{"id":1445,"date":"2023-01-14T22:16:23","date_gmt":"2023-01-14T22:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1445"},"modified":"2023-01-14T22:26:45","modified_gmt":"2023-01-14T22:26:45","slug":"um-brinde-aos-espumantes-da-do-altos-de-pinto-bandeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/um-brinde-aos-espumantes-da-do-altos-de-pinto-bandeira\/","title":{"rendered":"Um brinde aos espumantes da D.O. Altos de Pinto Bandeira!"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Importante reconhecimento de uma especializa\u00e7\u00e3o produtiva, ainda pouco compreendido pelo consumidor.<\/h3>\n\n\n\n<p>Janeiro \u00e9 o m\u00eas dos espumantes \u2013 come\u00e7a com o seu derramar cremoso e continua refrescando o nosso ver\u00e3o. Aproveito a ocasi\u00e3o para noticiar um acontecimento recente que vem corroborar a afirma\u00e7\u00e3o de que o espumante \u00e9 o nosso vinho de excel\u00eancia, o mais emblem\u00e1tico, por enquanto, daquilo que, potencialmente, produzimos com mais facilidade. A not\u00edcia surge como um reconhecimento desse perfil qualitativo, ap\u00f3s algumas d\u00e9cadas de experimenta\u00e7\u00e3o e de amadurecimento da nossa enologia em sua organiza\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de novembro de 2022, foi publicado na&nbsp;<em>Revista da Propriedade Industrial<\/em>, do INPI, a concess\u00e3o de uma Denomina\u00e7\u00e3o de Origem (DO) aos vinhos espumantes de Altos de Pinto Bandeira, uma valida\u00e7\u00e3o significativa, que eleva a condi\u00e7\u00e3o anterior de Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia (IP) desta regi\u00e3o produtiva e que sinaliza para o mercado de vinhos que se trata da primeira DO voltada exclusivamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de espumantes elaborados pelo m\u00e9todo tradicional do Novo Mundo do Vinho. Atualmente, na Europa, temos regi\u00f5es modelares nessa condi\u00e7\u00e3o, como Champagne, que inaugurou o m\u00e9todo sofisticado de elabora\u00e7\u00e3o de espumantes, ali denominado champenoise, e Franciacorta, uma DO localizada na regi\u00e3o da Lombardia, noroeste da It\u00e1lia, que se dedica \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de excelentes espumantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o pretendo afirmar assim que tal ensejo \u00e9 \u00fanico ou suficiente para determinar a superioridade da qualidade de um produto, pois h\u00e1 belos vinhos no mundo inteiro, sem DO e sem altas notas de avalia\u00e7\u00e3o. A concess\u00e3o de signos de qualidade envolve outros fatores protocolares, pol\u00edticos e econ\u00f4micos, que seria ing\u00eanuo e reducionista se fiar apenas em um deles para construir a avalia\u00e7\u00e3o de um vinho. A consist\u00eancia da qualidade dessas produ\u00e7\u00f5es ao longo do tempo \u00e9 que vai nos permitir um melhor julgamento. No entanto, \u00e9 fato que o processo de constru\u00e7\u00e3o de uma Denomina\u00e7\u00e3o de Origem e a regulamenta\u00e7\u00e3o formal resultante dele criam condi\u00e7\u00f5es bastante favor\u00e1veis para o controle de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pena que a sua import\u00e2ncia nem sempre seja esclarecida ao p\u00fablico consumidor pouco habituado com esse repert\u00f3rio, como no caso do Brasil. A cria\u00e7\u00e3o de Denomina\u00e7\u00f5es de Origem tem se generalizado junto \u00e0s produ\u00e7\u00f5es de vinhos ou de produtos agroalimentares em v\u00e1rios pa\u00edses, tendo como importante refer\u00eancia as regulamenta\u00e7\u00f5es europeias. Isto \u00e9, o caminho j\u00e1 vem sendo trilhado, mas junto ao p\u00fablico consumidor, ainda h\u00e1 uma fraca percep\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre o status de DO e o fator qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de Altos de Pinto Bandeira, t\u00ednhamos apenas a DO Vale dos Vinhedos no mundo do vinho nacional e algumas IPs. Elas resultaram de um longo processo de constru\u00e7\u00e3o, envolvendo