Uma experiência interessantíssima! No último encontro da Confraria Scala Dei reunimos 8 vinhos da AOC Beaujolais mais dois brancos das proximidades. Objetivo; conhecer melhor o universo Beaujolais, muito associado ao marketing do Beaujolais Nouveau, que é, entretanto, reducionista em relação à qualidade da AOC. As confrarias nos permitem explorar em detalhes cada região e mergulhar no universo dos Crus Beaujolais foi desafiador e revelador.




A Gamay foi a uva mais prestigiada e única tinta, afinal, perfaz praticamente 98% de seu vinhedo. Mas nos brancos tivemos a Chardonnay em forma de Beaujolais Blanc e um AOC Mâconnais. O primeiro, Domaine Jules Desjourneys Beaujolais Blanc 2021, brilhou mais, com elegância, acidez fresca e mineralidade. O segundo era mais encorpado e evoluído, com aromas de frutas de caroço e untuosidade em boca. Com o terceiro branco, quis mostrar ao grupo que a Aligoté pode brilhar na AOC Bouzeron (Côte Chalonnaise, Borgonha). O Aligoté de Michel Briday 2016 parecia um jovenzinho, ainda cheio de vitalidade.
Depois passamos às sutis diferenças entre vinhos da Gamay AOC Cru Beaujolais, que, pelo próprio perfil da uva, são vinhos de taninos pouco marcados, que entregam sempre muita fruta, álcool nunca excessivo e acidez sempre presente.
Dos mais delicados, Domaine Bonnet Cotton Régnié e Château Pougelon Brouilly, destaco o segundo, com muita fruta vermelha, framboesa, fácil de agradar. Visitamos em seguida o Chiroubles Domaine Lafarge-Vial, de médio corpo, elegante, com toques terrosos e um Fleurie Grille Midi safra 2017 do Domaine Jean Paul Brun, um pouco mais estruturado, mas com muita fruta ainda presente e alguma evolução.



Morgon e Moulin-à-Vent são consideradas as AOC’s de vinhos mais estruturados. O Morgon Corcelette do Domaine Mee Godard era menos alcoólico e estruturado do que o Morgon Côte du Py Jean Ernest Descombes, mas com muito mais finesse, taninos finos, muita fruta e mineralidade – foi um dos que mais me agradou até a chegada Moulin-à-Vent, que trouxe outro sotaque, parecia outra uva, talvez por isso eles sejam comparados aos Pinots da Borgonha. Creio que seja mérito do produtor também. O Moulin-à Vent 2018 do Domaine des Moriers estava intenso com um bouquet complexo de frutas secas, sous-bois e especiarias. Encerrou magistralmente a experiência Beaujolais!
Tudo isso no clima mais do que apropriado de bistrô francês do Signatures, acompanhado da alta gastronomia do Le Cordon Bleu Rio.

GONDARD PERRIN VIRÉ-CLESSÉ SYMPHONIE MÂCONNAIS 2016

MICHEL BRIDAY BOUZERON AXELLE ALIGOTÉ 2016

DOMAINE JULES DESJOURNEYS BEAUJOLAIS BLANC 2021

DOMAINE BONNET COTTON REGNIÉ 2022

CH POUGELON BROUILLY VOUJON 2020

DOMAINE MEE GODARD MORGON CORCELETTE 2021

DOMAINE LAFARGE-VIAL CHIROUBLES 2020

JEAN PAUL BRUN TERRES DOREES FLEURIE GRILLE MIDI 2017

DOMAINE JEAN ERNEST DESCOMBES MORGON “CÔTE DE PY” 2020

DOMAINE DES MORIERS MOULIN-A-VENT 2018