadas pelas proximidades da Cordilheira dos Andes ou da Costa, vales banhados por rios, que tamb\u00e9m exercem papel importante na irriga\u00e7\u00e3o dos vinhedos e constitui\u00e7\u00e3o dos solos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Valle do Maipo, que engloba a zona metropolitana de Santiago \u2013 tanto que se \u00e9 poss\u00edvel visitar vi\u00f1as (nome mais utilizado para denominar vin\u00edcolas no Chile) como Concha y Toro e Cousino Macul via transportes p\u00fablicos de Santiago \u2013 \u00e9 tradicional e cl\u00e1ssico ao mesmo tempo. Foi ali, pr\u00f3ximo a Santiago, que foram plantadas as primeiras cepas trazidas pelos espanh\u00f3is no s\u00e9culo XVI para que o suprimento de vinho para celebra\u00e7\u00e3o das missas fosse garantido futuramente. Foi ali tamb\u00e9m que em meados do s\u00e9culo XIX se estabeleceram algumas fam\u00edlias abastadas pelo lucro da minera\u00e7\u00e3o para fundarem suas vin\u00edcolas \u2013 vi\u00f1as modelo que formam a cl\u00e1ssica vitivinicultura do Valle del Maipo e que foram privilegiadas para o turismo, uma vez coladas na capital chilena.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, no mundo do vinho, um grande produtor tem vinhedos em v\u00e1rias regi\u00f5es, justamente para diversificar sua produ\u00e7\u00e3o, mas pode-se dizer que boa parte das mais importantes vin\u00edcolas chilenas t\u00eam sua base no Valle del Maipo. Ali se encontram tamb\u00e9m mais de 70% dos vinhedos de Cabernet Sauvignon plantados, tal a sua excelente apropria\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio. H\u00e1 tr\u00eas zonas distintas: Alto Maipo, M\u00e9dio Maipo e Maipo Costa. O primeiro est\u00e1 situado no sop\u00e9 dos Andes, desde a Quebrada de Macul, em Santiago, \u00e0s margens do Rio Maipo, regi\u00f5es de Pirque, Puente Alto. Ali as temperaturas s\u00e3o mais amenas na \u00e9poca de matura\u00e7\u00e3o, o que requer aten\u00e7\u00e3o para que cepas de ciclo tardio cheguem ao seu ponto \u00f3timo, podendo, por outro lado, favorecer a boa acidez dos vinhos. No M\u00e9dio Maipo, pr\u00f3ximo \u00e0s comunas de Isla de Maipo e Talagante, \u00e9 onde a matura\u00e7\u00e3o \u00e9 generosa, apoiada por solos pedregosos: para\u00edso para Cabernet e Carm\u00e9n\u00e8re. Maipo Costa \u00e9 a \u00e1rea menos cl\u00e1ssica, atualmente mais explorada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Valle do Rapel \u00e9 outra regi\u00e3o de grande nobreza, tanto que tem sido mais denominado por suas duas sub-regi\u00f5es, tais as expressividades de suas produ\u00e7\u00f5es \u2013 s\u00e3o elas: Valle del Cachapoal e Valle de Colchagua. O primeiro fica ao norte e \u00e9 morada de vinhos tintos, da Carm\u00e9n\u00e8re, Cabernet Sauvignon e Merlot \u2013 somadas, representam 80% de sua produ\u00e7\u00e3o. O que o torna mais especial \u00e9 a sua variedade de microclimas e topografias, fazendo com que distintos vinhos surjam dessa mesma gama de varietais. A Cabernet Sauvignon brilha em frescor e eleg\u00e2ncia no Alto Cachapoal, ao p\u00e9s dos Andes e em solos aluviais pedregosos. J\u00e1 nos arredores de Peumo, dire\u00e7\u00e3o oeste, as temperaturas aumentam, favorecendo a Carm\u00e9n\u00e8re, que, em \u00e1reas expostas \u00e0 brisa do Pac\u00edfico combinadas a solos argilosos, pode conferir notas crocantes aos frutos maduros dos vinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos vinhedos do Valle de Colchagua, a sul do Rapel, tamb\u00e9m predominam as mesmas tr\u00eas castas, mas ali \u00e9 mais recente a explora\u00e7\u00e3o das extremidades orientais e ocidentais. Boa parte dos vinhedos est\u00e1 pr\u00f3xima da cidade de Santa Cruz, bem ao centro, em \u00e1reas que sofrem em parte bloqueio da influ\u00eancia oce\u00e2nica pac\u00edfica da Cordilheira Costeira, favorecendo a express\u00e3o do clima quente e seco mediterr\u00e2neo e longa matura\u00e7\u00e3o da Carm\u00e9n\u00e8re. Os vinhos que predominam s\u00e3o, portanto, potentes, alco\u00f3licos, com sabores maduros, que agradam a muitos, mas nem sempre expressam muita eleg\u00e2ncia. Isso vem levando a uma revis\u00e3o enol\u00f3gica, em busca de vinhos tintos brancos mais frescos \u2013 como eu j\u00e1 apontei no artigo anterior, reavalia\u00e7\u00f5es e diversifica\u00e7\u00f5es t\u00eam sido feitas \u00e0 medida que se promove um amadurecimento da enologia de alguns pa\u00edses do Novo Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo artigo, falaremos da parte mais setentrional do Valle Central: Valle del Curic\u00f3 e Valle del Maule, al\u00e9m de destacar nomes das vin\u00edcolas de todo o Vale Central e de alguns vinhos que as t\u00eam consagrado nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias do mundo do vinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nasce a Somm Academy, um projeto de forma\u00e7\u00e3o em vinhos, do qual fa\u00e7o parte<\/strong> \u2013 \u00c0 medida que a vitivinicultura se expande globalmente e o consumo de vinhos se destaca como sendo um h\u00e1bito cultural ligado ao prazer gastron\u00f4mico e \u00e0 qualidade de vida, tamb\u00e9m cresce o n\u00famero de forma\u00e7\u00f5es em vinhos. Escolas tradicionais se internacionalizam e novas escolas s\u00e3o criadas para prepararem melhor os profissionais do varejo (hoje ampliado e diversificado) e os amantes dos vinhos, que querem aprender como apreciar melhor a bebida.&nbsp;Concebida por Marcelo Asnis, a Somm Academy \u00e9 um projeto com este objetivo, que tem como carro-chefe a licen\u00e7a exclusiva no Brasil da ISG \u2013 International Sommelier Guild, sediada nos EUA, que j\u00e1 formou mais de 55 turmas no pa\u00eds. Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de sommelier internacional, a Somm Academy est\u00e1 desenvolvendo cursos exclusivos com diferentes temas e objetivos. Conta com um time de professores certificados ISG e com amplo conhecimento te\u00f3rico e viv\u00eancia na pr\u00e1tica, do qual faz parte a autora desta coluna.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es e inscri\u00e7\u00f5es <a href=\"http:\/\/sommacademy.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sommacademy.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre eventos, turmas abertas de forma\u00e7\u00e3o em vinhos da Cafa Wine School, de Bordeaux, entre outros projetos realizados por Miriam Aguiar, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>miriamaguiar.com.br<\/u><\/a> \/ Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>@miriamaguiar.vinhos<\/u><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cabernet Sauvignon brilha em frescor e eleg\u00e2ncia no Alto Cachapoal, ao p\u00e9s dos Andes e em solos aluviais pedregosos. 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