{"id":188,"date":"2019-07-05T14:56:18","date_gmt":"2019-07-05T14:56:18","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=188"},"modified":"2021-03-10T11:52:11","modified_gmt":"2021-03-10T11:52:11","slug":"do-kvevri-ao-bag-in-box","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/do-kvevri-ao-bag-in-box\/","title":{"rendered":"Do kvevri ao bag in box"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o sei quanto tempo uma mo\u00e7a ficava solteira naquela \u00e9poca, mas em nossos tempos de rela\u00e7\u00f5es ef\u00eameras, ia sobrar muito kvevri enterrado.<\/h2>\n\n\n\n<p>Na semana passada, rolou nas redes sociais uma mensagem sobre as justificativas para a capacidade das garrafas de vinhos mais usuais, isto \u00e9, de 750ml. Resolvi resgatar umas anota\u00e7\u00f5es a este respeito e variar a tem\u00e1tica em julho. Em agosto, voltamos \u00e0s outras regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>No texto, o motivo para se ter 750ml se assenta na adequa\u00e7\u00e3o da embalagem \u00e0 realidade de um dos principais e mais veteranos mercados consumidores de vinhos: a Inglaterra. A importante rela\u00e7\u00e3o entre ingleses e bordaleses (de Bordeaux, Fran\u00e7a), respectivamente consumidores e produtores de vinhos, fez marcos importantes na hist\u00f3ria do mercado de vinhos, justificando muitas pr\u00e1ticas como esta e favorecendo o \u00eaxito ou a invisibilidade de algumas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas da Fran\u00e7a e de outros pa\u00edses. O apre\u00e7o do ingl\u00eas pelo vinho clarete de Bordeaux no s\u00e9culo XII n\u00e3o se deu apenas pelo gosto, mas por rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas privilegiadas em fun\u00e7\u00e3o do posicionamento geogr\u00e1fico e de benef\u00edcios fiscais. Afinal, \u00e9 mais ou menos assim que as coisas funcionam.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao tema do acondicionamento do vinho, duas s\u00e3o as fun\u00e7\u00f5es da garrafa reconhecidas historicamente como fundamentais para a comercializa\u00e7\u00e3o do vinho: permitir o seu transporte e prolongar a sua dura\u00e7\u00e3o. Como o vinho \u00e9 um produto vivo, que segue envelhecendo, a garrafa e outros recipientes podem participar tamb\u00e9m do seu processo de matura\u00e7\u00e3o de forma programada. Na hist\u00f3ria do vinho, h\u00e1 registros de alguns formatos de acondicionamento do produto, que n\u00e3o participavam apenas da guarda e transporte, mas tamb\u00e9m do processo de produ\u00e7\u00e3o, como as jarras ou \u00e2nforas de barro e os ton\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os registros arqueol\u00f3gicos, as \u00e2nforas j\u00e1 eram utilizadas no C\u00e1ucaso, Mesopot\u00e2mia e Anat\u00f3lia desde 5000 a.C. A esse respeito, vi uma exposi\u00e7\u00e3o muito interessante no Museu La Cit\u00e9 du Vin, em Bordeaux, sobre o vinho na Ge\u00f3rgia \u2013 na qual descobri os kvevris. Os kvevris eram grandes jarras de argila que recebiam as uvas esmagadas para fermenta\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica e, posteriormente, uma vez retiradas as cascas, eram vedados e enterrados por muitos anos, contendo vinhos que seriam bebidos em ocasi\u00f5es especiais. Tinham por tradi\u00e7\u00e3o enterrar um kvevri quando uma menina nascia e s\u00f3 abri-lo novamente em seu casamento. N\u00e3o sei quanto tempo uma mo\u00e7a ficava solteira naquela \u00e9poca, mas, posso afirmar que em nossos tempos de rela\u00e7\u00f5es ef\u00eameras, ia sobrar muito kvevri enterrado por a\u00ed! (vazio)<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as \u00e2nforas de barro, vieram os ton\u00e9is, de origem gaulesa. A substitui\u00e7\u00e3o progressiva das \u00e2nforas pelos ton\u00e9is se deu pelo fato de serem mais leves, rol\u00e1veis e transport\u00e1veis no dorso de animais. Os ton\u00e9is se difundiram ao longo da Idade M\u00e9dia, do norte ao sul da Europa, compondo o cen\u00e1rio das primeiras grandes cidades mercantis europeias. Sua utiliza\u00e7\u00e3o direta para o consumo foi pouco a pouco substitu\u00edda pelas garrafas, mas eles continuaram ativos nas cantinas, onde podiam armazenar acima de 1.000 litros e participar ativamente do processo de produ\u00e7\u00e3o do vinho. Atualmente, ainda est\u00e3o presentes em cantinas mais tradicionais ou na parte antiga de muitas vin\u00edcolas j\u00e1 modernizadas, que passaram a adotar para o mesmo fim tanques de a\u00e7o inoxid\u00e1vel e barricas de carvalho, com capacidade mais usual para 225 litros.