{"id":1716,"date":"2024-07-05T18:00:00","date_gmt":"2024-07-05T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1716"},"modified":"2024-07-06T22:13:08","modified_gmt":"2024-07-06T22:13:08","slug":"jean-claude-mas-veio-ao-brasil-lancar-novos-rotulos-do-languedoc-roussillon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/jean-claude-mas-veio-ao-brasil-lancar-novos-rotulos-do-languedoc-roussillon\/","title":{"rendered":"Jean-Claude Mas veio ao Brasil lan\u00e7ar novos r\u00f3tulos do Languedoc-Roussillon"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Domaine Paul Mas \u00e9 considerada revolucion\u00e1ria no conceito de vinhos do Sul da Fran\u00e7a.<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Recentemente, esteve no Rio de Janeiro o produtor Jean-Claude Mas, propriet\u00e1rio da Domaine Paul Mas, sediada na regi\u00e3o vit\u00edcola do Languedoc-Roussillon, no Sul da Fran\u00e7a. Nascido em P\u00e9zenas, seu interesse pela vitivinicultura foi despertado desde cedo pelo contato familiar com o av\u00f4, produtor de vinhos. Antes de seguir o mesmo destino, explorou outros universos pessoal e profissionalmente. Formou-se em Economia e Publicidade, passou temporadas em outras regi\u00f5es da Fran\u00e7a, na Inglaterra e nos EUA, onde se envolveu em projetos voltados para o mercado de vinhos, bem como com outra paix\u00e3o: carros e motos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi no in\u00edcio dos anos 1990 que a produ\u00e7\u00e3o de vinhos firmou suas bases, a partir de uma experi\u00eancia profissional em Bordeaux e do encontro com o produtor italiano Giorgio Grai, que o estimulou a criar os primeiros vinhos. Hoje, ele se tornou uma importante refer\u00eancia para a cria\u00e7\u00e3o da identidade moderna dos vinhos do Languedoc \u2013 uma terra francesa muito apta \u00e0 viticultura, com hist\u00f3rico longevo de produ\u00e7\u00e3o, mas que por muito tempo esteve associada aos vinhos de mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal hist\u00f3rico n\u00e3o estaria relacionado \u00e0 falta de potencial qualitativo regional, e sim a um investimento pouco orientado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de qualidade, com certa acomoda\u00e7\u00e3o ao status de grande fornecedor franc\u00eas de vinhos de volume. Quest\u00f5es complexas envolvendo toda a configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica da vitivinicultura do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/WhatsApp-Image-2024-07-05-at-17.26.46-edited.jpeg.webp\" alt=\"Languedoc-Roussillon\" class=\"wp-image-270733\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Garrafa de Languedoc<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que o Languedoc, assim como o Roussillon (\u00e1rea mais ao sul da Fran\u00e7a, pr\u00f3xima de Perpignan e da fronteira espanhola), vem passando por uma grande revolu\u00e7\u00e3o produtiva, e o Domaine Paul Mas \u00e9 um dos principais protagonistas dessa renova\u00e7\u00e3o. Jean-Claude Mas representa a quarta gera\u00e7\u00e3o de vignerons da fam\u00edlia e fundou a vin\u00edcola em 2000. Seu perfil empreendedor \u00e9 impressionante, pois, de um pequeno neg\u00f3cio familiar, oriundo de 35 hectares herdados, ele passou a 15 propriedades, espalhadas ao longo do Languedoc-Roussillon, desde o Departamento de Gard aos Pireneus Orientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para produzir cerca de 25 milh\u00f5es de garrafas, distribu\u00eddas em mais de 70 pa\u00edses, ele conta com 940 hectares de vinhedos pr\u00f3prios, al\u00e9m de 1500 hectares de vinhedos parceiros. Um acervo de 45 cepas, incluindo aut\u00f3ctones, internacionais e outras menos conhecidas \u2013 o que permite uma excelente diversifica\u00e7\u00e3o produtiva. Os vinhos da Domaine Paul Mas s\u00e3o importados pela Importadora Decanter no Brasil, um bra\u00e7o pequeno de seu enorme mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo curioso \u00e9 que, apesar de o Languedoc-Roussillon ser mais conhecido pelos seus vinhos tintos, alinhados com o perfil de clima predominantemente mediterr\u00e2neo (com longa esta\u00e7\u00e3o de matura\u00e7\u00e3o), parte significativa de seu portf\u00f3lio \u00e9 de vinhos brancos. O produtor explora a altitude de alguns terroirs para plantar cepas brancas, que podem contar com uma boa diferen\u00e7a de temperaturas entre o dia e a noite, diminuindo o ritmo do amadurecimento e preservando melhor a acidez. Sua paix\u00e3o pelos vinhos brancos o estimulou a incorporar t\u00e9cnicas e tecnologias