{"id":1868,"date":"2025-03-31T11:34:49","date_gmt":"2025-03-31T11:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1868"},"modified":"2025-03-31T11:34:49","modified_gmt":"2025-03-31T11:34:49","slug":"vinhos-da-costa-central-napolitana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/vinhos-da-costa-central-napolitana\/","title":{"rendered":"Vinhos da Costa Central Napolitana"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>L\u00e1grimas que fazem sorrir e refrescar seus campos ardentes<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Na minha visita \u00e0 Campania, It\u00e1lia, al\u00e9m da sub-regi\u00e3o da Irpinia, tema do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/irpinia-sub-regiao-mais-consagrada-da-campania\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00faltimo artigo<\/a><\/strong>, selecionei \u00e1reas bem pr\u00f3ximas de N\u00e1poles para visitar, parte do que se intitula Costa Central da Campania, com forte perfil geol\u00f3gico vulc\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p>A 22 km de N\u00e1poles est\u00e1 Pompeia, a cidade romana que foi completamente queimada pelas erup\u00e7\u00f5es do Ves\u00favio em 79 d.C., cujo monte se encontra a cerca de 9 km a leste da capital napolitana. Atualmente adormecido, mas com erup\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00e3o antigas, ali se encontra a DOC Vesuvio, que forma um c\u00edrculo de encostas no entorno do vulc\u00e3o, com altitudes entre 160 m e 400 m. A superf\u00edcie deste solo \u00e9 composta por camadas profundas de cinzas vulc\u00e2nicas e lava pulverizada.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome DOC Vesuvio \u00e9 menos utilizado do que a designa\u00e7\u00e3o Lacryma Christi, efetivamente mais praticada e com longo hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o. Vinhos tintos e brancos assim denominados s\u00e3o consumidos ali h\u00e1 s\u00e9culos, muito antes da regulamenta\u00e7\u00e3o em DOC. Parte de sua popularidade adv\u00e9m do nome sugestivo, que insinua que algo misterioso jaz ali. O nome Lacryma Christi \u00e9 rodeado de lendas explicativas, como a suposi\u00e7\u00e3o de que suas terras foram batizadas pelo choro de Jesus Cristo ao constatar a queda de um peda\u00e7o do c\u00e9u no Golfo de N\u00e1poles, quando o anjo L\u00facifer foi banido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.32.46-1-768x1024.jpeg.webp\" alt=\"falanghina\" class=\"wp-image-293179\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Lacryma Christi Rosso \u00e9 produzido a partir de um corte que tem a uva Piedirosso como protagonista, podendo ser complementada pela Sciascinoso e pela Aglianico. O Lacryma Christi Bianco tem como principal uva a Coda di Volpe Bianca, podendo ter adi\u00e7\u00e3o de outras nativas, como Verdeca, Falanghina e Greco. Ambos podem ter vers\u00f5es Superiore e Riserva, e h\u00e1 ainda o Lacryma Christi Spumante e o Lacryma Christi Rosato.<\/p>\n\n\n\n<p>A cepa tinta Piedirosso \u00e9 nativa da Campania e a mais importante depois da Aglianico. Pode ser encontrada em outras \u00e1reas da regi\u00e3o, mas se adapta melhor \u00e0s terras costeiras pr\u00f3ximas de N\u00e1poles. Seu nome, Piedirosso, significa \u201cp\u00e9s vermelhos\u201d em italiano, devido ao caule avermelhado de sua videira. Seus vinhos tamb\u00e9m apresentam uma cor rubi profunda, normalmente encorpados, mas com taninos suaves, o que, em cortes, pode fazer um contraponto \u00e0 pot\u00eancia t\u00e2nica da Aglianico.<\/p>\n\n\n\n<p>A branca que assina os Lacryma Christi brancos \u00e9 tamb\u00e9m nativa, mas menos consagrada, aparecendo mais em cortes. Ainda assim, tem um perfil arom\u00e1tico interessante, que vai do c\u00edtrico ao tropical e apresenta notas picantes. A acidez natural da Coda di Volpe Bianca \u00e9 mais baixa, mas \u00e9 valorizada pelos solos vulc\u00e2nicos da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra \u00e1rea visitada chama-se Campi Flegrei, uma zona subestimada, que me foi apresentada pelo especialista em vinhos Mario Trano, napolitano que prometeu me surpreender com os vinhos da Falanghina produzidos ali, uma vez que eu comentei que muitos vinhos dessa cepa servidos