{"id":1338,"date":"2022-05-06T17:00:00","date_gmt":"2022-05-06T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1338"},"modified":"2022-05-10T22:47:57","modified_gmt":"2022-05-10T22:47:57","slug":"bulgaria-revela-bons-frutos-da-semente-dionisiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/bulgaria-revela-bons-frutos-da-semente-dionisiaca\/","title":{"rendered":"Bulg\u00e1ria revela bons frutos da semente dionis\u00edaca"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ap\u00f3s reestrutura\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria vitivin\u00edcola investe em qualidade e experimenta um per\u00edodo de expans\u00e3o.<\/h3>\n\n\n\n<p>Seguindo com os vinhos da Europa Oriental, embora sem o prest\u00edgio da Hungria, advindo do seu nobre Tokaj, alguns pa\u00edses apresentam antiga vinicultura, mesmo que interrompidas em alguns momentos de seus tumultuados hist\u00f3ricos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Bulg\u00e1ria \u00e9 um desses, que conta inclusive com alguns r\u00f3tulos dispon\u00edveis no mercado brasileiro. Os territ\u00f3rios onde se encontram hoje Bulg\u00e1ria, Rom\u00eania, Mold\u00e1via, Gr\u00e9cia, Turquia, Maced\u00f4nia e S\u00e9rvia foram habitados pelos antigos tr\u00e1cios, um grupo cultural \u00e9tnico de tribos indo-europeias, muito ligado \u00e0s origens culturais do vinho, tanto que se acreditava que o Deus Dion\u00edsio era de origem tr\u00e1cia. Parte da cultura tr\u00e1cia persiste nos rituais folcl\u00f3ricos e lendas b\u00falgaras, e a produ\u00e7\u00e3o de vinhos sobreviveu ali ininterruptamente.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo medieval, a conex\u00e3o entre o cristianismo e o vinho deu grande impulso \u00e0 vitivinicultura europeia durante s\u00e9culos. E na Bulg\u00e1ria n\u00e3o foi diferente \u2013 h\u00e1 registros de que os monges do Monast\u00e9rio de Bachkovo bebiam em m\u00e9dia 4 ta\u00e7as de vinhos por dia e, em algumas celebra\u00e7\u00f5es, essa quantidade dobrava. Se a orienta\u00e7\u00e3o religiosa foi fundamental para a prosperidade do vinho em dado momento, posteriormente o desfavoreceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1396, a Bulg\u00e1ria foi integrada ao imp\u00e9rio Otomano, cujas regras foram desastrosas para o vinho, j\u00e1 que o islamismo n\u00e3o encorajava sua produ\u00e7\u00e3o e consumo, que foram reduzidos por alguns s\u00e9culos. S\u00f3 no s\u00e9culo 19 \u00e9 que houve um renascimento da atividade, e o vinho emergiu como um dos elementos importantes para afirmar a identidade b\u00falgara, enfraquecida pelo dom\u00ednio otomano. O pa\u00eds buscou se inspirar em modelos enol\u00f3gicos mais modernos da Alemanha e da Fran\u00e7a para desenvolver a sua produ\u00e7\u00e3o de vinhos, que aumentou de forma significativa, mesmo com os entraves da praga da Filoxera na virada do s\u00e9culo. Em 1944, a superf\u00edcie de vinhedos chegava a 143.103ha.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo de integra\u00e7\u00e3o ao Bloco Sovi\u00e9tico, entre 1946 e 1990, foi marcado por grande investimento no setor, uma vez que o vinho b\u00falgaro teve papel econ\u00f4mico importante para esses pa\u00edses. J\u00e1 em 1956, a R\u00fassia importava 56 milh\u00f5es de litros de vinhos b\u00falgaros, gerando muita receita para produtores e exportadores. Um programa de moderniza\u00e7\u00e3o foi implementado, com est\u00edmulo \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de cepas internacionais, uso intenso de mecaniza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o dos vinhedos. Mas o foco na produ\u00e7\u00e3o em escala do per\u00edodo comunista comprometeu o aspecto qualitativo, e isso impactou o per\u00edodo posterior, seguinte ao fim do bloco comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1991, a Bulg\u00e1ria come\u00e7ou a trilhar o caminho dif\u00edcil de recupera\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do mercado russo e de enquadramento aos padr\u00f5es qualitativos da vitivinicultura da Europa Ocidental. Foram quase tr\u00eas d\u00e9cadas de reestrutura\u00e7\u00e3o e, nos \u00faltimos anos, a ind\u00fastria experimenta um per\u00edodo de expans\u00e3o e certo reconhecimento internacional da qualidade dos seus vinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o: 10 grandes produtores respondem por 55% do mercado, e mais de 250 vin\u00edcolas disputam com dificuldade uma pequena fatia d bolo. H\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de produtos premium, embalados em garrafas grossas que impressionam, num estilo semelhante ao perfil dos vinhos do Novo Mundo, quando emergentes \u2013 vinhos tintos concentrados, com muita madeira nova e uso das principais cepas francesas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 uma vertente do p\u00fablico en\u00f3filo internacional que se interessa por cepas nativas e m\u00e9todos menos intervencionistas, junto do qual as castas pr\u00f3prias desses lugares de viticultura antiga fazem sucesso. Mavrud tem sido a principal bandeira b\u00falgara: cepa tinta aut\u00f3ctone de qualidade mais plantada no pa\u00eds, cujos vinhos s\u00e3o concentrados em cor, \u00e1lcool, taninos, acidez e aromas. Produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos e vinhos laranja tamb\u00e9m fazem parte das inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Cursos de Vinhos com M\u00edriam Aguiar: saiba mais pelo Instagram @miriamaguiar.vinhos ou blog\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/miriamaguiar.com.br\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s reestrutura\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria vitivin\u00edcola investe em qualidade e experimenta um per\u00edodo de expans\u00e3o. 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