{"id":1542,"date":"2023-07-28T20:00:00","date_gmt":"2023-07-28T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1542"},"modified":"2023-07-29T16:24:36","modified_gmt":"2023-07-29T16:24:36","slug":"trentino-alto-adige-vinhos-do-extremo-norte-italiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/trentino-alto-adige-vinhos-do-extremo-norte-italiano\/","title":{"rendered":"Trentino-Alto Adige: vinhos do extremo Norte italiano"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Come\u00e7amos pelo segmento mais alto e de sotaque germ\u00e2nico, chamado tamb\u00e9m de S\u00fcdTirol<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo artigo, eu falei sobre o meu contato com os vinhos su\u00ed\u00e7os em viagem, dificilmente dispon\u00edveis por aqui. Nessa mesma viagem, tive a oportunidade de conhecer de perto algumas regi\u00f5es produtoras de vinhos do Norte da It\u00e1lia. S\u00e3o regi\u00f5es n\u00e3o t\u00e3o famosas quanto alguns vizinhos (Piemonte e Veneto, por exemplo), mas que t\u00eam muito a oferecer, dentro de outro estilo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No mapa da It\u00e1lia, que lembra uma bota, a por\u00e7\u00e3o Norte \u00e9 a mais extensa horizontalmente \u2013 o topo da bota \u00e9 mais largo de oeste a leste e depois o territ\u00f3rio vai se estreitando, de forma mais verticalizada at\u00e9 o sul. Sendo assim, temos uma \u00e1rea extensa, que compartilha latitudes semelhantes e que sofre influ\u00eancia de alguns elementos geogr\u00e1ficos comuns. Dentre eles, de grande import\u00e2ncia, \u00e9 a presen\u00e7a dos Alpes, cadeia montanhosa alta e extensa que percorre a Europa, desde a Fran\u00e7a, a oeste, at\u00e9 a Hungria, a leste. A parte mais setentrional da It\u00e1lia \u00e9 em grande parte atravessada pelos Alpes italianos, que deixam suas marcas nos climas, solos e topografia dos vinhedos, impactando os perfis de vinhos das regi\u00f5es. Minha visita recente se concentrou mais na por\u00e7\u00e3o Nordeste italiana, especialmente na regi\u00e3o chamada de Trentino-Alto Adige, com uma breve passagem tamb\u00e9m por Franciacorta, na Lombardia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Alpes nessa \u00e1rea s\u00e3o chamados de Dolomitas. Apesar de constar como uma s\u00f3 regi\u00e3o vitivin\u00edcola, Trentino-Alto Adige pode ser desmembrado em dois segmentos, quando estudamos mais de perto suas caracter\u00edsticas, j\u00e1 que Trentino fica um pouco ao sul e Alto Adige, mais ao Norte, fazendo fronteira com a \u00c1ustria e com Liechtenstein. O Alto-Adige tamb\u00e9m \u00e9 chamado de S\u00fcdtirol, nome alem\u00e3o que remete ao seu hist\u00f3rico pertencimento ao Condado do Tirol, terra da Coroa do Imp\u00e9rio Austro-h\u00fangaro, anexada pela It\u00e1lia ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse detalhe j\u00e1 d\u00e1 uma dire\u00e7\u00e3o diferenciada para as duas \u00e1reas, pois em Alto-Adige o italiano \u00e9 falado, mas a l\u00edngua mais forte \u00e9 o alem\u00e3o, enquanto em Trentino domina o italiano na l\u00edngua e nos vinhos. Por outro lado, embora a regi\u00e3o vitivin\u00edcola como um todo seja considerada a mais setentrional da It\u00e1lia, os menos de 100 km que podem separar um vinhedo de Trentino de um vinhedo do Alto-Adige, mais ao Norte, podem dar origem a microclimas diferenciados, em fun\u00e7\u00e3o da altitude e da proximidade de fontes moderadoras do clima, como rios e lagos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou come\u00e7ar, ent\u00e3o, pela apresenta\u00e7\u00e3o do Alto Adige, que tem aspectos comuns ao Trentino, mas algumas particularidades. Trata-se de uma pequena regi\u00e3o no sop\u00e9 dos Alpes, com reduzida superf\u00edcie de vinhas, plantadas em terra\u00e7os ao longo das encostas nos vales do Rio Adige. A regi\u00e3o conta com grande amplitude t\u00e9rmica, o que favorece um amadurecimento balanceado das uvas. Os vinhos s\u00e3o predominantemente de clima frio, devido \u00e0 altitude, isto \u00e9, predominam os brancos. No entanto, as Dolomitas criam uma barreira, que favorece uma boa estiagem no per\u00edodo da matura\u00e7\u00e3o, somando-se