v\u00e1rios segmentos \u2013 do setor agr\u00e1rio, industrial, politico, jur\u00eddico, estrat\u00e9gico \u2013 que entenderam ser este um caminho para a evolu\u00e7\u00e3o da enologia brasileira. O Vale dos Vinhedos e toda a Serra Ga\u00facha ganharam muita visibilidade nos \u00faltimos anos. H\u00e1 um crescimento significativo das vendas de vinhos e do enoturismo na regi\u00e3o e pode-se dizer que a cria\u00e7\u00e3o das IGs (Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas, com modalidades IP ou DO) foi um dos instrumentos que contribu\u00edram para essa evolu\u00e7\u00e3o, mas falta um entendimento da rela\u00e7\u00e3o do status de IP ou de DO com as qualidades dos vinhos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\" id=\"attachment_218910\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"605\" src=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Daniel-Geisse-foto-divulgacao-1024x605.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1446\" srcset=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Daniel-Geisse-foto-divulgacao-1024x605.jpeg 1024w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Daniel-Geisse-foto-divulgacao-300x177.jpeg 300w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Daniel-Geisse-foto-divulgacao-768x454.jpeg 768w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Daniel-Geisse-foto-divulgacao.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Daniel Geisse (foto divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Digo isso porque essa rela\u00e7\u00e3o existe e pode ser abra\u00e7ada, caso os produtores apostem nessa condi\u00e7\u00e3o e haja um esclarecimento do p\u00fablico a respeito do que isso significa. No caso de Altos de Pinto Bandeira, a DO abrange o munic\u00edpio de Pinto Bandeira e proximidades, na Serra Ga\u00facha, que j\u00e1 era percebida como potencial terroir de espumantes por profissionais que trabalharam na Serra Ga\u00facha nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20. Dentre eles, destaca-se o en\u00f3logo chileno Mario Geisse, patriarca da Cave Geisse, com sede em Pinto Bandeira. O mais antigo produtor da regi\u00e3o \u00e9 a Vin\u00edcola Don Giovanni. Posteriormente, compraram vinhedos ali tamb\u00e9m a Vin\u00edcola Aurora e a Valmarino.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos eles j\u00e1 produzem correntemente bons espumantes e, agora, de acordo com a regulamenta\u00e7\u00e3o, os vinhos que portarem a inscri\u00e7\u00e3o DO Altos de Pinto Bandeira em seus r\u00f3tulos dever\u00e3o obedecer os seguintes crit\u00e9rios: usar apenas cepas plantadas ali das variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling It\u00e1lico (esta limitada a 25% do corte); os vinhedos devem ser plantados em espaldeira, e a colheita n\u00e3o pode ser mec\u00e2nica; o \u00fanico m\u00e9todo permitido para a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o tradicional (mesmo de Champagne) com tempo de aut\u00f3lise superior a 12 meses; o vinho base que ser\u00e1 submetido \u00e0 segunda fermenta\u00e7\u00e3o em garrafa deve ter sido iniciado h\u00e1, no m\u00e1ximo, cinco anos; os espumantes safrados devem conter o m\u00ednimo de 85% da safra indicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em se tratando de uma regi\u00e3o com mat\u00e9ria prima de excelente potencial de qualidade, a observa\u00e7\u00e3o a esses preceitos m\u00ednimos j\u00e1 deve assegurar \u00f3timos resultados e pode elevar ainda mais o nome do Brasil como um grande produtor de espumantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Visite a p\u00e1gina de M\u00edriam Aguiar no Instagram e saiba mais sobre CURSOS DE VINHOS (nacionais e internacionais) e Aulas Tem\u00e1ticas: @miriamaguiar.vinhos<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Importante reconhecimento de uma especializa\u00e7\u00e3o produtiva, ainda pouco compreendido pelo consumidor. 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