{"id":109,"date":"2019-08-30T18:51:56","date_gmt":"2019-08-30T18:51:56","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=109"},"modified":"2021-02-28T22:17:12","modified_gmt":"2021-02-28T22:17:12","slug":"a-busca-de-novos-sabores-nos-extremos-norte-e-sul-do-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/a-busca-de-novos-sabores-nos-extremos-norte-e-sul-do-chile\/","title":{"rendered":"A busca de novos sabores nos extremos norte e sul do Chile"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Teriam os vinhos do Valle de Limar\u00ed os poderes alucin\u00f3genos do Valle del Encanto?<\/h3>\n\n\n\n<p>Chegamos ao \u00faltimo artigo sobre o Chile de uma s\u00e9rie de cinco, em que mostramos a crescente diversidade deste pa\u00eds vocacionado \u00e0 vitivinicultura. Vou falar agora de um novo Chile, de lugares que correspondem menos ao estilo consagrado pelo Valle Central e que aparecem como novas possibilidades degustativas, fruto do desenvolvimento e da ousadia da moderna enologia. Os vinhedos mais costeiros de Casablanca e San Antonio, tratados no \u00faltimo artigo, j\u00e1 nos apontaram um Chile de vinhos mais frescos, e isso tamb\u00e9m \u00e9 um resultado encontrado nessas regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Norte do Chile come\u00e7ou a ser explorado para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos finos pela Vi\u00f1a Francisco Aguirre em 1995. Causou surpresa e desconfian\u00e7a esse empreendimento, em fun\u00e7\u00e3o de ser uma regi\u00e3o quente, quase des\u00e9rtica, tradicionalmente associada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uvas para pisco e vinhos populares. Mas o potencial estava l\u00e1. Falamos do vale do Rio Limar\u00ed, cuja bacia \u00e9 ampla e aberta ao mar, contando com setores planos e encostas que recebem uma adequada ventila\u00e7\u00e3o da costa do Pac\u00edfico, dadas as baixas altitudes da Cordilheira da Costa ao norte. Isso \u00e9 fundamental para refrescar o clima e os vinhos. H\u00e1 tamb\u00e9m o fator des\u00e9rtico, que colabora para a sanidade das vinhas, j\u00e1 que por ali temos uma precipita\u00e7\u00e3o de cerca de 94mm anuais. Finalmente, os solos tamb\u00e9m favorecem a viticultura, pois se trata de uma das regi\u00f5es com maior presen\u00e7a de calc\u00e1rio no Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>A paisagem do Valle Limari \u00e9 ex\u00f3tica: muitos cactos e vegeta\u00e7\u00e3o escassa e uma fauna que nos \u00e9 estranha, mas ao mesmo tempo fascinante: ovelhas, cabras, lhamas. A regi\u00e3o tem importante patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico, e uma de suas mais destacadas vin\u00edcolas \u00e9 a Vi\u00f1a Tabal\u00ed, cujo logotipo traz a imagem de um dos signos esculturados em pedras (petroglifos) do Valle del Encanto \u2013 monumento nacional desde 1973 por sua import\u00e2ncia para a cultura pr\u00e9-hisp\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo lenda local, um bruxo ia beber seu ch\u00e1 de peyote no Valle del Encanto e teve uma alucina\u00e7\u00e3o de um encontro com uma bela mulher. Voltava sempre para rev\u00ea-la e, em uma dessas vezes, caiu das pedras e morreu. O criador da Vi\u00f1a Tabal\u00ed, que morreu com apenas 55 anos, tinha o sonho de construir uma vin\u00edcola que representasse o Valle del Encanto, suas lendas e tradi\u00e7\u00f5es, acrescentando-lhe toques de requinte e evolu\u00e7\u00e3o humana. O local \u00e9 de fato muito preservado, e os vinhos primam por eleg\u00e2ncia e toques de mineralidade: brancos da Riesling, Chardonnay e Sauvignon, tintos da Pinot Noir, Cabernet Franc, Syrah e um Malbec sensacional, o Roca Madre, oriundo de vinhedos plantados junto \u00e0 Cordilheira dos Andes, a 1600m de altitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Teriam os vinhos do Valle de Limar\u00ed os poderes