{"id":118,"date":"2019-07-19T13:05:43","date_gmt":"2019-07-19T13:05:43","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=118"},"modified":"2021-03-10T11:47:11","modified_gmt":"2021-03-10T11:47:11","slug":"nem-tinto-nem-negro-alguns-tons-de-provence-em-cahors","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/nem-tinto-nem-negro-alguns-tons-de-provence-em-cahors\/","title":{"rendered":"Nem tinto nem negro \u2013 alguns tons de Provence em Cahors"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que bom que o marketing e a moda tenham revelado outras nuances do beber vinho, pois esta \u00e9 uma bebida da diversidade.<\/h2>\n\n\n\n<p>Estou em viagem por algumas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas da Europa, dentre elas, Cahors, a terra do Malbec franc\u00eas, que, apesar de sua tradi\u00e7\u00e3o produtiva, vem ganhando mais destaque internacional em fun\u00e7\u00e3o do sucesso da Malbec que predomina nos vinhos da nossa t\u00e3o familiar vers\u00e3o argentina. \u00c9 como se Cahors fosse redescoberta e, embora alguns produtores tor\u00e7am o nariz para dizer que as duas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o incompar\u00e1veis, Cahors esteve por muito tempo mais identificada como produtora do vinho negro (vers\u00e3o antiga de um vinho r\u00fastico e pesado) do que pela preciosa cepa dominante de sua Denomina\u00e7\u00e3o de Origem: para se levar o nome AOC Cahors, o vinho deve ter no m\u00ednimo 70% de Malbec.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, h\u00e1 muito mais para se dizer sobre Cahors, mas, por enquanto, quero focar no vinho ros\u00e9. Tradicionalmente, as regi\u00f5es produtoras de vinhos franceses vendem poucos vinhos de outras \u00e1reas e ali n\u00e3o \u00e9 diferente. Como se planta pouca uva branca, o vinho ros\u00e9 \u00e9 que tem sido dominante como alternativa para uma vers\u00e3o mais refrescante a ser bebido no ver\u00e3o. H\u00e1 alguns vinhedos de Chardonnay, de Sauvignon Blanc e, especialmente, de Chenin Blanc, mas o ros\u00e9 tem a vantagem de poder ser feito com as suas uvas tintas (Malbec, Merlot e Tannat especialmente), al\u00e9m de acompanhar uma tend\u00eancia do mercado. N\u00e3o estamos falando aqui de tradi\u00e7\u00e3o nem de qualidade \u2013 n\u00e3o que isso n\u00e3o exista, pelo contr\u00e1rio, houve um salto de qualidade neste segmento mundial tamb\u00e9m, mas ressalto a efetividade do posicionamento mercadol\u00f3gico. A oferta do ros\u00e9 cresce em v\u00e1rios locais de produ\u00e7\u00e3o, uma vez que o consumidor, mundialmente, vem associando o ros\u00e9 ao vinho fresco de ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil identificar isso, desde que voc\u00ea venha acompanhando o mercado de vinhos h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada no Brasil, pois o ros\u00e9 era o \u201cpatinho feio\u201d dos vinhos: aquele que ficava no meio do caminho \u2013 nem branco nem tinto \u2013 at\u00e9 que campanhas promocionais, como a da regi\u00e3o da Provence, Denomina\u00e7\u00e3o de Origem que tem como tipicidade o vinho ros\u00e9, destacou aspectos est\u00e9ticos que elevaram a percep\u00e7\u00e3o de sua qualidade. O marketing da Provence come\u00e7a j\u00e1 pela estiliza\u00e7\u00e3o de suas garrafas \u2013 cada Domaine quer a sua mais bela e original \u2013 um verdadeiro festival de embalagens! As campanhas institucionais da Denomina\u00e7\u00e3o de Origem foram intensas nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, com um material gr\u00e1fico primoroso, destacando a contraposi\u00e7\u00e3o entre as tonalidades rosa e azul-piscina da Cote d\u2019Azur.