{"id":1606,"date":"2023-11-01T17:20:00","date_gmt":"2023-11-01T17:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1606"},"modified":"2023-11-06T16:25:33","modified_gmt":"2023-11-06T16:25:33","slug":"a-crescente-importancia-do-corte-gsm-e-a-forma-diferenciada-de-aborda-los","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-crescente-importancia-do-corte-gsm-e-a-forma-diferenciada-de-aborda-los\/","title":{"rendered":"A crescente import\u00e2ncia do corte GSM e a forma diferenciada de abord\u00e1-los"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>A Grenache e a Syrah imperam em \u00e1reas distintas do Rh\u00f4ne, mas o que conta \u00e9 a DOC<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Acabo de voltar da regi\u00e3o do Vale do Rh\u00f4ne, sudeste da Fran\u00e7a, onde eu guiei um grupo de enoturismo pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sommeliers, do Rio de Janeiro. O Rh\u00f4ne, como um todo, \u00e9 conhecido mais pelos vinhos tintos, que perfazem cerca de75% de sua produ\u00e7\u00e3o. Cruzado em boa parte de sua extens\u00e3o pelo Rio Rh\u00f4ne, que nasce nos Alpes su\u00ed\u00e7os e des\u00e1gua no Mar Mediterr\u00e2neo, a regi\u00e3o poderia ser subdividida em duas \u00e1reas, com certas semelhan\u00e7as, mas particularidades expressivas: Rh\u00f4ne Norte e Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o consagrou o corte GSM, representado pela mistura de tr\u00eas castas principais: Grenache, Syrah e Mourv\u00e8dre \u2013 que tamb\u00e9m vem sendo reproduzido em outras produ\u00e7\u00f5es mundiais. Os cortes ou blend de uvas s\u00e3o praticados em muitas regi\u00f5es. Trata-se de uma concep\u00e7\u00e3o que busca equilibrar o produto com perfis diferenciados de uvas, que podem se complementar, balanceando mais o vinho.<\/p>\n\n\n\n<p>A Grenache \u00e9 uma cepa que apresenta grande potencial alco\u00f3lico, mas faz vinhos de cor, taninos e acidez mais moderados, enquanto a Syrah, ao contr\u00e1rio, apresenta grande concentra\u00e7\u00e3o de cor, tanino e boa acidez, e a Mourv\u00e8dre tem \u00f3tima estrutura t\u00e2nica e cor concentrada, mas com menor acidez. Elas se complementam ainda quanto aos aromas: a Grenache traz bastante fruta vermelha, a Syrah segue mais na linha dos frutos negros e especiarias, e a Mourv\u00e8dre traz toques mais defumados e animais.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, no entanto, uma primazia significativa da Grenache nos vinhos do Rh\u00f4ne Sul, j\u00e1 que ela perfaz mais de 70% da superf\u00edcie de vinhedos e, em alguns vinhos, apresenta uma propor\u00e7\u00e3o que, certamente, em produ\u00e7\u00f5es mais modernas, poderia ser rotulada como um vinho varietal da Grenache.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque no universo dos pa\u00edses de vitivinicultura mais recente, h\u00e1 uma grande tend\u00eancia a se privilegiar a rotulagem que identifica os vinhos pela sua uva majorit\u00e1ria. Neste caso, as regulamenta\u00e7\u00f5es permitem que quando a mesma uva representa acima de 80% (em alguns locais, 75%) dos cortes, ela possa ser citada no r\u00f3tulo como varietal. Isto \u00e9, a cita\u00e7\u00e3o sugere que o vinho \u00e9 apenas daquela variedade de uva, mas pode ser que ele tenha 100% ou menos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no contexto das regi\u00f5es produtivas mais tradicionais, a Denomina\u00e7\u00e3o de Origem \u00e9 que determina o estilo do vinho para o consumidor, mais do que a cepa. Um vinho de corte GSM que apresente as mesmas propor\u00e7\u00f5es de uvas em seus cortes ser\u00e1 identificado apenas pela sua DOC, sem men\u00e7\u00e3o das cepas. O que conta n\u00e3o \u00e9 apenas a uva, mas outros elementos que condicionam os vinhedos e os modos de produ\u00e7\u00e3o locais, regulamentados pelas denomina\u00e7\u00f5es de origem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/barrica-do-chateauneuf-du-pape-foto-de-miriam-aguiar-768x1024.jpg.webp\" alt=\"barrica do chateauneuf-du-pape, onde