{"id":1807,"date":"2025-02-10T13:58:32","date_gmt":"2025-02-10T13:58:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1807"},"modified":"2025-02-10T13:58:32","modified_gmt":"2025-02-10T13:58:32","slug":"os-caminhos-dos-vinhos-da-campania-italia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/os-caminhos-dos-vinhos-da-campania-italia\/","title":{"rendered":"Os caminhos dos vinhos da Campania, It\u00e1lia"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Ra\u00edzes gregas e vulc\u00e2nicas numa paisagem espetacular<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Aproveito o calor escaldante do Rio de Janeiro neste ver\u00e3o para retomar a cobertura da minha viagem por algumas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do sul da It\u00e1lia, em parte j\u00e1 abordada em outros artigos. A viagem teve dois principais pontos de parada: a \u00e1rea do Etna, no nordeste da Sic\u00edlia, j\u00e1 tratada em&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/vinhos-do-sul-da-italia-que-contrariam-o-padrao-estilistico-mediterraneo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dois artigos<\/a><\/strong>, e a regi\u00e3o da Campania, tema deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se recorrermos \u00e0 analogia entre o mapa da It\u00e1lia e o formato de uma bota, a Campania est\u00e1 bem ao sul da pen\u00ednsula, no lado oeste, como se fosse a parte anterior da bota, que cobre o tornozelo. \u00c9 banhada pelo Mar Tirreno e tem como capital N\u00e1poles. Chegar \u00e0s terras napolitanas em julho me fez lembrar do ver\u00e3o carioca. Afinal, ambas s\u00e3o belas, excessivamente quentes no ver\u00e3o e imersas em um ritmo meio ca\u00f3tico de funcionamento. Mas, por tr\u00e1s dessa ilus\u00e3o de \u00f3tica, h\u00e1 diferen\u00e7as profundas, e uma delas \u00e9 a presen\u00e7a hist\u00f3rica do vinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/explorando-o-sul-da-italia-e-seus-rebentos-vulcanicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Explorando o sul da It\u00e1lia e seus rebentos vulc\u00e2nicos<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A It\u00e1lia \u00e9 uma terra de vinhos, com produ\u00e7\u00e3o variada e presente em diversas regi\u00f5es. O sul da It\u00e1lia est\u00e1 frequentemente associado a vinhos de volume, mas h\u00e1 \u00e1reas diferenciadas. Assim como destaquei a \u00e1rea do Etna, na Sic\u00edlia, como um ponto de excel\u00eancia da ilha, a Campania exerce esse papel na produ\u00e7\u00e3o vitivin\u00edcola do sul italiano. Isso se deve a uma soma de fatores: hist\u00f3ria, clima, solos, cepas aut\u00f3ctones e, ainda, condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a sustentabilidade do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Campania tem a segunda maior densidade populacional da It\u00e1lia, ficando atr\u00e1s apenas da Lombardia. N\u00e1poles \u00e9 a terceira cidade mais populosa do pa\u00eds, com uma \u00e1rea metropolitana que abriga aproximadamente 4,4 milh\u00f5es de habitantes. O litoral da Campania \u00e9 um dos destinos mais cobi\u00e7ados da Europa, onde se encontra a Costa Amalfitana, com suas paisagens paradis\u00edacas e muitos deleites gastron\u00f4micos. Ali perto tamb\u00e9m est\u00e1 Pompeia, um dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos mais preservados do mundo, marcado pelo tr\u00e1gico registro da erup\u00e7\u00e3o do Ves\u00favio.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a forte rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Campania com o vinho seja menos evidenciada ao grande p\u00fablico diante dos atrativos naturais e culturais da regi\u00e3o. Nem sempre, no contexto tur\u00edstico mais gen\u00e9rico, est\u00e3o dispon\u00edveis os melhores vinhos, e pode acontecer de, na hora de pedir um bom vinho no restaurante, os r\u00f3tulos famosos da Toscana e do Piemonte roubarem a cena das riquezas locais. O que \u00e9 uma pena, pois vale muito a pena conhecer suas maravilhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma das mais antigas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas da It\u00e1lia, introduzida pelos gregos, que trouxeram videiras e institu\u00edram a pr\u00e1tica de cultivo de uvas em arbustos, o que ajuda a administrar \u00e1reas de baixa precipita\u00e7\u00e3o e o alto n\u00edvel de insola\u00e7\u00e3o recebido no ver\u00e3o. A regi\u00e3o concentra o maior n\u00famero de DOCGs do sul da It\u00e1lia, denomina\u00e7\u00e3o m\u00e1xima concedida apenas a produ\u00e7\u00f5es com hist\u00f3rico vitivin\u00edcola significativo para o pa\u00eds e que, uma vez institu\u00edda, imp\u00f5e crit\u00e9rios rigorosos para a manuten\u00e7\u00e3o da qualidade dos vinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da proximidade costeira, assim como em outras \u00e1reas italianas, predomina uma topografia irregular: apenas 15% de seu territ\u00f3rio \u00e9 formado por plan\u00edcies e, \u00e0 medida que nos afastamos da costa e seguimos em dire\u00e7\u00e3o ao interior, o relevo se eleva rapidamente. O clima \u00e9 mediterr\u00e2neo, com uma longa esta\u00e7\u00e3o de matura\u00e7\u00e3o para as uvas, mas a altitude garante uma boa varia\u00e7\u00e3o de temperatura entre o dia e a noite, favorecendo a manuten\u00e7\u00e3o de \u00f3timos n\u00edveis de acidez em suas \u00e1reas nobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Predominam as uvas tintas (60%), algo comum em climas mediterr\u00e2neos, mas a produ\u00e7\u00e3o de brancos tem seu pr\u00f3prio brilho, com uvas aut\u00f3ctones que surpreendem pela riqueza arom\u00e1tica, frescor e mineralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mineralidade: eis a\u00ed um ponto forte, que pautou a escolha da regi\u00e3o para as minhas visitas. Os solos s\u00e3o, de algum modo, impactados pela atividade vulc\u00e2nica \u2014 meio adormecida em algumas \u00e1reas e em outras nem tanto. Podem ser estritamente vulc\u00e2nicos ou conter algum material vulc\u00e2nico combinado com outros tipos de solo, como calc\u00e1rio, arenito e argila calc\u00e1ria. Essa caracter\u00edstica \u00e9 percept\u00edvel pela frescura mineral dos vinhos e pela salinidade em boca. Seguimos com mais detalhes sobre os vinhos da Campania nos pr\u00f3ximos artigos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ra\u00edzes gregas e vulc\u00e2nicas numa paisagem espetacular Aproveito o calor escaldante do Rio de Janeiro neste ver\u00e3o para retomar a cobertura da minha viagem por algumas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do sul [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1808,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[135,263,272],"class_list":["post-1807","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil","tag-italia","tag-vinhos","tag-vitivinicultura"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2.jpg",1920,1280,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-768x512.jpg",768,512,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-1024x683.jpg",1024,683,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-1536x1024.jpg",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2.jpg",1920,1280,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-100x75.jpg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-370x259.jpg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-570x399.jpg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-770x482.jpg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/artigo_2-1170x480.jpg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":2,"uagb_excerpt":"Ra\u00edzes gregas e vulc\u00e2nicas numa paisagem espetacular Aproveito o calor escaldante do Rio de Janeiro neste ver\u00e3o para retomar a cobertura da minha viagem por algumas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do sul [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1807"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1809,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1807\/revisions\/1809"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1808"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}