que valorizam a express\u00e3o arom\u00e1tica da fruta, bem como o equil\u00edbrio entre a\u00e7\u00facares e acidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, que sou tamb\u00e9m uma apaixonada por vinhos brancos, pude comprovar a qualidade de alguns presentes na degusta\u00e7\u00e3o. Sauvignon Blanc, Chardonnay, Gewurztraminer (surpresa nessa regi\u00e3o) e Viognier fazem parte da gama de vinhos dispon\u00edveis no Brasil, al\u00e9m de v\u00e1rios tintos. A Viognier, inicialmente mais identificada com a regi\u00e3o do Vale do Rh\u00f4ne, hoje \u00e9 uma das vedetes do Languedoc; faz vinhos varietais de puro prazer, com notas arom\u00e1ticas muito evidentes de frutas de caro\u00e7o (p\u00eassego, damasco) e toques florais.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguem trechos do meu bate-papo com o produtor:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/WhatsApp-Image-2024-07-05-at-17.26.46-1-edited.jpeg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-270729\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00edriam Aguiar e Jean-Claude Mas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A CULTURA BRASILEIRA \u00c9 BELA!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 quanto tempo seus vinhos s\u00e3o importados pelo Brasil?<br>Jean-Claude:<\/strong>\u00a012 anos, sempre com a importadora Decanter.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Tem percebido alguma mudan\u00e7a neste p\u00fablico consumidor?<br><\/strong>Tem sete anos que eu n\u00e3o venho ao Brasil, por isso \u00e9 dif\u00edcil saber se o mercado mudou, especialmente depois da pandemia. O que me surpreende \u00e9 a import\u00e2ncia da rede social para o p\u00fablico brasileiro. O n\u00famero de vinhos comentados pela rede \u00e9 grande; acho isso \u00fanico no mundo. H\u00e1 tamb\u00e9m um movimento por parte dos jovens e isso \u00e9 um valor para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a conex\u00e3o do seu vinho com o Brasil?<br><\/strong>Eu acho que meu vinho \u00e9 para o p\u00fablico daqui; um vinho gourmand, f\u00e1cil, frutado, bom para o paladar, para a sa\u00fade, com um car\u00e1ter convivial, que pode ligar as pessoas, notadamente os jovens. Para mim, o Brasil \u00e9 isso e eu compartilho desse mesmo sentimento. A cultura brasileira \u00e9 bela!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual seria o perfil de vinhos do Languedoc-Roussillon hoje?<br><\/strong>No Languedoc, n\u00e3o somos exatamente como a Fran\u00e7a, nem como a Espanha, nem como a It\u00e1lia. Temos um car\u00e1ter bastante \u00fanico, que \u00e9 de fazer um vinho gourmand, frutado, com paladar maduro e aberto \u00e0 diversidade. \u00c9 a \u00fanica regi\u00e3o onde podemos trabalhar com muitas uvas, onde podemos fazer assemblages de 12, 15 uvas. Assim, trata-se de uma regi\u00e3o onde a capacidade de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 extraordin\u00e1ria. Al\u00e9m disso, na regi\u00e3o mediterr\u00e2nea h\u00e1 uma regularidade de safras. O melhor clima para uvas, que existem ali h\u00e1 mais de 2000 anos. Houve uma grande mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 convers\u00e3o de vinhos de mesa a vinhos mais finos e precisamos de um pouco mais de tempo para passarmos \u00e0 categoria de grandes vinhos. Mas o reconhecimento mudou muito nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como se constitui o mercado do Domaine Paul Mas atualmente?<br><\/strong>Meu mercado \u00e9 88% internacional, porque os estrangeiros s\u00e3o mais abertos, e os franceses s\u00e3o muito conservadores, n\u00e3o gostam de mudar. O mercado brasileiro \u00e9 bom, mas os vinhos ainda s\u00e3o caros aqui. Os nossos vinhos conseguem um pre\u00e7o razo\u00e1vel ainda aqui, porque na origem s\u00e3o baratos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gostei dos vinhos da nova linha L\u2019Artisan. Pode comentar um pouco a respeito?<br><\/strong>Eu sempre valorizo o trabalho de artes\u00e3o, por isso o nome da nova linha: L\u2019Artisan. S\u00e3o vinhos que se parecem comigo e que falam de uma origem. Pinot Noir \u00e9 de Limoux, Carcassone; Grenache \u00e9 principalmente de Perpignan; Syrah \u00e9 mais Minervois; Gewurztraminer e Riesling est\u00e3o em uma \u00e1rea muito particular. Mas, para mim, o melhor exemplo do Languedoc \u00e9 a Viognier!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domaine Paul Mas \u00e9 considerada revolucion\u00e1ria no conceito de vinhos do Sul da Fran\u00e7a. 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