{"id":1369,"date":"2022-07-29T15:53:00","date_gmt":"2022-07-29T15:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1369"},"modified":"2022-07-29T22:04:07","modified_gmt":"2022-07-29T22:04:07","slug":"sudoeste-da-franca-entre-os-pirineus-e-o-atlantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/sudoeste-da-franca-entre-os-pirineus-e-o-atlantico\/","title":{"rendered":"Sudoeste da Fran\u00e7a: entre os Pirineus e o Atl\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A express\u00e3o da Tannat em suas origens \u00e9 fruto de uma evolu\u00e7\u00e3o na compreens\u00e3o do terroir e na maneira de trabalhar o vinho.<\/h3>\n\n\n\n<p>Em breve temporada pela Fran\u00e7a, fui visitar um pouco mais das regi\u00f5es vitivin\u00edcolas do sudoeste do pa\u00eds, cuja produ\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pouco conhecida no Brasil. Um dos motivos para retornar \u00e0 regi\u00e3o se trata de sua extens\u00e3o e diversidade; outro \u00e9 por admirar certos vinhos que chegam em reduzido volume no Brasil; e, finalmente, a curiosidade de entender as diferen\u00e7as existentes entre o estilo de algumas cepas em suas regi\u00f5es de origem, comparativamente \u00e0s vers\u00f5es que temos na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez, fui para as AOPs pr\u00f3ximas de Pau, uma cidade que n\u00e3o \u00e9 de todo grande para as nossas propor\u00e7\u00f5es, mas que \u00e9 um centro importante para a \u00e1rea do sudoeste mais pr\u00f3xima do Atl\u00e2ntico e dos Pirineus. Cidade acolhedora com bela paisagem hist\u00f3rica e natural. Ali est\u00e1 colado a Juran\u00e7on, vilarejo e AOP que me motivou a conhec\u00ea-los pela qualidade dos seus vinhos brancos secos e doces. A cerca de 1 hora de Pau, se encontram ainda duas AOPs que dividem o mesmo territ\u00f3rio, mas com especialidades distintas: Madiran e Pacherenc du Vic-Bilh.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\" id=\"attachment_202728\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"507\" src=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Miriam-Aguiar-em-vinicola-em-Madiran-foto-arquivo-pessoal-768x507-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1370\" srcset=\"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Miriam-Aguiar-em-vinicola-em-Madiran-foto-arquivo-pessoal-768x507-1.jpg 768w, https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Miriam-Aguiar-em-vinicola-em-Madiran-foto-arquivo-pessoal-768x507-1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>M\u00edriam Aguiar visita vin\u00edcola em Madiran<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Madiran \u00e9 voltado para produ\u00e7\u00e3o de vinhos majoritariamente feitos da Tannat, cepa que se originou no sudoeste, mas que vem se consagrando na Am\u00e9rica do Sul, emblema da produ\u00e7\u00e3o uruguaia e tamb\u00e9m muito utilizada no Brasil. Pacherenc du Vic-Bilh significa, em dialeto local (<em>b\u00e9arnais<\/em>), \u201cuma fileira de vinhas no velho pa\u00eds\u201d. A AOP \u00e9 voltada para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos brancos, assim como Juran\u00e7on, com cepas e estilos semelhantes, mas com certas diferen\u00e7as. O vilarejo de Madiran \u00e9 bem pequeno, mas rodeado de vin\u00edcolas, nada em enorme quantidade, com alguns r\u00f3tulos j\u00e1 importados pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas AOPs foram autorizadas em 1948. Madiran conta com uma porcentagem de aproximadamente 70% de Tannat, complementados especialmente com Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Apesar das dificuldades em amenizar a estrutura t\u00e2nica desta cepa campe\u00e3 em taninos, ali h\u00e1 uma boa sinergia entre clima e solo para o seu desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o conta com a prote\u00e7\u00e3o da cadeia dos Pirineus, a sul, e a modera\u00e7\u00e3o do oceano Atl\u00e2ntico, a oeste, que leva umidade aos vinhedos, provocando leves precipita\u00e7\u00f5es no ver\u00e3o. Assim, h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica entre os dias, que permite o prolongamento da matura\u00e7\u00e3o da Tannat, n\u00e3o s\u00f3 em n\u00edvel tecnol\u00f3gico (evolu\u00e7\u00e3o dos \u00e1cidos e a\u00e7\u00facares do suco da uva), mas tamb\u00e9m em n\u00edvel fen\u00f3lico, permitindo que compostos presentes na casca, como antocianos (colora\u00e7\u00e3o) e taninos amadure\u00e7am corretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos solos, h\u00e1 uma presen\u00e7a de tr\u00eas principais vertentes em \u00e1reas distintas: argilo-calc\u00e1rio, argilo-cascalho e seixos (pedregoso) \u2013 o primeiro \u00e9 mais frio e absorvente, o segundo, intermedi\u00e1rio, e o \u00faltimo, mais quente. O estudo mais preciso dessas constitui\u00e7\u00f5es permite uma adequada orienta\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es dos vinhedos e cont\u00ednuo acompanhamento, visando equilibrar as insola\u00e7\u00f5es com os padr\u00f5es do solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa matura\u00e7\u00e3o hoje se apresenta bem calculada e elevou significativamente a qualidade dos vinhos, que, no passado, tinham uma imagem de excessivamente duros. Pude verificar in loco como os vinhos j\u00e1 se apresentam suavizados quando disponibilizados ao mercado, apesar de sua boa estrutura e potencial de longevidade. Pude sentir tamb\u00e9m um \u00f3timo equil\u00edbrio provocado pela boa acidez, prova disso \u00e9 que muitos vinhos que chegam a 14% e 14,5% de \u00e1lcool nos surpreendem por n\u00e3o provocarem uma sensa\u00e7\u00e3o de muito corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi na regi\u00e3o do Madiran que foi criado o m\u00e9todo de micro-oxigena\u00e7\u00e3o durante a produ\u00e7\u00e3o de vinhos, hoje largamente utilizado no mundo inteiro, embora nem todos a defendam ali. J\u00e1 a passagem dos vinhos tintos por barrica pelo per\u00edodo de um ano parece comum: h\u00e1 um bom uso da madeira, sem aporte arom\u00e1tico excessivo, valorizando a express\u00e3o da fruta e tornando o paladar mais acess\u00edvel. Outras AOPs que se destacam no uso da cepa Tannat s\u00e3o Saint Mont e Iroul\u00e9guy, a primeira colada a Madiran, e a segunda, mais a sul, junto dos Pirineus.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigo falando sobre essas regi\u00f5es e seus produtores nos pr\u00f3ximos artigos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Cursos de Vinhos com M\u00edriam Aguiar: saiba mais pelo Instagram @miriamaguiar.vinhos ou site <\/em><a href=\"https:\/\/miriamaguiar.com.br\"><em>miriamaguiar.com.b<\/em>r<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o da Tannat em suas origens \u00e9 fruto de uma evolu\u00e7\u00e3o na compreens\u00e3o do terroir e na maneira de trabalhar o vinho. Em breve temporada pela Fran\u00e7a, fui visitar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1371,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[337,229],"class_list":["post-1369","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-monitormercantil","tag-sudoeste","tag-tannat"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar.jpg",1200,721,false],"thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-300x180.jpg",300,180,true],"medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-768x461.jpg",768,461,true],"large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-1024x615.jpg",1024,615,true],"1536x1536":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar.jpg",1200,721,false],"2048x2048":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar.jpg",1200,721,false],"purosa_thumbnail":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-100x75.jpg",100,75,true],"purosa_medium":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-370x259.jpg",370,259,true],"purosa_medium_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-570x399.jpg",570,399,true],"purosa_featured_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-770x482.jpg",770,482,true],"purosa_large":["https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Vinhos-do-sudoeste-da-Franca-foto-de-Miriam-Aguiar-1170x480.jpg",1170,480,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"miriamaguiar","author_link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/author\/miriamaguiar\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A express\u00e3o da Tannat em suas origens \u00e9 fruto de uma evolu\u00e7\u00e3o na compreens\u00e3o do terroir e na maneira de trabalhar o vinho. Em breve temporada pela Fran\u00e7a, fui visitar [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1369"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1369\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1372,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1369\/revisions\/1372"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}