{"id":1231,"date":"2022-01-28T14:28:00","date_gmt":"2022-01-28T14:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=1231"},"modified":"2022-01-29T04:47:28","modified_gmt":"2022-01-29T04:47:28","slug":"tres-faces-da-identidade-do-champagne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/tres-faces-da-identidade-do-champagne\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas faces da identidade do Champagne"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"a-bebida-em-si-o-imaginario-constituido-para-promove-la-e-a-regulamentacao-que-garante-a-sua-autenticidade\">A bebida em si, o imagin\u00e1rio constitu\u00eddo para promov\u00ea-la e a regulamenta\u00e7\u00e3o que garante a sua autenticidade.<\/h3>\n\n\n\n<p>Tendo analisado um pouco sobre a inven\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o do champanhe e seus principais personagens, fecho essa sequ\u00eancia de artigos elencando alguns aspectos que considero essenciais na concep\u00e7\u00e3o da bebida n\u00e3o apenas enquanto vinho, tecnicamente falando, mas enquanto produto, contemplado em sua rede de significados. Segundo a teoria dos signos de Charles Sanders Peirce, qualquer objeto existente tem uma natureza tridimensional, formada por:<\/p>\n\n\n\n<p>1) sua manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica, corp\u00f3rea;<\/p>\n\n\n\n<p>2) suas representa\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas;<\/p>\n\n\n\n<p>3) sua identidade simb\u00f3lica, validada pela sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um jeito simples de dizer, que n\u00e3o faz jus \u00e0 complexidade te\u00f3rica da Semi\u00f3tica, mas suficiente para demonstrarmos que a celebridade de um produto reside numa complexa combina\u00e7\u00e3o de fatores que se complementam.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos \u00e0 parte f\u00edsica, \u00e0 bebida em si. O champanhe \u00e9 um vinho de segunda fermenta\u00e7\u00e3o em garrafa, criado posteriormente ao chamado vinho \u201ctranquilo\u201d (sem efervesc\u00eancia), a partir da observa\u00e7\u00e3o do comportamento dos produtos numa regi\u00e3o de configura\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica bem extrema para a viticultura. Ao longo do tempo, no processo de produ\u00e7\u00e3o do seu vinho \u201ctranquilo\u201d, percebeu-se a sua \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d para algo diferente, tido por alguns como um problema e por outros como uma qualidade \u2013 caso da efervesc\u00eancia. Novas t\u00e9cnicas foram incorporadas para a obten\u00e7\u00e3o de melhores resultados e para agradar o paladar dos mercados importantes. E, assim, nasceu uma bebida que levou cerca de 150 anos para sair da condi\u00e7\u00e3o de um vinho de clima muito frio e entrar na condi\u00e7\u00e3o de um rico espumante, com diferentes estilos.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo ponto \u00e9 a sua representa\u00e7\u00e3o, a imagem que se projeta dele.&nbsp;<a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/dom-perignon-e-a-invencao-do-champanhe\/\">Como eu tratei<\/a>&nbsp;nos dois&nbsp;<a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/a-ousadia-da-viuva-clicquot-e-a-evolucao-do-champanhe\/\">artigos antecedentes<\/a>, o champanhe se constituiu com a colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios personagens, alguns tomados de empr\u00e9stimo da hist\u00f3ria pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural (que se declararam apreciadores da bebida), outros que trabalharam em sua g\u00eanese e que foram sistematicamente \u201clouvados\u201d pela excel\u00eancia dos produtos que faziam e, posteriormente, pela excel\u00eancia da bebida em si. Isso se deve em parte a uma atitude corporativa dessa regi\u00e3o muito favor\u00e1vel ao car\u00e1ter promocional. A aura de mist\u00e9rio dos segredos que cada casa guarda para fazer o seu produto, a promo\u00e7\u00e3o do vinho associada a falas de grandes personagens, todo o imagin\u00e1rio de consumo ligado a festas e vit\u00f3rias esportivas, a tomada da efervesc\u00eancia como elemento hipnotizador \u2013 champanhe \u00e9 tudo isso a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro ponto est\u00e1 aquilo que d\u00e1 o lastro para a sua identidade, para consolidar a particularidade do m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o da bebida e para refor\u00e7ar o mito \u201cChampagne\u201d. Temos v\u00e1rios reprodutores do m\u00e9todo champenoise no mundo, e nenhum deles pode citar essa express\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o poderem usar o nome Champagne. A Fran\u00e7a trabalha forte em suas regulamenta\u00e7\u00f5es para se defender de falsifica\u00e7\u00f5es, fraudes e para valorizar os seus produtos. Isso j\u00e1 \u00e9 feito em outras regi\u00f5es, mas vejamos que esta \u00e9 a \u00fanica regi\u00e3o que pouco usa as D.O.s comunais para se promover, embora elas existam. Isso \u00e9 um dado, n\u00e3o um recurso para caracterizar e diferenciar a qualidade dos champanhes de distintas regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de se fazer cortes de safras e uvas sistematicamente para compensar anos dif\u00edceis numa regi\u00e3o de clima extremo, mas tamb\u00e9m para preservar os segredos estil\u00edsticos dos champanhes das Maisons, seria talvez complicado predefinir que as uvas devessem vir s\u00f3 de uma sub\u00e1rea ou de que todos os vinhos devessem ser safrados \u2013 haveria muita irregularidade. H\u00e1 sim, parcelas especiais de vinhedos que podem dar a distin\u00e7\u00e3o Premier Cru ou Grand Cru nos r\u00f3tulos. Para os demais, a legisla\u00e7\u00e3o garante que se possa fazer os cortes mais variados, inclusive entre vinho branco e tinto para produzir o champanhe Ros\u00e9 \u2013 algo n\u00e3o usual em outras categorias. Opta-se por legitimar o produto a partir dos contornos mais largos de toda a regi\u00e3o de Champagne e por um m\u00e9todo que atenda as condi\u00e7\u00f5es nas quais ele foi constitu\u00eddo, deixando margem para as marcas promoverem seus estilos \u201c\u00fanicos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A bebida em si, o imagin\u00e1rio constitu\u00eddo para promov\u00ea-la e a regulamenta\u00e7\u00e3o que garante a sua autenticidade. 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