ao efeito moderador do Lago di Garda, ao sul. Vinhos com bom corpo, volume e forte express\u00e3o arom\u00e1tica, valorizados pela decisiva acidez e mineralidade salivantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As cepas presentes na Europa Central e Norte s\u00e3o comuns ali tamb\u00e9m e o sotaque germ\u00e2nico \u00e9 t\u00edpico. Riesling, Gewurztraminer, Sylvaner, Gr\u00fcner Veltliner, M\u00fcller-Thurgau e a fam\u00edlia Pinot (Pinot Bianco, Pinot Grigio, Pinot Nero) \u2013 est\u00e3o todos l\u00e1. E n\u00e3o deixam a desejar em nada para os vizinhos. H\u00e1 uma exclusividade para vinhos brancos, que \u00e9 a cepa Kerner, resultante do cruzamento entre a Riesling e Schiava. A Schiava \u00e9 uma uva tinta tradicional, plantada extensivamente na regi\u00e3o, quando sob dom\u00ednio austr\u00edaco, no s\u00e9culo XIX. De perfil mais leve e pouco t\u00e2nica, tornou-se uma tradi\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o local, especialmente das gera\u00e7\u00f5es anteriores. Hoje ainda assina parte dos r\u00f3tulos tintos da regi\u00e3o e bem trabalhada, pode surpreender.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra aut\u00f3ctone, de perfil oposto, \u00e9 a Lagrein, grande sucesso da regi\u00e3o, apesar da reduzida produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que s\u00f3 se adapta a certos territ\u00f3rios. A Lagrein produz vinhos escuros, concentrados, que normalmente demandam passagem por madeira para ficarem mais prontos. Com boa acidez, permanecem elegantes e certamente envelhecem muito bem. H\u00e1 sub\u00e1reas do Alto Adige que fazem mais sucesso em associa\u00e7\u00e3o a certas variedades de uvas. \u00c9 o caso da Tramin (Termeno em italiano), que muitos acreditam ser a regi\u00e3o de origem da Gewurztraminer, o entorno do povoado de Egna para vinhos da Pinot Nero (Pinot Noir em italiano), o Valle Isarco e o Valle Venosta para brancos em geral. Tem ainda o Lagrein de Gries, no entorno de Bolzano, e o Schiava de Santa Magdalena.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pr\u00f3ximos artigos, continuarei apresentando a vitivinicultura de Trentino-Alto Adige, trazendo ainda detalhes sobre os produtores visitados.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Visite a p\u00e1gina de M\u00edriam Aguiar no Instagram e saiba mais sobre CURSOS DE VINHOS (nacionais e internacionais) e Aulas Tem\u00e1ticas: @miriamaguiar.vinhos<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7amos pelo segmento mais alto e de sotaque germ\u00e2nico, chamado tamb\u00e9m de S\u00fcdTirol No \u00faltimo artigo, eu falei sobre o meu contato com os vinhos su\u00ed\u00e7os em viagem, dificilmente dispon\u00edveis [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1543,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1542","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino.jpeg",1600,1200,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-300x225.jpeg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-768x576.jpeg",768,576,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-1024x768.jpeg",1024,768,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-1536x1152.jpeg",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino.jpeg",1600,1200,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-100x75.jpeg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-370x259.jpeg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-570x399.jpeg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-770x482.jpeg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/trentino-1170x480.jpeg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Come\u00e7amos pelo segmento mais alto e de sotaque germ\u00e2nico, chamado tamb\u00e9m de S\u00fcdTirol No \u00faltimo artigo, eu falei sobre o meu contato com os vinhos su\u00ed\u00e7os em viagem, dificilmente dispon\u00edveis [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1542"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1544,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1542\/revisions\/1544"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}