alucin\u00f3genos do Valle del Encanto? Creio que alguns, sim, especialmente se degustados in loco, pois, na minha opini\u00e3o, os gostos e efeitos dos vinhos variam ao curso de suas experimenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Acima do Limar\u00ed, est\u00e1 o Valle de Elqu\u00ed, que j\u00e1 n\u00e3o se trata da regi\u00e3o produtora mais setentrional, mas que ainda assim tem produ\u00e7\u00e3o recente. A proximidade e influ\u00eancia fria costeira tamb\u00e9m se faz sentir e gratifica os vinhedos. Bons resultados t\u00eam sido alcan\u00e7ados pela Vi\u00f1a San Pedro e Vi\u00f1a Falernia, esta com sede na regi\u00e3o, que conta com vinhos de excelente rela\u00e7\u00e3o pre\u00e7o\/qualidade, importados pela Premium Wines no Brasil. Destaque para vinhos frescos e minerais da Sauvignon Blanc, al\u00e9m Pinot Noir e Syrah.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais ao norte, quase na fronteira com o Deserto de Atacama, duas novas regi\u00f5es: Valle de Huasco e Valle de Copiap\u00f3, apresentando certas semelhan\u00e7as de solo, clima e cepas com os vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>No extremo oposto, o sul do Chile tamb\u00e9m estende suas fronteiras para o vinho. Primeiramente, por uma de suas regi\u00f5es vitivin\u00edcolas mais antigas, que vem sendo redescoberta para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos de qualidade. O Valle de Itata \u00e9 localizado geograficamente na regi\u00e3o de B\u00edo-B\u00edo, perto da cidade de Talca, e tem um clima mediterr\u00e2neo \u00famido, apresentando temperaturas mais baixas que em outros vales e esta\u00e7\u00f5es bem marcadas. Suas tradicionais castas, de alta produtividade, s\u00e3o a Pa\u00eds e a Moscatel de Alejandr\u00eda, mas h\u00e1 um crescente investimento em outras cepas mais consagradas, que deve ser acompanhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais abaixo, est\u00e1 o Valle de B\u00edo-B\u00edo, um rio de grade extens\u00e3o, cujas \u00e1guas s\u00e3o utilizadas para a fruticultura (cerejas, ma\u00e7\u00e3s, peras). A \u00e1rea apta para os vinhos est\u00e1 pr\u00f3xima \u00e0 Cordilheira dos Andes, e tem latitude de quase 38\u00b0. Ou seja, clima muito frio e que ainda conta com presen\u00e7a de chuvas durante todo o ano, dificultando a flora\u00e7\u00e3o e a matura\u00e7\u00e3o das uvas. As cepas mais aptas s\u00e3o as mais resistentes a climas frios, como Riesling, Gewurztraminer e Pinot Noir.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o Valle de Malleco est\u00e1 a sul ainda de B\u00edo-B\u00edo \u2013 uma das \u00e1reas mais dif\u00edceis da vinicultura chilena, com alta umidade, solos f\u00e9rteis, de origem aluvial e lacustre, e ventos frios da Patag\u00f4nia. Estes, no entanto, acabam exercendo um contraponto ao excesso de umidade, ao secarem os vinhedos e diminu\u00edrem o risco de apari\u00e7\u00e3o de fungos. E a\u00ed, pergunta-se: por que fazer vinhos em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o extremas, quando se tem regi\u00f5es t\u00e3o adequadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, sem riscos? Creio que a resposta \u00e9 a busca pela diversidade, por novos sabores e estilos \u2013 desafios que podem gratificar o amante de vinhos em busca de novas sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre eventos, turmas abertas de forma\u00e7\u00e3o em vinhos da Cafa Wine School, de Bordeaux, entre outros projetos realizados por Miriam Aguiar, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>miriamaguiar.com.br<\/u><\/a> \/ Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>@miriamaguiar.vinhos<\/u><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teriam os vinhos do Valle de Limar\u00ed os poderes alucin\u00f3genos do Valle del Encanto? 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