DOC manda mais que corte GSM\" class=\"wp-image-248918\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Barrica do Ch\u00e2teauneuf-du-Pape (foto de M\u00edriam Aguiar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o papel complementar das outras cepas \u00e9 bem valorizado, mesmo que entrem em menor propor\u00e7\u00e3o. Aqui se d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 complexidade da constitui\u00e7\u00e3o do vinho e as produ\u00e7\u00f5es modernas focam na simplifica\u00e7\u00e3o da linguagem para o consumidor. Assim, o mesmo corte GSM pode existir em outras partes do mundo sem que o pr\u00f3prio consumidor se d\u00ea conta, j\u00e1 que se o vinho tiver presen\u00e7a majorit\u00e1ria da Grenache, ele seria apontado como monovarietal.<\/p>\n\n\n\n<p>No Rh\u00f4ne Sul, a Grenache impera em boa parte dos cortes, mas cada DOC exige uma propor\u00e7\u00e3o m\u00ednima de uso desta cepa nos cortes. Em Ch\u00e2teauneuf-du-Pape s\u00e3o permitidas 13 uvas nos cortes e n\u00e3o h\u00e1 imposi\u00e7\u00e3o para as propor\u00e7\u00f5es, embora a pr\u00f3pria quantidade de Grenache plantada (mais de 70% da superf\u00edcie) implique por si s\u00f3 sua prioriza\u00e7\u00e3o, seguida pelas Syrah e Mourv\u00e8dre.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da DOC Lirac, \u00e9 obrigat\u00f3rio usar um m\u00ednimo de 40% de Grenache nos cortes e, em Gigondas, a Grenache tem a propor\u00e7\u00e3o m\u00e1xima predeterminada em 80%. Mas quem fala mais alto \u00e9 a DOC, que pode apresentar microclima e solos diversificados. Ch\u00e2teauneuf-du-Pape, por exemplo, apoia a sua qualidade em grande parte pela composi\u00e7\u00e3o de solos com grande presen\u00e7a de seixos, que otimizam a matura\u00e7\u00e3o da Grenache, cepa de matura\u00e7\u00e3o tardia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se vai para o Rh\u00f4ne Norte, a \u00fanica uva permitida \u00e9 a Syrah \u2013 pois as outras uvas, embora nobres e complementares na constitui\u00e7\u00e3o da qualidade dos vinhos, n\u00e3o amadureceriam bem em seu clima semicontinental. S\u00f3 a Syrah e algumas uvas brancas seriam capazes de amadurecer bem em seu territ\u00f3rio de latitude e altitude mais altas. O modelo GSM est\u00e1 presente, no entanto, em muito mais regi\u00f5es, a come\u00e7ar pela Espanha, pa\u00eds de origem das uvas Grenache (ali chamada de Garnacha) e Mourv\u00e8dre (ali denominada Monastrell).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Grenache e a Syrah imperam em \u00e1reas distintas do Rh\u00f4ne, mas o que conta \u00e9 a DOC Acabo de voltar da regi\u00e3o do Vale do Rh\u00f4ne, sudeste da Fran\u00e7a, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1607,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1606","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm.jpg",1200,755,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-300x189.jpg",300,189,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-768x483.jpg",768,483,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-1024x644.jpg",1024,644,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm.jpg",1200,755,false],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm.jpg",1200,755,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-100x75.jpg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-370x259.jpg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-570x399.jpg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-770x482.jpg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cepas-gsm-1170x480.jpg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A Grenache e a Syrah imperam em \u00e1reas distintas do Rh\u00f4ne, mas o que conta \u00e9 a DOC Acabo de voltar da regi\u00e3o do Vale do Rh\u00f4ne, sudeste da Fran\u00e7a, [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1606"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1608,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1606\/revisions\/1608"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}