{"id":100,"date":"2019-10-11T17:50:56","date_gmt":"2019-10-11T17:50:56","guid":{"rendered":"http:\/\/miriamaguiar.com.br\/blog\/?p=100"},"modified":"2021-02-28T22:06:16","modified_gmt":"2021-02-28T22:06:16","slug":"made-in-china-by-china-and-for-china-a-explosao-do-vinho-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.miriamaguiar.com.br\/blog\/made-in-china-by-china-and-for-china-a-explosao-do-vinho-na-china\/","title":{"rendered":"Made in China, by China and for China: a explos\u00e3o do vinho na China"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o duvidem da China nem num setor t\u00e3o especializado, ligado a aspectos naturais e culturais.<\/h3>\n\n\n\n<p>Esta semana comprei um bilhete para voar pela Air China! Pre\u00e7o imbat\u00edvel com direito a levar malas, dado que hoje faz toda a diferen\u00e7a, j\u00e1 que os pre\u00e7os est\u00e3o sofrendo um acr\u00e9scimo de quase R$ 1.500 quando inclu\u00edmos malas. O fato \u00e9 que eu hesitei um pouco para comprar o bilhete, j\u00e1 que n\u00e3o conseguia me destituir de uma desconfian\u00e7a inerente ao r\u00f3tulo chin\u00eas. Afinal, no nosso imagin\u00e1rio predomina a ideia (n\u00e3o por acaso) de que produto chin\u00eas \u00e9 barato, falsificado e descart\u00e1vel, refer\u00eancia esta de uma China moderna, que ofusca o rico legado das tradi\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas, medicinais, religiosas e art\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja necess\u00e1rio reconstruir esse imagin\u00e1rio num momento em que a China, incontestavelmente, se torna uma pot\u00eancia mundial e que, em contexto globalizado, est\u00e1 cada vez mais presente em nossas vidas n\u00e3o apenas nos produtos descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar de ch\u00e1 combina mais com chin\u00eas do que falar de vinho, isso em tempos de outrora. A China entrou no mundo do vinho de cabe\u00e7a \u2013 como consumidor e produtor \u2013 e n\u00e3o se surpreendam se em breve em nossas prateleiras come\u00e7arem a aparecer r\u00f3tulos escritos em mandarim e imagens da Grande Muralha. N\u00e3o duvidem da China nem num setor t\u00e3o especializado, ligado a aspectos naturais e culturais como o neg\u00f3cio do vinho, pois o pa\u00eds vem avan\u00e7ando muito r\u00e1pido na aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos e tecnologias de produ\u00e7\u00e3o, bem como na forma\u00e7\u00e3o de profissionais especializados para ativa\u00e7\u00e3o deste mercado. Ali\u00e1s, depois que os EUA conseguiram alcan\u00e7ar destaque para a qualidade dos seus vinhos, inaugurando \u201coficialmente\u201d o reconhecimento pela cr\u00edtica internacional de produ\u00e7\u00f5es extra-Europa Ocidental, a vitivinicultura mundial parece n\u00e3o ter limites, mesmo que ainda em formatos muito padronizados.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso chin\u00eas, a cultura da vinha chegou ao pa\u00eds em 206 a.C., teve alguns surtos de desenvolvimentos e de interrup\u00e7\u00e3o, mas foi ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China, durante os anos 1950, que cepas europeias foram introduzidas em sua viticultura, iniciando a reconvers\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o. Com as reformas econ\u00f4micas dos anos 1980, seguidas de alian\u00e7as com produtores franceses, a vitivinicultura disparou e eleva vertiginosamente a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no ranking mundial. Entre 1996 e 2001, a superf\u00edcie do vinhedo chin\u00eas dobrou e hoje j\u00e1 \u00e9 a segunda maior mundial, ficando atr\u00e1s apenas da Espanha. A produ\u00e7\u00e3o aumentou em 3 milh\u00f5es de hectolitros desde o in\u00edcio dos anos 2000 e atualmente