{"id":1537,"date":"2023-07-14T16:20:00","date_gmt":"2023-07-14T16:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1537"},"modified":"2023-07-17T23:18:16","modified_gmt":"2023-07-17T23:18:16","slug":"um-passeio-pelos-vinhedos-suicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/um-passeio-pelos-vinhedos-suicos\/","title":{"rendered":"Um passeio pelos vinhedos su\u00ed\u00e7os"},"content":{"rendered":"\n<p>De passagem pela Su\u00ed\u00e7a, visitei algumas regi\u00f5es com produ\u00e7\u00e3o de vinhos e provei alguns r\u00f3tulos t\u00edpicos, pouco conhecidos no exterior. Afinal, a produ\u00e7\u00e3o dos vinhedos su\u00ed\u00e7os \u00e9 reduzida e pouco competitiva externamente, se considerarmos o alto valor do franco su\u00ed\u00e7o, que torna at\u00e9 mesmo um vinho mais simples mais caro do que a m\u00e9dia comercializada em outros produtores vizinhos. Ou seja, uma pequena produ\u00e7\u00e3o, em grande parte assimilada pelos pr\u00f3prios consumidores locais, que contam com um padr\u00e3o aquisitivo mais alto do que a m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a produ\u00e7\u00e3o de vinhos existe e \u00e9 antiga \u2013 h\u00e1 registros de vinhas em seu territ\u00f3rio h\u00e1 mais de 20 s\u00e9culos. Pa\u00eds da Europa Central, constitu\u00eddo em 60% pelos montes alpinos, h\u00e1 algumas \u00e1reas que gozam de uma latitude mais baixa e alinhada com outras regi\u00f5es europeias de produ\u00e7\u00e3o de vinhos tintos que, normalmente, precisam de um est\u00e1gio maior de matura\u00e7\u00e3o. Mas o fator altitude colabora\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/a-influencia-do-fator-climatico-nos-perfis-dos-vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">para acentuar um perfil clim\u00e1tico mais continental<\/a><\/strong>, com maior rigor invernal e ver\u00f5es moderados pelo frescor noturno.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 seis regi\u00f5es vitivin\u00edcolas: Genebra, Su\u00ed\u00e7a Alem\u00e3, Ticino, Tr\u00eas Lagos, Valais e Vaud. Uma prova da sua ancestralidade est\u00e1 na exist\u00eancia de mais de 250 variedades cultivadas, embora a maior produ\u00e7\u00e3o esteja concentrada em quatro delas, nessa ordem de grandeza: Pinot Noir, Chasselas, Gamay, Merlot \u2013 que, juntas, constituem 72% do vinhedo nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pinot Noir \u00e9 uma constante nas produ\u00e7\u00f5es europeias de latitudes mais altas. Trata-se da uva tinta de maior prest\u00edgio para as faixas de clima mais frio, em locais onde muitas vezes imperam os vinhos brancos. Na Su\u00ed\u00e7a, a Pinot Noir pode ser rotulada com este nome, que \u00e9 mais internacional, mas est\u00e1 localmente mais identificada como Blauburgunder.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/88312957-a004-42e3-911f-3f6268789a25-1024x768.jpg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-237461\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A segunda cepa mais plantada \u00e9 a branca Chasselas, uma variedade considerada nativa, mas que tamb\u00e9m \u00e9 plantada em outros pa\u00edses, como Fran\u00e7a, por exemplo, onde pode ser vendida para consumo in natura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Su\u00ed\u00e7a, ela \u00e9 a uva para vinhos do dia a dia, frescos e simples, apesar da exist\u00eancia de alguns Chasselas especiais. Tradicionalmente usado na prepara\u00e7\u00e3o da fondue su\u00ed\u00e7a, ou como acompanhamento dela e da Raclette, um prato de queijo derretido, servido com batatas cozidas e picles.