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o foi somente Provence \u2013 aos poucos, outras regi\u00f5es, como, na Fran\u00e7a, Bordeaux, foram percebendo que este era um segmento potencialmente promissor e lan\u00e7aram v\u00eddeos publicit\u00e1rios, entre outras a\u00e7\u00f5es, cujos motes eram beleza e refresc\u00e2ncia. Apesar da tradicional qualidade de alguns ros\u00e9s de regi\u00f5es dedicadas \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o \u2013 como a pr\u00f3pria Provence, onde dominam ros\u00e9s mais delicados e frescos, a DOC Tavel, no Vale do Rh\u00f4ne, com seu ros\u00e9 mais intenso e carnudo, ou o Ros\u00e9 d\u2019Anjou mais frutado do Vale do Loire \u2013 essa ascens\u00e3o do consumo do ros\u00e9 foi bastante impulsionada pelo aspecto promocional, tanto que muitas vezes o vinho \u00e9 servido com gelo, uma forma de consumo, em tese, impens\u00e1vel para um produto que busca se eximir de influ\u00eancias externas que alterem o equil\u00edbrio alcan\u00e7ado na cave \u2013 diferentemente de bebidas mais fortes, tradicionalmente associadas ao gelo.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que o consumo de ros\u00e9 est\u00e1 em sintonia com a moda dos drinks \u2013 importa menos a origem, o produtor do que a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de consumo e ao gosto do consumidor. Que bom que o marketing e a moda tenham revelado outras nuances do beber vinho, pois esta \u00e9 uma bebida da diversidade \u2013 de uma ponta a outra: seja pela distin\u00e7\u00e3o da origem e de suas tipicidades seja pela situa\u00e7\u00e3o de consumo. O que n\u00e3o deve haver \u00e9 ditadura do vinho tinto, do vinho ros\u00e9, do vinho que vende e de esp\u00e9cie alguma! Espero tamb\u00e9m que a moda dos vinhos ros\u00e9s tornem conhecidos todos os vinhos de terroir h\u00e1 muito identificados com este estilo e que venha a vez do vinho branco!!!<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao vinho ros\u00e9 de Cahors, bebi um gostoso, correto, refrescante do Clos Triguedina. Bebi outros menos expressivos. Nada perto do vinho tinto da Malbec, que merece um artigo a parte!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias do mundo do vinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rio Wine &amp; Food Festival 2019 \u2013 1\u00ba a 11 agosto<\/strong> \u2013 O Rio Wine &amp; Food Festival chega \u00e0 sua s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o como sendo um dos projetos mais interessantes no sentido de criar uma multiagenda dedicada ao vinho no Rio de Janeiro. Mais recentemente, ocorre a multiplica\u00e7\u00e3o de feiras, pequenos festivais, eventos dedicados ao vinho e \u00e0 gastronomia. Mas o formato do RWFF ainda merece destaque pela abrang\u00eancia e variedade. Seguem alguns eventos mais acess\u00edveis ao grande p\u00fablico que destaquei, mas h\u00e1 muita coisa a conferir no site: www.riowineandfoodfestival.com.br<\/p>\n\n\n\n<p>Dias 2, 3, 4 (sexta, s\u00e1bado e domingo): Vinho no Mercado \u2013 Mercado de Produtores \u2013 Uptown<\/p>\n\n\n\n<p>Dia \u2013 2 (sexta-feira): In\u00edcio do Rio Rolha Zero \u2013 Rolha Zero restaurantes parceiros<\/p>\n\n\n\n<p>Dia 5 (segunda-feira): Semin\u00e1rio Vinho e Mercado \u2013 Entrada gratuita mediante inscri\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Dias 9 e 10 (sexta-feira e s\u00e1bado): Feira para degusta\u00e7\u00e3o e compra de vinhos \u2013 Clube Naval Piraqu\u00ea (Lagoa)<\/p>\n\n\n\n<p>Dia 10 (s\u00e1bado): Wine Bus \u2013 Degusta\u00e7\u00e3o itinerante, das 11h \u00e0s 19h (tours de 1h40 de dura\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre eventos, turmas abertas de forma\u00e7\u00e3o em vinhos da Cafa Wine School, de Bordeaux, entre outros projetos realizados por M\u00edriam Aguiar, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a> \/ Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que bom que o marketing e a moda tenham revelado outras nuances do beber vinho, pois esta \u00e9 uma bebida da diversidade. 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