se encontra em d\u00e9cimo lugar no ranking mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>As regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o mais expressivas se localizam no Nordeste da China, com destaque para as prov\u00edncias de Shandong, Hebei e Tianjin, onde predominam algumas cepas aut\u00f3ctones e variedades francesas, introduzidas recentemente. H\u00e1 outras \u00e1reas promissoras, cujos bons resultados j\u00e1 s\u00e3o aferidos, alguns frutos de parcerias internacionais, como Ningxia, uma regi\u00e3o aut\u00f4noma, a 1.500km de Beijing, ou Xinjiang, na sub-regi\u00e3o de Yanqui, noroeste da China, ou, ainda, na Prov\u00edncia de Shaanxi, mais a Centro-norte do pa\u00eds. Tradicionalmente, os vinhos locais continham de 30% a 40% de vinhos importados em seu corte, pr\u00e1ticas que mudam a partir da concorr\u00eancia com refer\u00eancias de qualidade superior. Os investimentos come\u00e7am a apresentar bons resultados qualitativos, embora o mercado, dominado por grandes marcas, tenha um perfil massificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o chinesa que chama a aten\u00e7\u00e3o do mundo todo, especialmente dos tradicionais produtores de vinhos, mas o seu consumo, que j\u00e1 ocupa a quinta posi\u00e7\u00e3o mundial, somando 19,3 milh\u00f5es de hl. nas \u00faltimas estat\u00edsticas, com um aumento vertiginoso desde o in\u00edcio dos anos 2000. Uma popula\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria disputa as melhores garrafas de Bordeaux e Borgonha em leil\u00f5es inacredit\u00e1veis e tamb\u00e9m tem comprado propriedades vitivin\u00edcolas francesas, j\u00e1 que os valores de um pequeno Ch\u00e2teau em Bordeaux podem estar bem abaixo de valores de um apartamento em Xangai ou em Pequim.<\/p>\n\n\n\n<p>Jovens \u201cnovos ricos\u201d querem saber tudo sobre vinho e ostentam suas cole\u00e7\u00f5es de produtos bem cotados mundialmente. De modo geral, a classe m\u00e9dia aumenta e pode arcar com o consumo cotidiano de uma oferta crescente de vinhos importados. A prop\u00f3sito, China j\u00e1 \u00e9 tamb\u00e9m o quarto importador mundial, vindo ap\u00f3s os onipresentes pesos-pesados do consumo mundial: Alemanha, Gr\u00e3-Bretanha e EUA. N\u00e3o \u00e9 a toa que eventos consagrados mundialmente no mundo do vinho, antes s\u00f3 realizados na Europa, ganharam suas vers\u00f5es asi\u00e1ticas, como Vinexpo, ProWein, Vinisud e Concurso Internacional de Bruxelas.<\/p>\n\n\n\n<p>As prefer\u00eancias de consumo do mercado chin\u00eas n\u00e3o se diferenciam dos demais pa\u00edses de vinicultura mais recente: vinhos tintos mais frutados, de consumo jovem, com destaque para a cepa Cabernet Sauvignon. Quando falamos de consumo per capita, a m\u00e9dia anual \u00e9 ainda inexpressiva: 1,7l. Mas, considerando a grandeza dos n\u00fameros da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 f\u00e1cil prever que, com um pouquinho mais de crescimento do consumo per capita, a China chegar\u00e1 facilmente e muito breve ao topo do ranking de consumo mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais sobre turmas abertas da Cafa Wine School, de Bordeaux, representada por Miriam Aguiar no Brasil, visite <a href=\"http:\/\/miriamaguiar.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">miriamaguiar.com.br<\/a> \/ Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miriamaguiar.vinhos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@miriamaguiar.vinhos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o duvidem da China nem num setor t\u00e3o especializado, ligado a aspectos naturais e culturais. Esta semana comprei um bilhete para voar pela Air China! 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