{"id":1932,"date":"2025-07-07T15:59:08","date_gmt":"2025-07-07T15:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1932"},"modified":"2025-07-07T15:59:08","modified_gmt":"2025-07-07T15:59:08","slug":"em-vale-tudo-2-o-vinho-e-a-bebida-preferida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/em-vale-tudo-2-o-vinho-e-a-bebida-preferida\/","title":{"rendered":"Em\u00a0Vale Tudo\u00a02, o vinho \u00e9 a bebida preferida"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Pelo menos para os Roitmans e agregados<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>O tema de hoje \u00e9 novela \u2014 ou melhor, o vinho na teledramaturgia brasileira. Mais especificamente, na novela&nbsp;<em>Vale Tudo<\/em>, que, em sua vers\u00e3o original, eu n\u00e3o cheguei efetivamente a assistir, mas tenho acompanhado em seu remake. No passado, vivenciei indiretamente as especula\u00e7\u00f5es sobre o assassinato de Odete Roitman e vi alguns clipes das cenas de Heleninha Roitman, que se tornaram um documento vivo do talento de Renata Sorrah. Agora, tendo a comodidade do streaming, posso ver a novela a qualquer momento e tenho dispon\u00edveis os cap\u00edtulos das duas vers\u00f5es, o que me permite fazer algumas compara\u00e7\u00f5es entre personagens e contextos. Foi assim que algo me chamou a aten\u00e7\u00e3o: o vinho!<\/p>\n\n\n\n<p>Meus amigos v\u00e3o dizer que vejo vinho em tudo\u2026 e n\u00e3o \u00e9 mentira! Mas gostaria de saber se as pessoas t\u00eam notado que o vinho entrou&nbsp;<em>pra valer<\/em>&nbsp;na narrativa da nova vers\u00e3o de&nbsp;<em>Vale Tudo<\/em>. E o mais interessante \u00e9 que ele n\u00e3o est\u00e1 entrando como um quadro contratado, em forma de&nbsp;<em>merchandising<\/em>, como tem acontecido com outros produtos \u2014 de forma at\u00e9 grosseira e excessivamente propagand\u00edstica. N\u00e3o. O vinho que tenho visto n\u00e3o \u00e9 aquele com garrafa e nome do produto, numa cena criada para a entrada da marca. O vinho tem entrado em cena com uma frequ\u00eancia, para mim, surpreendente, permeando o cotidiano dos personagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte das cenas que mostram encontros rom\u00e2nticos ou entre amigos, jantares em restaurantes ou em casa, reuni\u00f5es familiares, entre outros, envolve ta\u00e7as de vinho. E n\u00e3o estamos falando de um filme que se passa na Fran\u00e7a, na It\u00e1lia, ou de uma novela cujo contexto \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de vinho. Estamos falando de uma novela cujas cenas se passam, em grande parte, no Rio de Janeiro, especialmente no contexto elitizado das fam\u00edlias e amigos dos Roitman. Mesmo sendo um ambiente mais propenso ao consumo de vinho, h\u00e1 certamente uma representa\u00e7\u00e3o que mostra o deslocamento do lugar desse produto no Brasil ao longo de 20 a 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se verifica as cenas semelhantes na vers\u00e3o original, a bebida que permeava esse cotidiano da elite era o u\u00edsque \u2014 bebida que hoje ficou mais associada a poucas situa\u00e7\u00f5es e a alguns personagens. O u\u00edsque continua presente, especialmente quando a bebida alco\u00f3lica aparece como algo t\u00f3xico, como nas reca\u00eddas de Heleninha. Nesta e na outra vers\u00e3o, o u\u00edsque \u00e9 a bebida por excel\u00eancia do personagem Rubinho, o doce pianista frustrado que afoga suas m\u00e1goas ao lado de um copo e se empanturra de cigarros. O personagem morre cedo, encarnando o imagin\u00e1rio de algu\u00e9m com h\u00e1bitos autodestrutivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, na vers\u00e3o de 1988, Rubinho era um fumante mais agressivo do que os demais \u2014 fumava at\u00e9 enquanto comia um sandu\u00edche. Mas havia outros fumantes, e o cigarro aparecia com frequ\u00eancia em ambientes fechados \u2014 o que claramente mudou na novela e na cena da sociedade atual.<\/p>\n\n\n\n<p>E o vinho, sim, se tornou o \u201cqueridinho\u201d de v\u00e1rios encontros \u2014 muitos deles de recrea\u00e7\u00f5es moderadas, como um acompanhamento da refei\u00e7\u00e3o. Ele aparecia, sim, mas eventualmente na vers\u00e3o original e, em muitos casos, em forma de espumante para grandes comemora\u00e7\u00f5es, bebido n\u00e3o em&nbsp;<em>fl\u00fbtes<\/em>, mas naquelas ta\u00e7as bem abertas para champanhe, que hoje quase n\u00e3o se usam mais. H\u00e1 uma cena de comemora\u00e7\u00e3o familiar, dentro do segmento mais classe m\u00e9dia da novela, em que o vinho que aparece \u00e9 um tinto de garraf\u00e3o de 5 litros \u2014 hoje ainda presente no mercado, mas pouco evidenciado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei me perguntando quais seriam as motiva\u00e7\u00f5es para a maior inclus\u00e3o do vinho nas cenas da novela. Creio que continue sendo, em parte, pela perspectiva mais sociol\u00f3gica \u201cbourdieusiana\u201d, em que o vinho e os h\u00e1bitos de consumo funcionam como sinalizadores de status \u2014 uma forma de distinguir grupos mais elitizados pelos seus h\u00e1bitos. Mas acho que pode ser tamb\u00e9m um dado representativo de que o vinho come\u00e7ou a ocupar um espa\u00e7o maior no cotidiano brasileiro, mesmo que ainda elitizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse, no contexto mais pr\u00f3ximo da vers\u00e3o original \u2014 ou seja, cerca de 20\/30 anos atr\u00e1s \u2014, o vinho era mais \u201cestrangeiro\u201d. No lugar das bebidas mais sofisticadas estavam as destiladas, especialmente o u\u00edsque, que hoje aparece menos, talvez por ser considerado mais t\u00f3xico. O vinho, na maior parte das vezes, me parece ter uma conota\u00e7\u00e3o de ser a bebida dos que \u201csabem beber\u201d moderadamente \u2014 embora, em um cap\u00edtulo recente, uma cena tenha me surpreendido: a personagem Celina, normalmente bem-comportada, se embriaga com vinho vertido em goles r\u00e1pidos, assistida por seu mordomo, que a acompanha com um&nbsp;<em>decanter<\/em>&nbsp;em punho, contendo um tinto de bela cor rubi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos para os Roitmans e agregados O tema de hoje \u00e9 novela \u2014 ou melhor, o vinho na teledramaturgia brasileira. 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