em N\u00e1poles n\u00e3o tinham nada de especial. De fato, n\u00e3o s\u00f3 a singularidade de sua express\u00e3o naquele territ\u00f3rio me surpreendeu, como tamb\u00e9m o lugar em si. Quase como uma extens\u00e3o de N\u00e1poles, Campi Flegrei (\u201cCampos Ardentes\u201d em italiano) \u00e9 o nome que se d\u00e1 a uma enorme cratera vulc\u00e2nica (uma caldeira submersa), sobre a qual foram constru\u00eddas muitas vidas, inclusive vin\u00edcolas importantes. A regi\u00e3o tem tido uma atividade s\u00edsmica significativa recentemente, sendo considerada uma \u00e1rea de risco para futuras erup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que nunca vi uma \u00e1rea de vinhedos t\u00e3o metropolitana, que se mistura com os quintais da cidade. As vinhas chegaram ali com os gregos e hoje coexistem com o espa\u00e7o urbano, muitas vezes apertadas em \u00e1reas inclinadas e dif\u00edceis de trabalhar. Fomos visitar a Cantina La Sibilla, da fam\u00edlia Vicenzo de Meo, produtores h\u00e1 cinco gera\u00e7\u00f5es. Apesar da proximidade mar\u00edtima, o clima ali \u00e9 mais seco do que no restante da Campania. H\u00e1 safras que ficam sem chuva por sete meses, e a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 proibida, especialmente porque a \u00e1rea tem vulc\u00f5es submersos e \u00e1gua salgada, com temperatura de 60 \u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.32.45-1024x768.jpeg.webp\" alt=\"Produtor de La Sibilla\" class=\"wp-image-293180\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Produtor de La Sibilla<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A grande estrela da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a cepa branca Falanghina, hoje uma das uvas mais populares da Campania, que d\u00e1 origem a vinhos varietais e de corte, bem como a espumantes e vinhos doces. Sua qualidade pode variar muito e s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiramente experimentada com bons produtores, como o La Sibilla, que trabalha apenas com vinhas de p\u00e9 franco, uma vez que a regi\u00e3o n\u00e3o foi impactada pela filoxera. Predominam vinhos brancos varietais, sem passagem por madeira, que exibem a express\u00e3o da uva nesse territ\u00f3rio: aromas de frutas brancas e tropicais, com notas florais e herbais, num vinho de acidez crocante, valorizada pela salinidade mineral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1grimas que fazem sorrir e refrescar seus campos ardentes Na minha visita \u00e0 Campania, It\u00e1lia, al\u00e9m da sub-regi\u00e3o da Irpinia, tema do\u00a0\u00faltimo artigo, selecionei \u00e1reas bem pr\u00f3ximas de N\u00e1poles para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1869,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[135,347,263],"class_list":["post-1868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil","tag-italia","tag-napolitana","tag-vinhos"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5.jpeg",1600,1200,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-300x225.jpeg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-768x576.jpeg",768,576,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-1024x768.jpeg",1024,768,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-1536x1152.jpeg",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5.jpeg",1600,1200,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-100x75.jpeg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-370x259.jpeg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-570x399.jpeg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-770x482.jpeg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/artigo_5-1170x480.jpeg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"L\u00e1grimas que fazem sorrir e refrescar seus campos ardentes Na minha visita \u00e0 Campania, It\u00e1lia, al\u00e9m da sub-regi\u00e3o da Irpinia, tema do\u00a0\u00faltimo artigo, selecionei \u00e1reas bem pr\u00f3ximas de N\u00e1poles para [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1868"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1870,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1868\/revisions\/1870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}