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 estilos de Chasselas diferentes, produzidos em \u00e1reas distintas e com denomina\u00e7\u00f5es particulares. Os estilos mais comuns s\u00e3o o Fendant e o Epesses, produzidos nas \u00e1reas do Valais e Vaud, respectivamente. O Chasselas de St. Saphorin \u00e9 um tipo mais valorizado, produzido em Vaud, cant\u00e3o bem a oeste da Su\u00ed\u00e7a, pr\u00f3ximo da regi\u00e3o vitivin\u00edcola dos Tr\u00eas Lagos (Neuch\u00e2tel, Murten e Biele), onde se faz o Oeil de Perdrix, um ros\u00e9 da Pinot Noir.<\/p>\n\n\n\n<p>O Valais \u00e9 a maior regi\u00e3o vitivin\u00edcola da Su\u00ed\u00e7a, com uma produ\u00e7\u00e3o diversificada de brancos e tintos, inclusive de uvas mais raras e bem especiais, comuns \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do Vale d\u2019Aosta, na It\u00e1lia. Falo das aut\u00f3ctones branca, Petite Arvine, e tinta, Cornalin. A Petite Arvine faz vinhos com aromas c\u00edtricos, uma acidez nervosa, com certo volume, complexidade e um toque mineral em boca. A Cornalin apresenta aromas de cereja, framboesa, violeta, com taninos firmes e macios e um amargor final. Ali tamb\u00e9m se faz o D\u00f4le, um vinho tinto popular, corte da Pinot Noir com a Gamay, leve e frutado, para ser consumido jovem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-gamay-e-gamaret-aparecem-nos-vinhedos-suicos\">Gamay e Gamaret aparecem nos vinhedos su\u00ed\u00e7os<\/h2>\n\n\n\n<p>A Gamay, uva t\u00edpica da regi\u00e3o de Beaujolais, mas tamb\u00e9m plantada em outras AOCs francesas, est\u00e1 mais presente na \u00e1rea vitivin\u00edcola de Genebra, justamente na por\u00e7\u00e3o bem francesa da Su\u00ed\u00e7a. Nesta \u00e1rea e em Vaud, uma cepa nativa tinta com boa presen\u00e7a quantitativa \u00e9 a Gamaret, muito utilizada em cortes tintos, com associa\u00e7\u00e3o de madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais ao sul da Su\u00ed\u00e7a, fronteira com a It\u00e1lia, a uni\u00e3o entre latitude mais baixa e a prote\u00e7\u00e3o do frio setentrional pelos montes alpinos criaram um clima mais mediterr\u00e2neo e favor\u00e1vel \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da Merlot. O Ticino \u00e9 a por\u00e7\u00e3o italiana da Su\u00ed\u00e7a, especializada em vinhos tintos da Merlot, que representa mais de 80% de seu vinhedo. At\u00e9 em branco, a Merlot \u00e9 utilizada. Vinhos tintos respeit\u00e1veis da cepa se encontram ali, em perfis mais frescos ou de guarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, na regi\u00e3o chamada de Su\u00ed\u00e7a Alem\u00e3, mais setentrional e fronteiri\u00e7a com Alemanha e \u00c1ustria, a altitude e o perfil continental ser\u00e3o dominantes, criando condi\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos brancos arom\u00e1ticos, em estilos semelhantes aos vizinhos, feitos com as variedades Pinot Blanc, M\u00fcller Thurgau, Riesling, Gewurztramier e Pinot Gris.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Visitei a cidade de Bad Ragaz, cant\u00e3o de St Gallen, onde se encontra a DOC Pf\u00e4ffers. No caminho para o Mosteiro de Pf\u00e4ffers, com vest\u00edgios de muralhas romanas (Porta Romana), h\u00e1 vinhedos da uva Johanniter, plantados em terra\u00e7os a 700 m de altitude, da qual se faz o vinho Portaser Johanniter, levemente doce e refrescante. Essa \u00e1rea est\u00e1 de frente para o cant\u00e3o de Graubunden, onde se encontra a DOC Mayefeld, not\u00f3ria pela produ\u00e7\u00e3o de bons tintos da Blauburgunder (Pinot Noir).&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><em><strong>Visite a p\u00e1gina de M\u00edriam Aguiar no Instagram e saiba mais sobre CURSOS DE VINHOS (nacionais e internacionais) e Aulas Tem\u00e1ticas: @miriamaguiar.vinhos<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De passagem pela Su\u00ed\u00e7a, visitei algumas regi\u00f5es com produ\u00e7\u00e3o de vinhos e provei alguns r\u00f3tulos t\u00edpicos, pouco conhecidos no exterior. 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