{"id":1411,"date":"2022-11-04T20:05:00","date_gmt":"2022-11-04T20:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1411"},"modified":"2022-11-26T13:21:05","modified_gmt":"2022-11-26T13:21:05","slug":"as-bases-da-vitivinicultura-uruguaia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/as-bases-da-vitivinicultura-uruguaia\/","title":{"rendered":"As bases da vitivinicultura uruguaia"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Apesar de jovem, a produ\u00e7\u00e3o de vinhos foi se encontrando e se identificando com o Pa\u00eds.<\/h3>\n\n\n\n<p>A vitivinicultura uruguaia \u00e9 bem jovem, e a presen\u00e7a dos seus vinhos em nossa prateleira ainda \u00e9 m\u00ednima em rela\u00e7\u00e3o aos de outros pa\u00edses, apesar das nossas proximidades. Isso tem a ver com um processo emergente de qualifica\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de uma identidade produtiva, assim como ocorre tamb\u00e9m em algumas regi\u00f5es do Brasil, mas tamb\u00e9m pelas suas dimens\u00f5es: conta com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 3,5 milh\u00f5es de habitantes, distribu\u00edda em seus quase 174.000 km\u00b2. Fundada col\u00f4nia espanhola em 1624, em 1825 tornou-se independente e, na segunda metade s\u00e9culo 19, recebeu muitos imigrantes europeus, sobretudo espanh\u00f3is e italianos \u2013 os quais, em1868, representavam 68% da sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo, houve surtos similares de imigra\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, inclusive a chegada dos italianos na Serra Ga\u00facha, fundamentais no desenvolvimento da viticultura brasileira. No caso do Uruguai, a viticultura teve in\u00edcio com os colonizadores, no s\u00e9culo 17, quando se destacava a uva Moscatel, para ser consumida na mesa e usada na produ\u00e7\u00e3o do vinho familiar. Nada muito relevante. Somente em 1870, a produ\u00e7\u00e3o come\u00e7a a ganhar status comercial, e dois personagens que imigraram para Salto, no Uruguai, contribu\u00edram para a sua funda\u00e7\u00e3o: Francisco Vidiella, espanhol, de Tarragona e o basco franc\u00eas, Pascal Harriague.<\/p>\n\n\n\n<p>Vidiella trouxe da Europa, em 1873, uma sele\u00e7\u00e3o de boas variedades de uva, com as quais fez um cultivo experimental de 36ha em C\u00f3lon, Montevid\u00e9u. Apesar de ter, entre as uvas, a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Grenache, as que obtiveram \u00eaxito foram a Gamay Blanc e a Folle Noir (apelidada de Vidiella). O basco Pascal Harriague descobriu a Tannat em Concordia, Argentina (regi\u00e3o fronteiri\u00e7a com Salto), plantada por um conterr\u00e2neo basco. Percebendo a sua boa aclimata\u00e7\u00e3o em Concordia, ele levou mudas para serem experimentadas no Uruguai. A Tannat fez tanto sucesso em suas m\u00e3os que foi chamada de Harriague at\u00e9 1919, j\u00e1 que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o se sabia que aquela era a cepa Tannat, embora ela seja origin\u00e1ria do Madiran, Sudoeste da Fran\u00e7a, regi\u00e3o pr\u00f3xima do pa\u00eds basco franc\u00eas, de onde eles eram nativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito da produ\u00e7\u00e3o uruguaia n\u00e3o ser muito quantitativa em n\u00fameros absolutos, a grande presen\u00e7a de imigrantes europeus somada a um clima mais ameno, \u00e0s vezes bem frio, tornaram o vinho um produto habitual de consumo. J\u00e1 em 1892, consumia-se 29 litros per capita, mas apenas 13% deles eram nacionais. A produ\u00e7\u00e3o evolu\u00eda bem, mas acabou sendo interrompida pela chegada da praga da Filoxera em seguida, quando os vinhedos atacados tiveram que ser queimados por outorga da&nbsp;<em>Ley Anti-Filoxera<\/em>, de 1894.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\" id=\"attachment_212711\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"459\" src=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bodega-Carrau-foto-de-Miriam-Aguiar-768x459.jpg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-1412\" srcset=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bodega-Carrau-foto-de-Miriam-Aguiar-768x459.jpg.webp 768w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Bodega-Carrau-foto-de-Miriam-Aguiar-768x459.jpg-300x179.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bodega Carrau (foto de M\u00edriam Aguiar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20 foram dedicadas \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, ao combate de falsifica\u00e7\u00f5es e, com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o dos vinhedos se deslocou para as proximidades de Montevid\u00e9u. Em 1930, os mesmos 29 litros eram consumidos per capita, mas agora quem gozava de uma taxa \u00ednfima de consumo era o vinho importado, j\u00e1 que 98% do vinho bebido internamente era uruguaio.<\/p>\n\n\n\n<p>O fator qualidade, entretanto, ainda era duvidoso, principalmente pela presen\u00e7a de uvas americanas e h\u00edbridas, como alternativas para vencer per\u00edodos econ\u00f4micos dif\u00edceis. O processo de moderniza\u00e7\u00e3o da vitivinicultura uruguaia, assim como em pa\u00edses vizinhos, teve que passar pela reconvers\u00e3o dos vinhedos, pela planta\u00e7\u00e3o de boas mudas de vin\u00edferas, com manejo mais adequados dos vinhedos, cuidados sanit\u00e1rios e melhor aparelhamento tecnol\u00f3gico. O interc\u00e2mbio com pesquisadores franceses foi fundamental e inspirou os empreendimentos de produtores pioneiros, que se tornaram grandes refer\u00eancias para a vitivinicultura uruguaia, como Javier Carrau, Reinaldo de Lucca, Dante Irurtia e Juan Pedro Toscanini.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de jovem, a produ\u00e7\u00e3o de vinhos foi se encontrando e se identificando com o Pa\u00eds. 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