{"id":1332,"date":"2022-04-22T10:35:00","date_gmt":"2022-04-22T10:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1332"},"modified":"2022-04-23T15:49:38","modified_gmt":"2022-04-23T15:49:38","slug":"a-essencia-doce-dos-montes-de-tokaj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-essencia-doce-dos-montes-de-tokaj\/","title":{"rendered":"A ess\u00eancia doce dos montes de Tokaj"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um tesouro que sobreviveu \u00e0s crises e expressa a nobreza e ancestralidade da vitivinicultura da Europa Oriental.<\/h3>\n\n\n\n<p>Para falar da vitivinicultura da Europa Oriental, o primeiro passo deve ser pela Hungria, como eu j\u00e1&nbsp;<a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/vocacao-e-conflitos-marcam-historia-dos-vinhos-da-europa-oriental\/\">mencionei no \u00faltimo artigo<\/a>, em fun\u00e7\u00e3o da sua grande estrela \u2013 o vinho doce Tokaji \u2013 que arranca suspiros dos mais diversos universos de consumidores vip de vinhos, mesmo que tenha estagnado a sua produ\u00e7\u00e3o entre 1949 e 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 registros de \u00eaxito na produ\u00e7\u00e3o de vinhos h\u00fangaros desde o Imp\u00e9rio Romano. Em recente viagem \u00e0 Su\u00ed\u00e7a, eu participei de uma feira em que degustei alguns vinhos produzidos em um mosteiro beneditino fundado no s\u00e9culo 10, hoje habitado por novas gera\u00e7\u00f5es de monges, que, ap\u00f3s a era comunista, recuperaram vinhedos confiscados e produzem v\u00e1rios r\u00f3tulos de vinhos varietais com uvas internacionais. Os r\u00f3tulos s\u00e3o assinados como Pannonhalmi Apatsagi Pinceszet (significa: Vin\u00edcola da Abadia de Pannonhalma).<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de cepas mais nativas, as brancas Furmint, H\u00e1rslevel\u0171 e S\u00e1rga Muskot\u00e1ly s\u00e3o grandes for\u00e7as, vinificadas solo, mas tamb\u00e9m como partes do corte do Tokaji \u2013 que conta com a acidez e a predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 botrytis da Furmint, com o aroma floral e sabor frutado da H\u00e1rslevel\u0171 e com a pung\u00eancia arom\u00e1tica da Sarga Muskot\u00e6aly (da fam\u00edlia Moscatel). Outras cepas podem entrar em menor propor\u00e7\u00e3o. H\u00e1 v\u00e1rios Tokajis (secos inclusive) e os mais famosos s\u00e3o os Asz\u00f9, que levam a indica\u00e7\u00e3o dos puttonyos: um cesto contendo mosto de uvas ultra doces, colhidas tardiamente botritizadas (desidratadas pelo fungo&nbsp;<em>botrytis cinerea<\/em>, fen\u00f4meno que d\u00e1 origem a podrid\u00e3o nobre).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cesto deve conter uvas selecionadas bago a bago em suas melhores condi\u00e7\u00f5es, e os seus vinhos devem conter um a\u00e7\u00facar residual m\u00ednimo de 120 g\/l. Cada puttonyo equivale a cerca de 25 quilos de mosto cru, que ser\u00e1 adicionado ao vinho branco fresco (vinho base) dessas mesmas uvas, para r\u00e1pida macera\u00e7\u00e3o, prensagem, fermenta\u00e7\u00e3o e matura\u00e7\u00e3o em barris, por tempos e formatos variados, buscando ganhar mais complexidade. A quantidade de puttonyos atualmente praticada \u00e9 de 3 a 6 puttonyos, que vem indicada no r\u00f3tulo \u2013 quanto maior, mais doce, nobre e caro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Vinho-Tokaji-foto-de-Miriam-Aguiar-202x300.jpg\" alt=\"Vinho Tokaji (foto de M\u00edriam Aguiar)\" class=\"wp-image-191589\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda o Tokaji Eszencia, produzido em anos excepcionais s\u00f3 com o mosto doce fermentado, sem dilui\u00e7\u00e3o em vinho fresco. Seu l\u00edquido viscoso \u00e9 amadurecido por longos anos em garraf\u00f5es de vidros, onde sofrer\u00e1 uma lent\u00edssima fermenta\u00e7\u00e3o,&nbsp; Os vinhos s\u00e3o feitos em m\u00ednimas quantidades e t\u00eam baixa gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica (em torno de 5%), preservando o a\u00e7\u00facar residual de, no m\u00ednimo, 450g\/l.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversando com o diretor de uma das vin\u00edcolas do stand da Hungria na feira, ele me disse que o r\u00f3tulo Tokaji campe\u00e3o de vendas \u00e9 o Tokaji Szamorodni, porque, em sua opini\u00e3o, ele apresenta a melhor rela\u00e7\u00e3o pre\u00e7o\/qualidade. Os vinhos Asz\u00f9, com indica\u00e7\u00e3o dos puttonyos, dependem muito das condi\u00e7\u00f5es de cada safra e nem sempre s\u00e3o produzidos, o que acaba elevando o seu valor. J\u00e1 neste vinho, eles podem trabalhar com cachos mais irregulares, em parte com&nbsp;<em>botrytis<\/em>, em parte n\u00e3o, e todo o mosto ser\u00e1 vinificado junto, apresentando um bom equil\u00edbrio tamb\u00e9m entre dul\u00e7or e frescor, que acaba agradando o mercado, al\u00e9m do valor mais acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa feira, a moeda era o franco su\u00ed\u00e7o, e enquanto o Tokaji Szamorodni sa\u00eda a 30 francos, o Tokaji Puttonyos mais simples come\u00e7ava a partir de 50 francos e chegava a 200 francos (isso numa feira de vinhos na Europa, cujos pre\u00e7os s\u00e3o mais caros do que a m\u00e9dia europeia, mas inferiores aos do Brasil). Importante mencionar que valores tamb\u00e9m podem variar muito em fun\u00e7\u00e3o do produtor.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o do Tokaji se chama Tokaj-Hegyalja e fica no extremo noroeste da Hungria, nas encostas dos montes Zemplen, junto aos rios Bodrog e Tisza, que ajudam a formar o microclima, especialmente prop\u00edcio ao fen\u00f4meno da podrid\u00e3o nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiremos com a cobertura dos destaques da vitivinicultura da Europa Oriental.<\/p>\n\n\n\n<p>Cursos de Vinhos com M\u00edriam Aguiar: saiba mais pelo Instagram @miriamaguiar.vinhos ou blog\u00a0<a href=\"https:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um tesouro que sobreviveu \u00e0s crises e expressa a nobreza e ancestralidade da vitivinicultura da Europa Oriental. 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