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os tanques s\u00e3o fundamentais na transforma\u00e7\u00e3o do mosto em vinho e outros procedimentos de produ\u00e7\u00e3o, os barris s\u00e3o mais utilizados para envelhecimento dos vinhos, em muitos casos com uma participa\u00e7\u00e3o bem efetiva na constru\u00e7\u00e3o de sabores, atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o entre o l\u00edquido e a tosta da madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as garrafas de vidro surgiram em Veneza, onde os romanos desenvolveram a t\u00e9cnica de fabrica\u00e7\u00e3o do vidro pelo sopro de cilindros. No entanto, at\u00e9 o s\u00e9culo XVII, eram pouco utilizadas em fun\u00e7\u00e3o do alto custo. S\u00f3 no s\u00e9culo XVIII, com a inven\u00e7\u00e3o do forno de carv\u00e3o ingl\u00eas, \u00e9 que o vinho passou dos ton\u00e9is \u00e0s garrafas mais resistentes e apropriadas para transporte e guarda dos vinhos. A garrafa de 750ml \u00e9 a mais usual. A garrafa magnum, de 1,5 litro, \u00e9 um formato que aparece muito na produ\u00e7\u00e3o europeia e que come\u00e7a a se difundir por aqui, pois tem a vantagem de ser mais adapt\u00e1vel ao consumo em fam\u00edlia ou em grupos. Al\u00e9m disso, a menor propor\u00e7\u00e3o entre oxig\u00eanio e volume de vinho facilita a sua conserva\u00e7\u00e3o. O contr\u00e1rio pode se dizer da 1\/2 garrafa, de 375ml, na qual a oxigena\u00e7\u00e3o proporcional \u00e9 maior e pode acelerar o envelhecimento, tornando-a mais apropriada a vinhos de r\u00e1pido consumo. Por outro lado, tornou-se uma op\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel ao consumo individual.<\/p>\n\n\n\n<p>Visando o transporte e a mesa do consumidor, h\u00e1 ainda hoje a populariza\u00e7\u00e3o da venda dos vinhos em tetra-packs, embalagens utilizadas para venda de sucos, leite, entre outros. As chamadas bag in box s\u00e3o utilizadas para acondicionar uma maior quantidade da bebida e s\u00e3o uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o para eventos, bares e restaurantes que servem vinhos em ta\u00e7as. Seu custo menor, aliado \u00e0 capacidade de conserva\u00e7\u00e3o e justifica\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica (menor emiss\u00e3o de carbono na produ\u00e7\u00e3o e quase integralmente recicl\u00e1vel) tem levado muitas vin\u00edcolas a adotarem tamb\u00e9m essa vers\u00e3o. Inclusive h\u00e1 pequenos produtores de vinhos org\u00e2nicos, compensando o custo normalmente superior de seus produtos com esta embalagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, a garrafa de 750ml continua bem adapt\u00e1vel ao mundo contempor\u00e2neo, por aliar aspectos produtivos \u00e0 praticidade do transporte e funcionar bem para o consumo imediato de uma ou duas pessoas numa refei\u00e7\u00e3o. Com a utiliza\u00e7\u00e3o do vac au vin (acess\u00f3rio para extrair excesso de ar da garrafa), os bebedores mais moderados podem esticar o consumo por mais uns dias, depois de aberta a garrafa, com baixo risco de perda qualitativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre eventos, turmas abertas de forma\u00e7\u00e3o em vinhos da Cafa Wine School, de Bordeaux, entre outros projetos realizados por Miriam Aguiar, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a> \/ INSTAGRAM: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei quanto tempo uma mo\u00e7a ficava solteira naquela \u00e9poca, mas em nossos tempos de rela\u00e7\u00f5es ef\u00eameras, ia sobrar muito kvevri enterrado. 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